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Claque, champanhe e gritos marcam volta de campeões
Na chegada ao Brasil após o terceiro título da Liga Mundial, seleção masculina de vôlei encontra no aeroporto torcida com teens uniformizados, gritos ensaiados e beijos televisivos das mulheres e namoradas
Por Rodrigo Bertolotto Em São Paulo
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| Folha Imagem |
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Claque: marketing e coro ensaiado

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Uma claque do Banco do Brasil, garrafas de champanhe, teens supermaquiadas e muita correria. A chegada da seleção masculina, após o tricampeonato na Liga Mundial, levou todo o universo do vôlei para a área de desembarque do aeroporto de Cumbica.
No meio do burburinho, mulheres e namoradas dos jogadores apressavam seus amados pelo celular. A namorada do novato André Heller avisava: "Sai logo, amor. Tem muita gente aqui fora esperando, bebê". Já a mulher de Giovane tentava combinar via telefone um beijo de boas-vindas exclusivo para um canal de TV. No meio-tempo, combinava com a mulher de Maurício as atrações turísticas que iriam visitar em Santo Domingo, sede dos Jogos Pan-Americanos a partir de 1º de agosto, enquanto o maridão estiver em quadra.
O atraso no desembarque provocou outros fenômenos. Como a volta à mídia dos aposentados Carlão e Pampa, veteranos do ouro olímpico de 1992. No mais puro estilo "arroz de festa", distraem câmeras de TV aflitas com a demora. "A festa é deles", diz Carlão enquanto aproveita um pouco os flashes e desfila com um boné do patrocinador.
Os 50 garotos do suburbano bairro de Campo Limpo, envergando camisetas do banco estatal, se cansam de gritar "tricampeão" e "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". Um deles ainda tenta animar: "Douglas, agita aí". O referido Douglas, por seu lado, pergunta, resmungando: "Ô, tia, vai demorar muito?".
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Bernardinho: troféu e cobrança

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Eles só se entusiasmam quando começa a distribuição de camisetas da seleção campeã. A cena lembra as imagens recentes de iraquianos ou afegãos em época de guerra lutando por um pouco de comida diante de caminhões. Adultos e crianças se acotovelam atrás de uma camiseta. Os mais fortes levam vantagem no empurra-empurra e tomam o presentinho dos menores, que tentam ainda um expediente, gritando "olha a seleção" para distrair os maiores.
A aglomeração tem alguns curiosos esperando sua conexão aérea, faxineiros e carregadores fazendo uma pausa no serviço e, claro, as tradicionais adolescentes e seus gritinhos estridentes.
O pai de uma delas, um velhote já habituado a servir de chofer em direção ao shopping center, dessa vez é o guia no aeroporto de Cumbica. A filha, aparelho nos dentes e moleton de universidade americana no peito, está nervosa: "Estou tremendo, pai. Aí, a caneta não tá pegando". Calmo, o pai conserta a caneta e sai para dar uma volta: "Qualquer coisa, liga no celular quando tudo acabar"
O desembarque começou uma hora após o previsto. Cordão de isolamento, seguranças, PMs e, no meio, o desfile dos campeões. O treinador Bernardo Rezende, o Bernardinho, com a filha nos braços, foi o que deu mais autógrafos e entrevistas, como principal estrela da seleção que é. Já Giovane saiu por uma porta lateral e deu o prometido beijo com direito exclusivo de televisionamento. Depois, saiu com Nalbert para um estúdio de TV e faltou à entrevista coletiva da equipe.
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Ary da Graça (dir.) puxa brinde com champanhe no aeroporto

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Eles não precisam ouvir outra vez a "ladainha" de Bernardinho, pedindo mais treinamento, mais motivação. Sobre a campanha na Liga Mundial, o técnico disse: "Nunca é aquilo que eu quero, mas em alguns momentos esteve próximo da excelência". Sobre a preparação para o Pan-Americano, disparou: "Por mim, os treinos começariam amanhã, mas os jogadores pediram uma folga". Sobre os Jogos Olímpicos de 2004, teoriza: "Não existe toque de Midas. Só muito trabalho transforma as coisas em ouro. Todos vão querer nos vencer, principalmente os iugoslavos".
É tanta disciplina que Maurício, 15 anos na seleção brasileira, ironiza o comandante: "Esse cara faz a gente treinar até em estacionamento de hotel, no meio dos carros".
Bernardinho só relaxa quando dá uma de Zagallo e fala sobre os poderes positivos do número 13. "Comecei a namorar a Fernanda (Venturini, sua mulher) num dia 13, ganhei a Liga Mundial num dia 13 (de julho de 2003). Esse número tem energia".
Mas descontração mesma é a de Ary da Graça, presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), que acabou com as entrevistas estourando um champanhe sobre os fotógrafos. É hora de a namorada de André Heller dar nova prensa no amado, ainda no palco, com uma taça borbulhante na mão. "Você fica aí brindando e não vem aqui me abraçar", reclama. E tudo termina em canapés, patês e whisky.
Publicado em 15 de julho de 2003
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