A equipe brasileira de saltos no Pan do Rio não deve ser definida neste fim-de-semana. Processo dos mais polêmicos, a seletiva termina neste domingo, após o término do Campeonato Brasileiro da modalidade, que está sendo disputado no Complexo Esportivo de Deodoro.
Um critério adotado posteriormente, porém, evitará que as três vagas oficiais sejam preenchidas. Dois cavaleiros, Rodrigo Pessoa e Bernardo Alves, já estão classificados. As outras três vagas sairiam dessa seletiva.
Após anunciar seletivas no Brasil, e desagradar cavaleiros baseados na Europa (entre eles, Pessoa, o campeão olímpico), a Confederação Brasileira de Hipismo avisou que só iria ao Pan quem obtivesse um índice mínimo.
O problema é que esse índice, até esta quinta-feira, tem se mostrado exigente demais para a grande maioria dos cavaleiros que disputa a vaga. Como se fosse uma nota de corte para candidatos de vestibular, os cavaleiros podem perder, no máximo, 28 pontos até esta sexta-feira, quando serão disputas duas provas.
Quem conseguir passar por este corte ainda precisa ficar entre os oito primeiros colocados no ranking final da seletiva, que tem ainda um percurso neste domingo. Após a prova de velocidade, disputada nesta quinta-feira, apenas seis conjuntos continuam com chances de classificação.
"O nosso objetivo com esse índice era escolher a melhor equipe possível. E a melhor é a que conseguir se classificar. Quem passar, prova que pode zerar o percurso ou fazer uma falta, que é o que precisamos para chegar à medalha. Em Pan-Americanos, oito pontos (duas faltas) pode significar ficar fora do pódio e, talvez, das Olimpíadas", explica Marcello Artiaga, coordenador de saltos da Confederação Brasileira.
Somente dois deles, porém, podem dizer que têm boas chances de se classificar. A situação mais confortável é de Vítor Alves Teixeira, líder da seletiva. Após seis percursos, ele soma 14,91 pontos perdidos. Nesta sexta-feira, ele passará por mais duas provas e pode cometer, no máximo, três faltas. Se derrubar quatro obstáculos, está eliminado.
O segundo colocado é César Almeida, que tem 19,91 pontos e duas faltas a gastar. Depois dele, a situação se complica. Karina Johannpeter, terceira com 22,21 pontos, e Bartholomeu de Almeida (23,70), podem derrubar apenas um obstáculo. Rodrigo Bass (25,59) e Rodrigo Sarmento (27,91), nenhum.
"Esse assunto (do índice) é até um pouco ruim, já estou um pouco ameaçado de parar de falar. Mas pela minha experiência, não é em causa própria, que eu não concordo com isso. O índice é arriscado quando você não conhece o terreno. Além disso, se o índice só vale para os outros, e não para o Rodrigo e o Bernardo, pra quê o índice? Se ninguém conseguisse, só os dois iriam?", reclama Vítor Alves.
A resposta da Confederação é simples, mas controversa. "Hoje, tanto os cavaleiros que estão no exterior estão reclamando, quanto os que estão no país. Então, se as duas partes estão reclamando, quer dizer que nenhuma parte está sendo beneficiada e que o processo é justo", explica Artiaga.
A polêmica, porém, não deve acabar neste domingo, com o fim de seletiva. Como apenas dois cavaleiros, segundo a opinião de Artiaga, devem passar pela nota de corte, a CBH vai escolher um chefe de equipe para definir o time. O problema é que esse chefe de equipe ainda não está definido.
"A Confederação preferiu esperar para saber o que esse chefe de equipe vai fazer. Se passarem os três cavaleiros nessa seletiva, ele não vai precisar escolher ninguém e terá apenas uma função de motivação. Se tiver de escolher mais gente, precisaremos de um atleta de outras características", avisa Artiaga.