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Novatos ditam o rumo do Brasil no Dakar-2006
A equipe brasileira que disputa a 28ª edição do Rali Dakar tem o seu destino nas mãos de dois novatos, e ao mesmo tempo ela nunca esteve em melhores condições técnicas e humanas de lutar por uma vitória na classificação geral da prova off road mais difícil do mundo
Bianca Alves Costa Em São Paulo

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| Bianca A. Costa/UOL Esporte |
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Equipe em sua melhor forma

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A equipe Petrobras Lubrax, representante brasileira no Rali Dakar, nunca esteve tão perto e tão longe de uma vitória no evento off road mais difícil do mundo. Afinal, ela parte para o deserto africano com dois navegadores novatos justamente no ano em que tal função será crucial.
Se terá a favor de si estrutura e aparato tecnológico inéditos, a equipe irá encarar o desafio da proibição do uso do GPS. Sem o recurso, a bússola será um instrumento fundamental na briga pela ponta. Mais importante ainda é o uso que o navegador fará dela, o que torna sua função tão importante quanto a do piloto. "O papel do navegador será resgatado", conta André Azevedo, piloto do caminhão.
Para ajudá-lo a encontrar (literalmente) o caminho no meio do deserto da Mauritânia, Mali, Guiné e Senegal, estará também no caminhão Maykel Vilarta. Navegador de primeira viagem no Dakar, o paulista diz não ter idéia do que encontrará pela frente.
"Estou esperando uma dificuldade muito grande. Nunca competi em dunas, e durante nosso treinamento percebi o tamanho da dificuldade. Não tenho muita idéia do que vamos encontrar, mas tenho conversado bastante com o André, que está me dando várias dicas", contou.
Todos os membros da equipe participaram, na semana passada, de treinos nas dunas de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Durante os dias que permaneceram ali, testaram o equipamento, acertos e navegação com os novos co-pilotos. Entre os presentes estavam também Klever Kolberg, que parte para sua 19ª participação no Rali Dakar, e Eduardo Bampi, seu novo navegador.
"Quando o Lourival (Roldan, seu ex-navegador) foi pela primeira vez, não teve muitas dificuldades, então acho que o Bampi também não terá. Ele está treinando muito, treino técnico mesmo, para se acostumar com a bússola", conta o piloto. "Como não usaremos o GPS, muitos velhos navegadores do Dakar terão dificuldades, pois têm vícios. Portanto, os novos terão essa vantagem."
Bianca A. Costa/UOL Jean, na moto, e André, no caminhão, são os que mais têm chances de bons resultados O próprio navegador não parece se assustar. "A experiência do Dakar, até o momento, está sendo ótima. Estarei andando ao lado do Klever, que tem muito para me passar. Estou fazendo uma preparação física muito grande e estudando o regulamento, que tem que estar na ponta da língua", conta.
Apesar de demonstrarem tranqüilidade com a presença de novos navegadores, André e Klever têm estratégias já desenhadas na cabeça. Além dos treinamentos realizados pela equipe, a análise do percurso trouxe uma preocupação a menos. "Como nos primeiros dias de prova na Europa a bússola não será necessária, os novatos poderão deixar o nervosismo de estréia para trás", disse Klever.
O membro da equipe que mais tem chances, no entanto, não terá um navegador para auxiliá-lo (ou atrapalhá-lo). Jean Azevedo, com sua moto KTM, foi classificado pelos organizadores da prova como um dos oito pilotos que mais têm chances de vencer.
| EQUIPES DE FÁBRICA | | Os pilotos que estão em uma equipe de fábrica recebem a melhor técnologia e apoio durante a prova. As montadoras, como KTM, Tatra e Mitsubishi disponibilizam seus melhores equipamentos exclusivamente para seus escolhidos, além de caminhões e pessoal de apoio | Mas, independente da confiança nos novatos, o time leva para a 28ª edição do Rali Dakar a melhor tecnologia já usada por ele na prova. Com moto, caminhão e carro muito parecidos com aqueles utilizados pelas equipes de fábrica, os pilotos dizem acreditar que 2006 apresenta o melhor panorama para a conquista da primeira vitória brasileira.
"Além da experiência acumulada em quase duas décadas de Dakar, os veículos e a estrutura de apoio são os melhores desde o início da caminhada da equipe na prova", analisa Kolberg.
André terá nas mãos um caminhão Tatra 400 quilos mais leve que aquele utilizado na edição 2005 do Rali Dakar, pesando agora 10,1 toneladas. Os engenheiros também recuaram a cabine e o motor, deixando a suspensão dianteira menos suscetível aos trancos do piso do deserto.
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O objetivo de Kolberg, na categoria carros, é mais modesto: ficar entre os 10 primeiros colocados

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"Nessa edição, o rali vai mais para o Sul do continente, o que na minha opinião é favorável, pois encontraremos menos dunas pela frente. No ano passado, nosso eixo dianteiro quebrou e é impossível andar de 4 x 2 naquele terreno", contou André.
Sem tanta expectativa quanto André com seu caminhão, Klever diz que seu objetivo é ficar entre os dez primeiros. "Na categoria carros, podemos dizer que nossos principais adversários totalizam 28. Meu carro chega até uns 180 km/h, já os dos pilotos de fábrica alcançam os 210 km/h", diz, justificando o objetivo mais modesto.
Segundo Klever, quando se atinge um determinado nível tecnológico, é muito difícil manter-se na elite. "Temos evoluído todos os anos. Por enquanto queremos perseguir a vitória, mas seria um blefe tremendo dizer que vamos vencer. Essa é a prova mais difícil do mundo, e, quanto mais na frente, mais difícil é."
A próxima edição do rali tem largada programada para Lisboa, em Portugal. Mais que uma mudança importante para o percurso do evento, a novidade é uma manobra promocional. A largada acontece no dia 31 de dezembro, mas só no dia seguinte a caravana de 748 veículos e duas mil pessoas atravessa o Mar Mediterrâneo e desembarca no Marrocos. Serão 9.043 quilômetros a serem percorridos durante 16 dias de provas.
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Publicado em 29 de dezembro de 2005
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