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14/06/2007 - 16h41

Pan vira laboratório para novo conceito de segurança nacional

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregou nesta quinta-feira 1.000 veículos que serão usados na segurança dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, que começam no dia 13 de julho. O esquema, que será usado até o fim do Para-Pan, em agosto, é na verdade um laboratório para um novo conceito de segurança nacional.

"PAN É COMO CASAMENTO"
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula entra em um dos carros de segurança do Pan e brinca com governador Cabral
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou às metáforas para falar sobre o Pan nesta quinta-feira. Na cerimônia de entrega dos veículos que vão ser usados na segurança do evento, ele usou uma comparação inusitada para falar das dificuldades que o Brasil está enfrentando para organizar o Rio 2007.

"Quando ganhamos o direito de fazer o Pan, eu achava que era simples, que era só trazer os atletas e colocar para competir. Mas eu comparo o Pan com casamento e namoro. Enquanto você namora e só vê a namorada uma, duas, três vezes por semana, tudo é maravilhoso. Mas, depois que casa, você começa a achar defeitos e vê que o mundo não é assim tão azul", afirmou o presidente.
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Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, esse novo conceito envolve uma maior cooperação entre os três níveis de governo para "articular ações sociais do governo com a polícia, para que o cidadão tenha direito de viver com dignidade".

Coordenador do esquema de segurança do Pan, Luiz Fernando Corrêa, secretário nacional de segurança pública, vai além. "Estamos introduzindo no país, durante o Pan, conceitos de segurança que dão certo em outros países. É um trabalho progressivo de segurança pública com cidadania", afirma o secretário.

Nesse cenário, a mais divulgada ação da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) é o projeto de Guias Cívicos, que capacitou jovens de comunidades carentes para trabalhar no Pan-Americano. A ação, porém, já teve seu primeiro tropeço, quando aconteceram, durante a formatura dos jovens, enfrentamentos entre guias que moram em comunidades dominadas por facções rivais do crime organizado.

Lula fez questão de elogiar o conceito que está sendo testado no Rio. "Cuidar do Pan é cuidar de segurança pública. No Brasil, quando a polícia prendia um bandido, o governador corria para fazer a foto da prisão. Quando não prendia, reclamava que o governo federal não ajudava. O que queremos é usar o Pan para tentar criar um sistema de segurança que possa funcionar melhor. E tirar daqui a experiência e levar para outros estados", disse o presidente.

Na cerimônia, foram entregues 1.000 dos 1.768 veículos que serão usados durante o Pan. Essa soma engloba 1.163 carros e utilitários, 357 motos, 98 ônibus e microônibus, 53 furgões adaptados em carros de bombeiro ou carros-blindados, 40 ambulâncias, 19 postos móveis de polícia, 17 veículos especiais adaptados e 11 quadriciclos.

No total, o investimento em segurança pública feito no Rio de Janeiro é de R$ 562 milhões. O valor, que veio de verbas do ministério da Justiça, é o maior montante investido na segurança de um único estado. Após o Pan, cerca de 75% dos equipamentos comprados com essa verba vão ficar no Rio.

Após entrar em uma das viaturas e andar menos de dois metros, o presidente Lula aproveitou para fazer uma brincadeira: "Aquele carro ali tem até computador. O nosso secretário de segurança vai ter dificuldade, porque é preciso tomar cuidado. Se o policial gostar de fazer joguinho em computador, é capaz de o bandido estar roubando na frente dele e ele estar ali disputando o joguinho. Então, vai ter que ter um computador para controlar o computador do policial, para ele não ficar dormindo no ponto".