UOL Esporte - Pan 2007
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22/06/2007 - 09h09

Juliana e Larissa colocam favoritismo à prova no Pan do Rio

Lello Lopes
Em São Paulo

Atuais bicampeãs mundiais e brasileiras, Juliana e Larissa entram no Pan como favoritas absolutas à medalha de ouro. E se confirmarem o favoritismo, a dupla vai igualar um feito conseguido por outra parceria de sucesso. Até hoje, apenas Adriana Behar e Shelda conquistaram o título dos Jogos Pan-Americanos para o Brasil.

Mauricio Kaye/Divulgação
Larissa (esq) e Juliana venceram as duas últimas edições do Circuito Mundial
Formada em 2004, a dupla Juliana e Larissa precisou de pouco tempo para se consolidar como a melhor parceria do país, acabando com a hegemonia de Adriana Behar e Shelda, hexacampeãs mundiais.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, a dupla, que disputa a etapa de Paris do Circuito Mundial, afirma que está pronta para "fazer a própria história" e se colocar definitivamente na lista das principais parcerias do vôlei de praia.

O Pan-Americano do Rio de Janeiro é encarado como prioridade para Juliana e Larissa, que vão encarar uma verdadeira maratona para disputar a competição.

Larissa já disputou um Pan. Ela foi medalha de bronze em Santo Domingo, quatro anos atrás, atuando ao lado de Ana Richa. Já Juliana vive a ansiedade de jogar o torneio pela primeira vez.

Confira a entrevista:

UOL Esporte: O Pan começa logo após uma etapa de Grand Slam do Circuito Mundial e acaba um pouco antes do Campeonato Mundial. Como vocês vão fazer para ajustar o calendário, já que estes torneios na Europa contam pontos importantes no ranking para a Olimpíada? O desempenho pode ser prejudicado?

Larissa: Temos uma programação que foi feita por nossa comissão técnica desde o início da temporada exatamente para que nada prejudique nosso rendimento. Tanto que não participamos da primeira etapa do Mundial, na China, para treinar um pouco mais no nosso centro de treinamento, em Fortaleza, e melhorar o condicionamento físico para a temporada, que será desgastante. Sentimos até um pouco de falta de ritmo de jogo nas duas primeiras etapas, mas já estamos entrando no nosso ponto ideal. O nosso técnico Reis Castro e nosso preparador físico Francisco Oliveira já fizeram todo planejamento e teremos três Grand Slam e uma etapa antes do Pan. Devemos chegar ao Brasil para disputar os Jogos Pan-Americanos praticamente na véspera da competição e vamos viajar logo em seguida para a Copa do Mundo.

Juliana: Não podemos abrir mão dessas etapas que antecedem ao Pan porque estamos em busca também de uma das vagas para as Olimpíadas e temos que somar o máximo de pontos que pudermos. O Grand Slam que estamos disputando na França, por exemplo, vale mais pontos do que os torneios Open. Estamos competindo direto e isso será importante porque estaremos num ótimo ritmo de jogo nos Jogos Pan-Americanos.

UOL Esporte: Atualmente, a dupla que mais se aproxima de vocês no ranking é Renata/Talita, que também nunca foi a uma Olimpíada. Como está sendo disputa pelas vagas nos Jogos Olímpicos?

Juliana: A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) nos informou no início do ano que o critério de classificação para as Olimpíadas, em Pequim, será a soma dos oito melhores resultados em 25 etapas que estarão sendo disputadas de maio deste ano e até julho do ano que vem. A briga pela vaga entre as duplas brasileiras é sempre muito acirrada. É só conferir quantas duplas brasileiras participam do Circuito Mundial e obtêm bons resultados. Então, não há como prever quais serão as duplas classificadas. Temos grandes adversárias pela frente, mas estamos prontas para mais esse desafio. É mais um sonho que queremos realizar.

Larissa: A disputa será muito grande. Ainda teremos muita estrada pela frente e acredito que as duas vagas só serão decididas nas vésperas das Olimpíadas. A evolução do vôlei de praia do Brasil tem sido constante e eu e Juliana teremos que trabalhar muito para alcançar esse objetivo.

Photocamera/Divulgação
Dupla brasileira visitou a da Vila do Pan
no Rio em uma das fases de construção
UOL Esporte: O começo da temporada de 2007 foi um pouco mais difícil do que em 2006. Quais foram as principais dificuldades encontradas no começo desta temporada?

Juliana: No início de temporada, uma dupla, que esteve de férias, não estará em seu ritmo de jogo ideal. Nosso técnico, Reis Castro, e nosso preparador físico, Francisco Oliveira, fizeram nosso planejamento, optando por deixar a primeira etapa de lado, para ganhar uma base física melhor nos treinos em nosso centro de treinamento particular, em Fortaleza. Já as outras duplas tinham adquirido mais ritmo do que nós. Mas temos fortes adversárias a serem vencidas no Circuito Mundial.

