Tentativas de apagamento, protestos e até roubo da tocha. É contra esse tipo de incidente que a tocha pan-americana estará sob custódia de 50 agentes arregimentados na Força Nacional, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Civil.
A ação, coordenada pela Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), começa nesta terça-feira, quando a chama chega à Costa do Descobrimento (sul da Bahia) para iniciar sua rota por 51 localidades até a cerimônia de abertura no estádio do Maracanã, no dia 13 de julho. O grupo da Senasp trabalhará em conjunto com as polícias de cada localidade.
Tanta proteção tem uma razão. Cada vez mais esse tipo de tocha esportiva tem sido alvo de protestos. O caso mais exemplar aconteceu no ano passado, durante o passeio do fogo para a Olimpíada de Inverno de Turim.
Na cidade de Trento, Eleanora Berlanda (recordista italiana dos 1.500m) teve a tocha roubada por ativistas anti-globalização. "Eu vi os manifestantes e achei que passaria facilmente por eles, mas eles se aproximaram, me empurraram e tomaram a tocha", disse a atleta.
A chama foi logo retomada pelos organizadores, e Eleanora saiu ilesa do incidente. Seja pela visibilidade do evento (a mídia faz extensa cobertura jornalística), seja pela associação das competições com interesses econômicos e políticos, o revezamento da tocha, de evento promotor de torneios, acabou virando um acontecimento delicado.
Por passar por várias mãos (serão 3.000 no Brasil), o revezamento pode ser interrompido a qualquer momento seja por um dos condutores ou por um espectadores.
A tocha para os Jogos de Sydney, em 2000, tiveram o recorde de problemas. Um adolescente tentou apagar a chama com um extintor. Outros dois garotos tentaram roubar a tocha nas imediações da cidade-sede. Para completar, um dos condutores, Ron King (74 anos), morreu de ataque cardíaco após completar os 400 metros carregando a chama.
 Crianças carentes cercam "tocha da fome", promovida por padre de Santo Domingo |
Mas a tocha australiana, que passou por 11.000 mãos, já teve problemas desde o início. Na cerimônia de acendimento, na cidade grega de Olímpia (berço dos Jogos Olímpicos da antiguidade), Kevan Gosper, então vice-presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), mudou o programado e colocou sua filha de 11 anos como a primeira condutora da chama. A imprensa australiana criticou.
Na Olimpíada de Atenas-2004, as autoridades gregas evitaram a polêmica. Tanto é assim que na passagem por Chipre, país vizinho dividido entre populações de origem grega e turca, o roteiro evitou a parte muçulmana para que não houvesse protestos.
Já no Pan-Americano de Santo Domingo, em 2003, o protesto foi pacífico e mais que merecido. O padre Rogelio Cruz criou a "tocha da fome", uma espécie de chaminé sobre rodas, para protestar pelos gastos milionários na construção de ginásios em vez de aplicar em programas sociais.
* Colaborou Claudia Andrade