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14/06/2007 - 15h15

Lula compara Pan a casamento para falar de dificuldades

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou às metáforas para falar sobre o Pan nesta quinta-feira. Na cerimônia de entrega dos veículos que vão ser usados na segurança do evento, ele usou uma comparação inusitada para falar das dificuldades que o Brasil está enfrentando para organizar o Rio 2007.

LULA COMENTA SEGURANÇA
No Pan, muitos estrangeiros vão viajar ao Rio. Se algo acontecer com algum deles, todo esse esforço que estamos fazendo vai para a cucuia.
 
"Quando ganhamos o direito de fazer o Pan, eu achava que era simples, que era só trazer os atletas e colocar para competir. Mas eu comparo o Pan com casamento e namoro. Enquanto você namora e só vê a namorada uma, duas, três vezes por semana, tudo é maravilhoso. Mas, depois que casa, você começa a achar defeitos e vê que o mundo não é assim tão azul", afirmou o presidente.

A frase foi uma reação direta às críticas que os três níveis de governo estão recebendo pelo aumento do orçamento dos Jogos, além dos atrasos das obras. Em valores corrigidos (em conta feita pelo Comitê Organizador dos Jogos), o Rio 2007 estava orçado em R$ 1 bilhão em 2003, no dossiê de candidatura vencedor, e hoje a soma dos gastos é de R$ 3,8 bilhões.

"Estamos investindo mais de R$ 3,5 bilhões no Pan. É muito dinheiro. Mas é um evento internacional que terá mais de 1.500 jornalistas estrangeiros. É uma oportunidade extraordinária não só para ganhar medalhas, mas para mostrar o lado bom que o Brasil e o Rio de Janeiro têm", analisou.

Nesse contexto, o presidente aproveitou para reclamar das críticas que o Pan vêm recebendo. E mais uma vez foi criativo nas comparações. "Tem muita gente aqui dentro falando mal do Pan. Mas, imagina só se minha mulher fica falando mal de mim em casa? Ou se o seu marido fica falando mal da senhora? Não pode".

PAN VIRA LABORATÓRIO
Ricardo Stuchkert/Presidência da República
Lula entra em carro a ser usado no Pan e brinca com governador Sérgio Cabral Filho
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregou nesta quinta-feira 1.000 veículos que serão usados na segurança dos Jogos Pan-Americanos do Rio, que começam no dia 13 de julho. O esquema, que será usado até o fim do Para-Pan, em agosto, é na verdade um laboratório para um novo conceito de segurança nacional.

Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, esse novo conceito envolve uma maior cooperação entre os três níveis de governo para "articular ações sociais do governo com a polícia, para que o cidadão tenha direito de viver com dignidade".
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Lula também voltou a falar sobre a "socialização" dos grandes eventos nacionais, citando o Pan como primeira engrenagem desse processo. "Hoje, as Olimpíadas só acontecem em países ricos. Temos que mostrar que os Jogos podem também acontecer na América Latina. Só queremos a oportunidade de poder ser escolhidos".

A cerimônia, realizada no estacionamento interno do Autódromo de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, aliás, foi marcada por gafes. Governador do Rio, Sérgio Cabral agradeceu a presença de um representante da comunidade da Rocinha e foi vaiado por esquecer de agradecer a outras comunidades. Vários guias cívicos, programa do governo federal em comunidades carentes, foram ao autódromo.

No discurso do presidente, ele esqueceu de citar o nome de Carlos Artur Nuzman, presidente do Comitê Organizador do Pan-Americano, e ainda, ao ler a lista de veículos que estavam sendo entregues, soltou: "Estamos entregando 11 quadriciclos...mas o que é quadriciclo?" Após alguns segundos, foi informado e disse no microfone: "Quadriciclo são motos com quatro rodas", sob gargalhadas da platéia.