Larissa: No ano passado, também precisamos de um tempo para entrar no ritmo. Isso é mais do que normal. Além disso, como conseguimos vencer o Circuito Mundial no ano passado estamos cada vez mais visadas pelas adversárias. Com isso, as duplas endurecem os jogos quando nos enfrentam e isso dificulta muito nossa vida. Temos que nos superar todo o tempo.

UOL Esporte: Além das duplas brasileiras, as suas principais rivais no Circuito são as americanas May/Walsh. Como elas não vão ao Pan, quais serão as grandes adversárias no Rio de Janeiro?

Juliana: Conversei com Walsh em Paris, mas não cheguei a perguntar sobre o Pan. Mas acredito que elas não irão para o Rio. Isso não significa, no entanto, que a outra dupla americana que participará do Pan não é forte. As grandes adversárias do Brasil serão as duplas do EUA, Cuba e Canadá.

Larissa: As americanas impõem um ritmo bem forte de jogo e são sempre adversárias complicadas. As cubanas são bem experientes e isso pode contar muito. O treinador delas, inclusive, está filmando nossos jogos em Paris. As canadenses estão evoluindo a cada temporada e passando de fases no Circuito Mundial. Não será fácil, mas queremos muito essa medalha de ouro.

(Nota da Redação: no começo do ano, Walsh e May, atuais campeãs olímpicas, informaram que não vão disputar o Pan. Os Estados Unidos ainda não escolheram a dupla que estará na competição.)

UOL Esporte: Vocês agora treinam no próprio centro de treinamentos, construído em Fortaleza. Qual é a grande vantagem de treinar lá?

Larissa: A grande vantagem é trabalhar com concentração e com uma infra-estrutura totalmente profissional. O Centro de Treinamento Juliana e Larissa foi um sonho que realizamos. Nossos treinamentos eram realizados na praia da Volta da Jurema e, como conquistamos títulos, as pessoas queriam nos ver e acompanhar nossos treinos. Adoramos o carinho dos fãs, mas precisávamos de concentração e esse projeto ficou perfeito. Não conhecemos nenhuma outra dupla de vôlei de praia que tenha feito um centro de treinamento no Brasil.

Juliana: Nosso rendimento vai melhorar cada vez mais, pois podemos treinar em tempo integral e trabalhar focadas. O CT ficou lindo e isso mostra que o vôlei de praia está cada vez mais profissional. Nosso técnico, nosso preparador e nosso patrocinador nos ajudaram a colocar tudo em prática. Construímos uma quadra de areia com medidas de final olímpica e um complexo com piscina, salas de reuniões e de imprensa, massagem e fisioterapia e vestiários para todas as nossas necessidades.

UOL Esporte: Vocês são bicampeãs brasileiras e bicampeãs mundiais. Já existe um reconhecimento do público brasileiro, ou o Pan pode ajudar a 'popularizar' a dupla Juliana e Larissa?

Larissa: Já recebemos muito carinho de torcedores no Brasil e até quando estamos disputando o Circuito Mundial. Isso nos motiva muito. Jogar o Pan com o apoio de toda torcida brasileira será uma sensação indescritível.

Juliana: Estamos muito ansiosas para jogar diante da torcida brasileira. Já disputamos etapas do Circuito Mundial no Brasil, mas, certamente, o Pan será muito mais emocionante.


UOL Esporte: A Larissa já disputou um Pan. Qual foi a experiência adquirida em Santo Domingo? E em que aquela competição se compara ao Rio de Janeiro?

Larissa: Agora é tudo bem diferente. Em 2003, eu era mais nova e inexperiente, estava começando a disputar competições fora do país e era muito ansiosa. Lembro que Ana Richa me falava da importância de deixar a ansiedade de lado. Visitei a Vila do Pan, no Rio, e vi que a estrutura agora é bem maior do que a de Santo Domingo, por exemplo. Cada competição tem adversários diferentes, quadras diferentes e não há comparações.

UOL Esporte: Vocês podem atingir uma hegemonia igual à conquistada por Adriana Behar/Shelda tanto no Circuito Brasileiro quanto no Circuito Mundial?

Juliana: Adriana Behar e Shelda fizeram sua história no Brasil e pelo mundo. Admiramos muito tudo o que fizeram, mas queremos construir a nossa própria história. Vamos trabalhar duro para atingir nossos objetivos e realizar nossos sonhos.

Larissa: Concordo com Juliana. Somos jovens, ainda temos muito a aprender e muitos obstáculos a ultrapassar. Queremos seguir a nossa trajetória e jogar por muito tempo.