UOL Esporte - Pan 2007
UOL BUSCA

22/05/2007 - 09h04

Participantes de Turim-2006 trocam gelo pelo Pan do Rio

Claudia Andrade
Em São Paulo

Para muitos brasileiros, o Pan deste ano é mais importante do que uma Olimpíada. Mesmo sendo uma competição tecnicamente mais fraca, a grande exposição na mídia transforma o evento em um trampolim à fama para uma série de atletas. Inclusive para os que já estiveram em Jogos Olímpicos de Inverno.

NA MONTANHA, COM OU SEM NEVE
Arquivo
Jaqueline Mourão no esqui cross country da Olimpíada de Inverno de Turim, em 2006
Arquivo
Dois anos antes, ela estava na competição de mountain bike dos Jogos de Atenas
A HISTÓRIA DO ÚNICO PAN DE INVERNO
É o caso de Jaqueline Mourão, que disputou o esqui cross country nas Olimpíadas de Turim-2006 e já está classificada para a prova de mountain bike no Pan. "Se conseguirmos uma medalha farei história no MTB, pois jamais uma atleta brasileira ganhou uma medalha em Jogos Pan-Americanos (nesta modalidade)", diz.

Jaqueline começou a praticar o cross country menos de um ano antes de ir para as Olimpíadas. Quer repetir a dose. "Sim, tentarei me classificar para Vancouver-2010." Antes disso, porém, ela está de olho em uma vaga para os Jogos Olímpicos de Verão, em Pequim.

"Claro que este Pan será muito especial, pois será em casa e queremos fazer bonito. E esta prova será muito importante também, pois pontua no ranking internacional da UCI (União Ciclística Internacional) e é qualificatório para as Olimpíadas de 2008", ressalta.

O grupo do atletismo também se empolgou com a participação na Olimpíada de Inverno, mas não pode priorizar o esporte no gelo porque o sustento ainda vem das pistas. O barreirista Matheus Inocêncio ficou famoso ao tornar-se o primeiro brasileiro a disputar as edições de inverno e verão das Olimpíadas. Ele esteve nos Jogos de Inverno de Salt Lake-2002 e também em Atenas-2004. Foi chamado novamente para integrar a equipe de bobsled em Turim-2006, mas recusou o convite para participar do Mundial Indoor de atletismo.

"Participar em Salt Lake só serviu para ganhar o título de primeiro a estar nas duas Olimpíadas. Não mudou nada na minha vida. Só ganhei parabéns", afirma. "Eu sempre dependi do atletismo e por isso ele é minha prioridade. O Pan no Brasil deve ser bom e trazer coisas interessantes em termos de patrocínio", completa o atleta, que está pré-classificado para o Pan-Americano nos 110 m com barreiras.

O bobsled, espécie de trenó que desce por uma canaleta, arregimenta velocistas do atletismo para ajudar na impulsão do carrinho -quanto mais explosão muscular, mais velecidade na descida.

O decatleta Edson Bindilatti também está sonhando com o Pan, apesar de ainda não figurar entre os dois primeiros do ranking nacional, um dos sistemas de classificação para o evento. Ele disputou as duas últimas Olimpíadas de Inverno, em Salt Lake-2002 e Turim-2006, e espera poder se dedicar mais ao bobsled no futuro. Mas, por enquanto, é com o que ganha no atletismo que ele paga as contas.

"Do esporte de inverno não vem um tostão", lamenta. "Mas eu vejo o bobsled mais a longo prazo e quero ir para o Pan também para divulgar mais este esporte, ainda pouco conhecido do público", acrescenta.

Márcio Silva, do lançamento do disco, não tem esperanças de ir para o Pan e quer mesmo é investir no esporte de inverno, apesar de também ter o atletismo como fonte de renda. Trabalhando para a equipe de Americana, cidade do interior paulista, ele espera o dia em que poderá se dedicar inteiramente ao bobsled.

"Senti por ficar fora do Pan, mas tem que ver o que está ao seu alcance. Com meu biótipo (1,80 m, 97 kg), seria difícil competir com os caras de 2 metros e 120 kg. Participar de uma Olimpíada de Verão, então, seria praticamente impossível. No bobsled eu consegui", pondera.

O ex-atleta Claudinei Quirino foi outro que teve uma experiência gelada. Prata na Olimpíada de Sydney-2000 no revezamento 4x100, ele tentou a sorte no bobsled de Turim-2006, mas acabou se contundindo em uma das capotadas dos "bananas congeladas", como ficou conhecida a equipe brasileira.