Para muitos brasileiros, o Pan deste ano é mais importante do que uma Olimpíada. Mesmo sendo uma competição tecnicamente mais fraca, a grande exposição na mídia transforma o evento em um trampolim à fama para uma série de atletas. Inclusive para os que já estiveram em Jogos Olímpicos de Inverno.
| NA MONTANHA, COM OU SEM NEVE |
|---|
 Jaqueline Mourão no esqui cross country da Olimpíada de Inverno de Turim, em 2006 |
 Dois anos antes, ela estava na competição de mountain bike dos Jogos de Atenas |
A HISTÓRIA DO ÚNICO PAN DE INVERNO |
É o caso de Jaqueline Mourão, que disputou o esqui cross country nas Olimpíadas de Turim-2006 e já está classificada para a prova de mountain bike no Pan. "Se conseguirmos uma medalha farei história no MTB, pois jamais uma atleta brasileira ganhou uma medalha em Jogos Pan-Americanos (nesta modalidade)", diz.
Jaqueline começou a praticar o cross country menos de um ano antes de ir para as Olimpíadas. Quer repetir a dose. "Sim, tentarei me classificar para Vancouver-2010." Antes disso, porém, ela está de olho em uma vaga para os Jogos Olímpicos de Verão, em Pequim.
"Claro que este Pan será muito especial, pois será em casa e queremos fazer bonito. E esta prova será muito importante também, pois pontua no ranking internacional da UCI (União Ciclística Internacional) e é qualificatório para as Olimpíadas de 2008", ressalta.
O grupo do atletismo também se empolgou com a participação na Olimpíada de Inverno, mas não pode priorizar o esporte no gelo porque o sustento ainda vem das pistas. O barreirista Matheus Inocêncio ficou famoso ao tornar-se o primeiro brasileiro a disputar as edições de inverno e verão das Olimpíadas. Ele esteve nos Jogos de Inverno de Salt Lake-2002 e também em Atenas-2004. Foi chamado novamente para integrar a equipe de bobsled em Turim-2006, mas recusou o convite para participar do Mundial Indoor de atletismo.
"Participar em Salt Lake só serviu para ganhar o título de primeiro a estar nas duas Olimpíadas. Não mudou nada na minha vida. Só ganhei parabéns", afirma. "Eu sempre dependi do atletismo e por isso ele é minha prioridade. O Pan no Brasil deve ser bom e trazer coisas interessantes em termos de patrocínio", completa o atleta, que está pré-classificado para o Pan-Americano nos 110 m com barreiras.
O bobsled, espécie de trenó que desce por uma canaleta, arregimenta velocistas do atletismo para ajudar na impulsão do carrinho -quanto mais explosão muscular, mais velecidade na descida.
O decatleta Edson Bindilatti também está sonhando com o Pan, apesar de ainda não figurar entre os dois primeiros do ranking nacional, um dos sistemas de classificação para o evento. Ele disputou as duas últimas Olimpíadas de Inverno, em Salt Lake-2002 e Turim-2006, e espera poder se dedicar mais ao bobsled no futuro. Mas, por enquanto, é com o que ganha no atletismo que ele paga as contas.
"Do esporte de inverno não vem um tostão", lamenta. "Mas eu vejo o bobsled mais a longo prazo e quero ir para o Pan também para divulgar mais este esporte, ainda pouco conhecido do público", acrescenta.
Márcio Silva, do lançamento do disco, não tem esperanças de ir para o Pan e quer mesmo é investir no esporte de inverno, apesar de também ter o atletismo como fonte de renda. Trabalhando para a equipe de Americana, cidade do interior paulista, ele espera o dia em que poderá se dedicar inteiramente ao bobsled.
"Senti por ficar fora do Pan, mas tem que ver o que está ao seu alcance. Com meu biótipo (1,80 m, 97 kg), seria difícil competir com os caras de 2 metros e 120 kg. Participar de uma Olimpíada de Verão, então, seria praticamente impossível. No bobsled eu consegui", pondera.
O ex-atleta Claudinei Quirino foi outro que teve uma experiência gelada. Prata na Olimpíada de Sydney-2000 no revezamento 4x100, ele tentou a sorte no bobsled de Turim-2006, mas acabou se contundindo em uma das capotadas dos "bananas congeladas", como ficou conhecida a equipe brasileira.