UOL Esporte - Pan 2007
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19/06/2007 - 08h56

Jogo na Suécia faz Marta perder estréia do futebol no Pan

Renan Prates
Em São Paulo

Eleita melhor do mundo em 2006, a meia-atacante Marta é o ícone da nova geração do futebol feminino brasileiro. Aos 21 anos, com uma prata na Olimpíada de Atenas e um ouro no Pan de Santo Domingo na bagagem, a jogadora comandará a seleção feminina no Pan-Americano do Rio.

Folha Imagem/Arquivo
Marta beija o troféu de melhor jogadora do mundo em 2006 na chegada ao Brasil
QUEM SERÁ O DESTAQUE DO PAN?
Porém, Marta afirmou que disputará o Pan somente a partir da segunda rodada. "Meu time [Umea, da Suécia] joga até o dia 11. Portanto, só poderei chegar no Brasil no dia 13, véspera da segunda partida".

O Brasil estréia no Pan no dia 12, contra o Uruguai. Dia 14, jogará contra a Jamaica. No dia 18, as comandadas do técnico Jorge Barcelos enfrentam o Equador, fechando as partidas da primeira fase contra o Canadá no dia 20.

Marta se transferiu para o Umea em 2003. Nas três primeiras temporadas, a jogadora marcou 63 gols. Nesta temporada, Marta é a artilheira da equipe no Campeonato Sueco com 14 gols em 11 jogos. O Umea é o líder da competição com 30 pontos, quatro a frente do segundo colocado.

Seu sucesso é reconhecido financeiramente: segundo o site womensworldfootball.com, a jogadora é a segunda mais bem paga do mundo, ganhando US$ 55 mil entre salários e patrocínio. Sua vida foi contada em um documentário sueco, chamado "Marta - A Prima de Pelé".

Durante a entrevista, Marta falou sobre a atual situação do futebol brasileiro, além de se comparar a Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo e dizer que, além dos dois, admira muito o meia Rivaldo. Confira abaixo a entrevista.

UOL Esporte: O Brasil conquistou posição de destaque no cenário mundial, e mesmo assim a situação do futebol feminino pouco mudou. Você foi eleita a melhor do mundo, e pouco mudou. Por que esse descaso da CBF?

Marta: Não vejo isso como um descaso. A CBF mantém a seleção. Caso contrário, nem isso existia. Penso que não pode partir somente da CBF a vontade de fazer algo pelo futebol feminino. Se as empresas privadas e o próprio governo, em conjunto com os clubes e a CBF, conseguissem se unir e discutir a melhor opção para fazer algo pelo futebol feminino no Brasil seria uma ótima idéia.

UOL Esporte: E você acha que isso está longe de acontecer? Vê vontade destas partes para que isso aconteça?

Marta: Ouço apenas comentários. Penso que se tivermos uma boa atuação no Pan e conseqüentemente no Mundial, talvez aconteça algo.

UOL Esporte: Você que já enfrentou atletas de vários países, por que conseguimos ter posição de destaque mesmo com todos os problemas enfrentados aqui no país? Também somos o 'país do futebol das mulheres'?

Marta: Temos chance de ser o 'país do futebol das mulheres', mas infelizmente ainda não somos. Porém, a seleção vem buscando resultados. Acredito que temos tudo para evoluir.

UOL Esporte: Vocês também são dependentes das atletas estrangeiras que nem o masculino é? E das veteranas?

Marta: A seleção tem um grupo hoje com muitas meninas novas, mas é claro que as mais velhas são importantes, ainda mais se estiverem bem fisicamente. Infelizmente não temos tantas meninas jogando fora como no futebol masculino.

UOL Esporte: Como é treinar na seleção brasileira? É a mesma estrutura do seu time na Suécia? É a mesma da seleção principal masculina?

Marta: Como já disse, a CBF nos dá tudo que precisamos. Aqui no meu clube a estrutura é muito boa também. Porém, seleção é seleção, não dá para comparar. Quanto a masculina, não tenho como falar se eles têm uma estrutura melhor que a nossa ou não, mas te garanto que não sinto falta de nada quando estou na seleção. Somos tratadas muito bem lá.

UOL Esporte: Você ficou de fora de duas das três primeiras convocações para o Pan. Tem conversado com a comissão técnica da seleção? Acha que terá problema em conseguir liberação da Suécia?

Marta: Pois é, infelizmente não pude estar com o grupo ainda por estar em atividade com o meu clube aqui, mas tenho falado com o treinador, e creio que não haverá problemas em relação a isso.

UOL Esporte: Pretende se juntar quando ao grupo?

Marta: Devo me juntar apenas no segundo jogo (dia 14, contra a Jamaica), pois meu último jogo aqui é no dia 11.

UOL Esporte: Quer muito disputar o Pan? Qual é a importância do Pan para a sua carreira?

Marta: Lógico que quero, é sempre bom estar na seleção, ainda mais disputando uma competição de nível como o Pan. E por ser em nosso país, dá um gostinho a mais de disputar. Além disso, será a minha volta a seleção principal depois das Olimpíadas.

UOL Esporte: Você se considera a melhor do mundo? Você tem algum ídolo no futebol?

Marta: Poxa, eu sou uma pessoa que não tem o costume de fazer elogios a mim mesma, gosto de ouvir isso das pessoas. Para mim, isso é mais interessante. Trabalho para melhorar meu futebol cada vez mais. Quanto a ídolos, não sou fissurada em ninguém. Mas confesso que gostava de ver o Rivaldo jogando. Admiro muito o Gaúcho e o Fenômeno. O Brasil é um país recheado de bons jogadores. Sempre acabam surgindo vários talentos.

UOL Esporte: Se fosse se comparar com alguém do futebol masculino, quem você escolheria? Já chegou a ser convidada para atuar em alguma equipe do futebol masculino?

Marta: Algumas vezes me vejo como o Gaúcho, mas tenho meus momentos de Fenômeno (risos). Ouvi comentários sobre o convite de uma equipe italiana, mas nunca me passou pela cabeça jogar profissionalmente no masculino. Acredito que é cada um no seu lado.