UOL Esporte - Pan 2007
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02/06/2007 - 09h35

Para campeão Meligeni, indefinição sobre o Pan atrapalha tenistas

Claudia Andrade
Em São Paulo

Não saber qual será o critério de convocação nem quando será feita a seleção é o maior problema do tênis brasileiro para o Pan-Americano. A opinião é de Fernando Meligeni, ouro nos Jogos de Santo Domingo-2003.

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Fernando Meligeni (f) aposta na presença de Gustavo Kuerten no Pan-Americano
GUGA CANDIDATO À VAGA NOS JOGOS
"A gente precisa simplificar as coisas. Se são os três primeiros do ranking, então são os três primeiros. O que atrapalha é não saber a data, o critério, o motivo para a convocação desse ou daquele", afirma o tenista, que foi capitão da equipe nacional na Copa Davis.

A indefinição já gerou uma situação incômoda, relacionada ao maior nome do tênis no Brasil, Gustavo Kuerten. Na semana passada, o técnico Francisco Costa teve de dar explicações sobre a notícia de que Guga estaria fora do Pan, por não estar jogando.

Em entrevista ao UOL Esporte, Costa disse que precisaria conversar com o tenista, mas "como um dos principais jogadores, ele tem chances", disse, antecipando que o primeiro do ranking estará entre os três selecionados.

O técnico disse ainda que precisava de "mais três semanas" para divulgar a lista. Segundo a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis, contudo, o anúncio deverá ser feito apenas depois do Grand Slam de Roland Garros, que vai até o próximo dia 10. Até o dia 22 deste mês, o técnico tem de fazer a inscrição nominal dos tenistas que vão disputar o Pan-Americano.

Meligeni aposta na convocação de Guga e acredita que o tenista estará disposto a atuar no Pan. "Tudo indica que devem ser chamados os dois primeiros do ranking e o Guga, mas não dá pra ter certeza, exatamente pela falta de critério. Mas acho que ele vai se colocar à disposição para jogar."

A questão, segundo o ex-tenista, é saber se Guga estará bem fisicamente. "Ritmo de jogo se pega em duas partidas", ressalta, lembrando que, quando foi capitão, chegou a treinar com o catarinense para saber se ele estava em condições de jogar.

Ter nome e um bom histórico não é suficiente para a convocação. "O Guga é um ótimo agregador de grupo, mas no Pan, a presença dele não é importante (neste sentido). O Pan é diferente da Copa Davis, que é um trabalho em equipe. O Pan é individual, é cada um por si", compara.

Em 2003, Meligeni diz que ninguém queria ir ao Pan, tanto que ele pôde escolher seu parceiro de duplas, Márcio Carlsson. A situação agora, é outra. "Eu tenho conversado com os meninos e todos querem disputar o Pan. É impagável jogar um Pan no Brasil. Até por isso, precisaria ter um critério definido, porque quem ficar de fora vai achar ruim", avalia.

A diferença de pontos entre os três brasileiros melhor colocados no ranking de entradas é pequena. Na lista desta semana, Flávio Saretta aparece na 128ª colocação, com 338 pontos, Thiago Alves é o 136º, com 320, e Ricardo Mello o 153º, com 284.

Aposentadoria
Meligeni encerrou sua carreira nas quadras com uma vitória marcante contra o chileno Marcelo Ríos na final do Pan dominicano. Ele não acredita que Guga tentará fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

"Você acha realmente que um cara que está treinando que nem louco há três anos, quer parar?", questiona. "E ele não precisa disso, não precisa de dinheiro, de mais fama. As pessoas vão se dar conta do que ele fez pelo esporte brasileiro quando ele parar, quer ele pare por cima ou por baixo", prevê.

Apesar da polêmica sobre a convocação de Guga, contudo, o ex-tenista lembra que o catarinense ainda é o principal motor do tênis no país. "Quem traz 90% da mídia é ele. É óbvio que é bom ter ele em quadra", conclui.