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Jean Azevedo: favoritismo em duas rodas

Jean Azevedo parte pela primeira vez para o Rali Dacar como um dos oito favoritos na briga pela vitória. Com um quinto e um sétimo lugares como melhores resultados, ele contará com uma moto semelhante às melhores da competição, e com a melhor estrutura da história da equipe brasileira

Bianca Alves Costa
Em São Paulo



Bianca A. Costa/UOL Esporte
Moto é a melhor que Jean já teve



Bem treinado, experiente e com equipamento de ponta, Jean Azevedo está cotado entre os oito favoritos para a conquista do Rali Dacar 2006, 28ª edição da prova off road mais difícil do mundo.

O piloto brasileiro, que faz parte da equipe Petrobras Lubrax, apareceu na lista dos principais candidatos à ponta divulgada pelos organizadores do Dacar e é citado por seus companheiros de equipe como o brasileiro que mais tem chances de voltar com a primeira vitória do país no evento.

"Fico contente com a lembrança e vou usar a escolha como estímulo para acelerar", avisa. Na edição 2005 do Rali Dacar Jean se tornou o primeiro brasileiro a vencer uma etapa entre as motos.

Bianca
Apesar da moto boa, Jean não poderá contar com apoio da equipe de fábrica

Entre os motivos que o colocam entre os favoritos está seu equipamento. A moto que Jean usará no Dacar de 2006 nunca foi tão parecida com as das equipes de fábrica - as motos mais bem equipadas da competição.

A força de Jean, entretanto, não se concentra apenas na tecnologia. Durante toda a temporada de 2005 ele colocou em prática um treinamento físico e técnico específico para a principal prova do calendário.

Além de uma rigorosa preparação física, Jean conta que passou uma semana no deserto do Atacama, no Chile, se aclimatando com o solo que encontrará pela frente a partir do próximo dia 31.

"Foi uma espécie de mini Dacar. Percorremos 2.500 quilômetros e dormimos em um acampamento no meio do deserto", explicou. O brasileiro teve a companhia do campeão mundial na categoria 400 cc, o chileno Carlo de Gavardo. Na última semana, Jean também treinou nas dunas de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, acompanhando do restante da equipe.

Modificações

A organização do Dacar estipulou algumas alterações no regulamento para a edição de 2006 visando maior segurança para os pilotos, especialmente das motos. Em 2005, dois competidores morreram durante o evento nessa categoria.
Bianca
Treinos no deserto do Atacama e nas dunas de Cabo Frio auxiliam na preparação

E é em uma dessas modificações que Jean vê mais uma vantagem sobre os adversários: a limitação da velocidade. Durante o rali, os pilotos não poderão ultrapassar os 160 km/h, com risco de serem penalizados.

No Rali dos Sertões desse ano, vencido por Jean, os pilotos também estavam limitados à mesma velocidade, e essa experiência deve contar a seu favor. Apesar disso, ele diz preferir uma prova com velocidade livre.

"Na última vez as motos monocilíndricas estavam alcançando a velocidade das bicilíndricas, o que torna a prova mais perigosa. Apesar disso, ser obrigado a controlar a velocidade além de navegar e pilotar pode tirar a nossa atenção, aumentando o risco", reflete.

Outra novidade na categoria é a diminuição da capacidade do tanque de combustível, dando autonomia de 250 quilômetros para cada moto, e diminuindo seu peso em 25 kg. "Agora teremos que fazer mais paradas de reabastecimento. Teremos 15 minutos para sair da moto, descansar, tomar água e comer alguma coisa", explica Jean que terá o número sete em sua moto.

Entre seus principais adversário para este ano estão o francês Cyril Despres e os espanhóis Marc Coma e Esteve Pujol. Os melhores resultados de Jean no Dacar foram um quinto (2003) e um sétimo (2005) lugares na classificação geral.


Publicado em 29 de dezembro de 2005





Ser obrigado a controlar a velocidade além de navegar e pilotar pode tirar a nossa atenção, aumentando o risco
Jean Azevedo




Limitador
A moto de Jean terá uma luz no painel que se acenderá todas as vezes em que ele se aproximar do limite de velocidade.



13

é o número de seus principais adversários