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18/06/2007 - 09h32

Vela brasileira entra nos dois meses mais importantes do ano

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

Nos próximos dois meses, os velejadores brasileiros vão enfrentar uma montanha-russa de emoções e desafios. No caminho, a chance de manter vivo o sonho olímpico, a disputa de medalhas no Pan-Americano do Rio e um teste nas águas que irão receber, em 2008, as Olimpíadas de Pequim.

Divulgação
Calendário obrigou velejadores como Santa Cruz (f) a escolher entre Pan e Olimpíada
LIXO DA GUANABARA ENVERGONHA
Tudo isso está restrito às três mais importantes competições do calendário da vela verde-amarela no ano, amontoadas nos próximos dois meses. A partir do dia 28, em Cascais, em Portugal, a equipe olímpica permanente disputa o Mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela).

A competição distribui 75% das vagas não-nominais para as Olimpíadas. Isso significa que os brasileiros que quiserem brilhar em Pequim-2008 precisam, primeiro, chegar entre os dez ou 15 primeiros, dependendo da classe, em Cascais para manter vivas a chance de ir para as Olimpíadas.

A competição em Portugal termina no dia 13 de julho, dia da abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Sorte dos velejadores brasileiros que as regatas do Rio 2007 só serão disputadas uma semana mais tarde, a partir do dia 22.

A maratona, porém, não acaba por aí. No dia 9 de agosto começa a Semana Pré-Olímpica de Qingdao, na China, sede das provas de vela das Olimpíadas de Pequim. O local é uma novidade para a maioria dos velejadores e os eventos-teste estão sendo encarados como chances vitais de treinamento para quem quer velejar bem nos Jogos.

Entre os 15 velejadores brasileiros que vão competir em Cascais e na China, cinco também fazem parte do time que vai ao Pan. Ricardo Winicki, o Bimba, e Patrícia Castro, na RS:X (prancha à vela) masculina e feminina, respectivamente, e Adriana Kostiw, na Laser Radial, têm uma vantagem: competem com o mesmo barco nas três competições.

"É uma seqüência muito puxada que vai exigir muito do físico. Não apenas porque são três competições em locais distantes um do outro e em um período de tempo curto. Mas porque as condições de vento de cada lugar é muito diferente. Em Portugal, vamos ter vento forte. No Rio e na China, ventos mais fracos. É preciso fazer uma adaptação de postura para cada um", explica Bimba, quarto colocado nas Olimpíadas de Atenas.

MARATONA DA VELA
Mundial (Portugal): 28 de junho a 13 de julho
Pan (Brasil): 22 a 28 de julho
Pré-Olímpica (China): 9 a 24 de agosto
Os outros dois "maratonistas" terão ainda mais trabalho. Alexandre Paradeda veleja em Cascais e em Qingdao na 470, ao lado de seu irmão Roberto, e no Rio na Snipe, com Pedro Tinoco. Já Robert Scheidt, bicampeão olímpico e oito vezes campeão mundial, disputa o Mundial e a Pré-Olímpica na classe Star, um barco grande e velejado em dupla, e o Pan na Laser, barco pequeno individual.

"É um desgaste grande que poderia ser evitado se o Pan-Americano tivesse adotado as mesmas classes que a Olimpíada. Ao invés disso, colocaram no programa um barco como o Sunfish, que só existe no Caribe", reclama Scheidt.

Essa diferença acabou fazendo com alguns velejadores tivessem de escolher entre o Pan e a Olimpíada. Esse é o caso de André Fonseca, o Bochecha, da equipe olímpica brasileira na classe 49er, ao lado de Rodrigo Linck.

"É difícil se dedicar a três classes ao mesmo tempo. Eu já velejo de Oceano e de 49er, que é classe olímpica. Gostaria de tentar uma medalha em Pan-Americano, mas meu sonho é uma medalha olímpica. O 49er é um barco muito técnico, que exige muito treino, e eu não teria tempo para entrar, também, em uma campanha pan-americana", afirma o velejador.

Quem fez a decisão inversa foi Maurício Santa Cruz. Há quatro anos, ele foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo no comando do barco brasileiro da classe J-24 e, um ano depois, foi aos Jogos Olímpicos de Atenas na Tornado. Dessa vez, não vai dobrar o turno.

"Fui para Atenas sem estar bem preparado e não quero voltar a fazer isso. Há quatro anos, fiz minha opção pela J-24, em um projeto longo, para chegar ao Rio de Janeiro para ganhar o ouro. Por isso, não penso em Olimpíada em Pequim", fala Santa Cruz, campeão mundial de J-24 no ano passado.