UOL Esporte - Pan 2007
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30/05/2007 - 09h32

Baseado em fatos reais, Hollywood vai ao Pan e retrata lendas

Antoine Morel
Em São Paulo

Tom Cruise e Denzel Washington já se dedicaram ao Pan, mas, como não poderia deixar de ser, no mundo da ficção. Ambos trabalharam em filmes que retrataram lendas esportivas dos EUA com passagens pelos Jogos Pan-Americanos.

Em 1998, entre o primeiro "Missão Impossível" e sua seqüência, Cruise arranjou tempo para produzir "Prova de Fogo" (Without Limits, Warner Bros), a história da vida do fundista norte-americano Steve Prefontaine. Já Washington fez sua estréia como ator em um telefilme que contou a trajetória da velocista Wilma Rudolph.

Prefontaine foi ouro na prova dos 5000 m do atletismo nos Jogos Pan-Americanos de Cáli, em 1971. Na época, o norte-americano tinha apenas 20 anos -ele morreria quatro anos mais tarde. No cinema, ele ganhou duas cinebiografias. A primeira foi em 1997 em um filme apagado chamado "Prefontaine".

No segundo longa-metragem, Tom Cruise foi o produtor. Ele quase pegou o papel principal, mas preferiu deixá-lo a Billy Crudup, que mais tarde viria a contracenar com seu produtor em "Missão Impossível 3".

No melhor estilo "baseado em fatos reais", "Prova de Fogo" conta a meteórica história de Steve Prefontaine desde o início da sua carreira esportiva até a sua trágica morte, em um acidente de carro, em 1975, passando rapidamente pelo Pan vencedor e pelo quarto lugar na Olimpíada de Munique, em 1972.

Já Wilma Rudolph, prata nos Jogos Pan-Americanos de Chicago em 1959, foi retratada em uma pequena produção feita para televisão em 1971. O filme "Wilma" passou em branco pela maioria dos telespectadores norte-americanos, porém, tem uma marco importante. É o primeiro longa do astro Denzel Washington, que com 21 anos, fazia um papel secundário de um parceiro da protagonista.

O filme dá destaque para a maior glória dela: na Olimpíada de 1960, ganhou três ouros (nos 100 m, 200 m e 4x100 m). O roteiro todo é baseado na autobiografia da atleta, que quando criança teve poliomielite e foi desacreditada de andar pelos médicos. Típico filme no estilo "uma lição de vida".

Já Prefontaine teve a história inversa. Fracassou na Olimpíada de 1972, quando mais se esperava dele. A prova dos 5000 m em Munique já valeria um filme. Após estar na liderança faltando 150 m, ele foi ultrapassado por três rivais e perdeu a medalha na linha de chegada.

Divulgação
Cartaz do filme Wilma. Denzel Washington fez sua estréia em papel secundário
O que mais marcou para os norte-americanos, que até hoje reverenciam o fundista com camisetas e nome de corridas, foi sua morte repentina, um ano antes da Olimpíada de 1976, em Montréal (Canadá).

O filme "Prova de Fogo" ainda ganhou mais força pela história do seu técnico, Bill Bowerman, uma lenda viva da prática e do mercado esportivo. Ao longo de sua carreira, o treinador, que foi interpretado por Donald Sutherland, treinou 31 atletas olímpicos e foi um dos fundadores da multinacional Nike, em 1972, quando ainda tinha relação com Prefontaine.

Há casos também de astros das Olimpíadas e dos Pans que migram para Hollywood. Carl Lewis, um dos maiores medalhistas de ouro em Olimpíadas (com 9 no total), é um exemplo. Depois da sua aposentadoria, em 1996, decidiu virar ator e seguir o caminho do famoso Johnny Weissmuller, que após seis medalhas na Olimpíada de 1924 (Paris), virou o lendário e estridente ator de Tarzan nos cinemas.

Lewis, que no começo de carreira foi apenas bronze no Pan de 1979 no salto em distância (com João do Pulo conquistando o ouro), tem no currículo o filme "Material Girls" (2006, com as atrizes Hilary e Haylie Duff), com seus 15 minutos mais famosos em Hollywood. Ainda engatinhando no mundo cinematográfico dos EUA, o ex-velocista deixa disponível no seu site (veja aqui) um teste de sua atuação. É só conferir e contratar.