UOL Esporte - Pan 2007
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18/06/2007 - 09h36

Baía de Guanabara envergonha equipe brasileira no Pan

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

A baía de Guanabara, onde serão disputadas as provas de vela do Pan-Americano, é motivo de vergonha dentro da equipe brasileira. Sem o projeto de despoluição da área, prometido quando o Rio ganhou o direito de organizar o Pan, a água está cheia de lixo.

Divulgação
Para Adriana Kostiw, brasileiros já estão treinados para se livrar da sujeira na baía
VELA TEM MARATONA DE REGATAS
"Eu vou ter vergonha de olhar para os estrangeiros que vierem velejar aqui. Aquilo lá é um nojo. É só lixo. No Pré-Pan (evento classificatório, disputado em fevereiro), vimos até um cavalo morto boiando. Brincamos que era o Baloubet (cavalo do campeão olímpico Rodrigo Pessoa)", relata Alexandre Saldanha, da tripulação brasileira de J-24.

O problema da baía é que as dezenas de municípios em seu entorno despejam esgotos em suas águas. Além disso, existem dezenas de lixões nas margens. Em dias de vento, sacos de lixo são jogados na água e chegam à área de regata.

"O lixo é um problema que não podemos deixar de notar. Já sabemos até mesmo onde costumam se acumular os sacos de lixo. Quando a maré está enchendo, evitamos certas áreas da raia, para não pegar lixo", conta Pedro Tinoco, velejador carioca, parceiro de Alexandre Paradeda na classe Snipe.

O tricampeão pan-americano Robert Scheidt, da classe Laser, se une aos colegas para apontar o problema. "O lixo é o pior problema. Nós precisamos olhar constantemente para ver se não tem nada preso na quilha. Isso é preocupante", ressalta.

Em março deste ano, o velejador Maurício Santa Cruz, que também estará na disputa do Pan na classe J-24, liderou um mutirão de limpeza que retirou centenas de quilos de lixo da baía. Segundo ele, a idéia era alertar as autoridades sobre o problema ambiental e para a disputa do Pan-Americano.

Apesar da vergonha, contudo, os brasileiros sabem que esses problemas da Guanabara podem virar vantagem. Afinal, os velejadores locais já estão acostumados a observar, além dos elementos naturais, os obstáculos.

"É horrível a quantidade de lixo, com certeza vai causar uma impressão péssima nos velejadores estrangeiros. Eu não vou para a água sem uma varinha para desenroscar o lixo que pode prender na bolina. Além disso, minha velejada é prestando atenção no vento, corrente, e no lixo também. Quem não estiver de olho, corre o risco de ficar para trás", avisa Adriana Kostiw, da classe Laser Radial.