26/05/2007 - 09h04
Crateras põem em xeque o projeto da Vila Pan-Americana
Fabio Grijó
Da Folhapress
No Rio de Janeiro
Possíveis problemas de projeto podem ser a causa de crateras abertas nas vias de acesso aos prédios da Vila Pan-Americana. Assim avalia o professor de geotecnia Márcio Almeida, da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia).
"O solo argiloso é de qualidade muito ruim. Ninguém está imune a erros, mas é preciso ter as precauções especiais, que, talvez, não tenham sido tomadas", diz Almeida. "Aparentemente, é um problema de projeto."
O especialista contou ter sido contatado pela prefeitura há duas semanas para emitir parecer e soluções.
"As crateras ocorrem na via e no acesso da via aos prédios. É preciso refazer a profundidade das estacas", diz.
Segundo ele, o trabalho já começou. A Agenco foi a responsável pelos 17 prédios. A Sanirio cuida das vias da Vila.
"Por motivos como a profundidade das estacas, a estrutura entre o prédio e a via cedeu", explica o especialista. "Esse problema pode acontecer em outros pontos [da Vila] se não for mudada a profundidade das estacas."
Almeida diz que, sem o reparo necessário nas estacas, o asfalto poderia ceder. O professor da Coppe diz que não há risco para os prédios.
O Co-Rio (Comitê Organizador do Pan) enviou nota da Agenco, que informa: "Há cerca de um mês, aconteceram imprevistos na sustentação das redes externas das companhias concessionárias". Para a nota, os reparos acabam em três semanas.
Segundo a Sanirio, o fato de o trecho entre o prédio e a pista estar cedendo tem afetado as estacas da empresa. "A Agenco está solucionando o problema. Agora, depende de eles terminarem para asfaltarmos a via", afirma Luiz Júnior, gerente de obras.
O Co-Rio acompanha o andamento da obra e afirmou que os responsáveis deram garantia de que a Vila estará pronta no prazo. Em 3 de julho, prevê-se a abertura da instalação a 5.500 atletas.
O prefeito Cesar Maia, por e-mail, disse que houve falha da Agenco "pois não estaqueou áreas externas como canteiros". "[A construtora] Reconheceu a falha e já começou a refazer. O trabalho é fazer o estaqueamento e repor o aterro em cima", afirmou Maia.