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Duas revelações brasileiras
dão início a treinamento
intensivo, de olho na NBA


O ala Marquinhos, ex-São Carlos, e o ala-pivô Morro, ex-São Caetano, estão sendo orientados pelo técnico norte-americano Robert Donewald, que já trabalhou com os Hornets e os Cavaliers. Em março, eles partem para os Estados Unidos

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo



Divulgação
Ala Marquinhos deixou time
italiano para concorrer à NBA



Cada intervalo entre as baterias de exercício pode valer um gole de água e, quem sabe, uns 15 segundos de descanso no banco de madeira, em um dos ginásios do clube Pinheiros, em São Paulo. “Come on, come on!”, já grita o treinador, batendo palma, bastante empolgado. E lá vão para a quadra o ala Marquinhos e o ala-pivô Morro, os novos projetos brasileiros que tentarão uma vaga na NBA.

O processo de recrutamento de novatos da liga norte-americana será realizado apenas em junho, mas a dupla já está trabalhando duro, sob a orientação de Robert Donewald, ex-treinador do New Orleans Hornets e do Cleveland Cavaliers.

O treino começou nesta terça-feira, às 11 horas, e terminou apenas às 13h15, a despeito do calor intenso e da alta umidade dentro do ginásio. Neste perído de pouco mais de duas horas, trabalharam repetidas vezes diversos fundamentos básicos da modalidade: controle de bola (batendo duas bolas ao mesmo tempo), bandejas com as duas mãos, giros e arremessos de média e longa distância.

“Temos de pegar pesado, só assim para nos prepararmos”, afirmou Marcus Vinícius Vieira de Souza, o Marquinhos, ala-armador de 2,06m que jogou por São Carlos no Campeonato Paulista, depois de uma bem-sucedida temporada na Itália. “Nunca fiz nada parecido aqui no Brasil”, garantiu Leonardo di Pacce dos Santos, o Morro, de 2,11m, ex-São Caetano.

Para o ala-pivô a ficha ainda não caiu direito. “Não sei quando vou para os Estados Unidos, nem sei onde vou treinar amanhã. Mas estou empolgado e espero aproveitar essa chance”, disse.

Já o lateral Marquinhos tenta conter a ansiedade: depois de duas tentativas de ingressar na NBA em 2004 e 2005, ele acredita que só agora está no caminho certo. “Se tivesse ficado na Europa, não teria muito tempo para me preparar para o “draft”, como aconteceu no ano passado. Cheguei aos Estados Unidos em cima da hora. Agora vai ser diferente”, afirmou.

O jogador atuou em 2004-2005 pelo italiano Premiata Montegranaro, que surpreendeu ao conseguir o vice-campeonato da segunda divisão do país. “É um campeonato forte, que conta com vários atletas ex-NBA. E a equipe do Marcus foi a grande surpresa, porque todos pensavam que ela apenas brigaria para se manter na liga e não pelo título”, afirmou o italiano Gianluca Pascucci, olheiro do Houston Rockets.

Mas, em vez de seguir na Itália, Marquinhos decidiu exercer uma cláusula em seu contrato, liberando-se para ficar próximo à filha, nascida no ano passado e, para se condicionar exclusivamente para a liga norte-americana. Rompeu com o agente norte-americano Marc Fleisher e assinou com Michael Coyne, empresário de Nenê e ex-representante de Leandrinho.

Foi Coyne quem colocou o brasileiro em contato com Donewald, que se dedicou nos últimos dois anos à preparação de pretendentes à NBA ou até mesmo de astros já consolidados, como o prodígio LeBron James.

“Já trabalhei com muitos jogadores que me deram bastante dor-de-cabeça, mas o Marquinhos está indo muito bem, treinando sério e concentrado”, afirmou o técnico norte-americano. “Tenho muitos contatos na liga e duvido que ele passe dos 30 primeiros, pelo que venho ouvindo. Ele tem um porte físico ideal, é muito habilidoso e versátil, já é um cara formado. Na minha passagem por Nova Orleans e Cleveland, garanto que ele seria titular”, disse.

O “draft” da NBA tem 60 escolhas, sendo que a primeira metade garante aos selecionados um contrato de três anos.

Donewald veio com Marquinhos para o Brasil para dirigir São Carlos, em setembro. Mas não conseguiu o credenciamento necessário para comandar a equipe em quadra e apenas aplicou treinos. Deixou a equipe por problemas de salário atrasado e Marquinhos foi atrás. Mas a breve passagem pela equipe do interior paulista permitiu que o treinador descobrisse Morro em São Caetano.

Reuters
Donewald já foi técnico na Inglaterra, além de assistente na NBA por três temporadas
“Na primeira vez em que o assisti, ficou claro que ele poderia ser trabalhado para a NBA”, afirmou. “Dificilmente você vai encontrar jogadores de sua altura, com esta coordenação motora, velocidade e habilidade no arremesso de longa distância”, avaliou.

Morro aceitou o convite do técnico e dos staffs de Coyne de prontidão e vem treinando com Marquinhos, que deve partir para os Estados Unidos em março. O ala-pivô ex-São Caetano, porém, ainda não tem contrato assinado com o agente. Mas a empolgação de Donewald é grande e um acordo deve ser anunciado em breve.

“Anima bastante só de pensar no que posso fazer com ele em um mês de trabalho”, disse Donewald. “Ele está fazendo estes exercícios pela primeira vez e está aprendendo rápido. Estamos com o tempo ao nosso lado e ele pode ser uma grata surpresa daqui a um tempo”, completou.

Marquinhos e Morro vão treinar em Cleveland na academia “Speed Strenght”, que trabalha também com atletas das ligas profissionais de beisebol e futebol norte-americano. Eles passarão pelo mesmo programa que Nenê, em 2002, e Leandrinho, em 2003, classificaram como "regime militar". "Pela manhã, eles farão exercícios físicos buscando força e resistência. Em vez de usar pesos, trabalharão com elásticos. Depois eles descansam e, à tarde, fazem mais duas horas de exercícios em quadra", afirmou Greg Dole, da equipe de Coyne.

"Aqui é só o começo", afirmou Donewald. "Um começo promissor".

Talvez em Cleveland os dois brasileiros não tenham direito nem mesmo a um banco de madeira e água fresca.

Publicado em 09 de fevereiro de 2006




O basquete brasileiro tem muito talento, muitos jogadores atléticos, cheios de potencial. Mas eles precisam de um trabalho de fundamento mais bem feito e é o que estou tentando fazer
Robert Donewald



4

meses de treinos exclusivos para o "draft" farão Marquinhos e Morro.


DESTAQUES LÁ FORA

Os pivôs Tiago Splitter (foto) e João Paulo Batista são outros brasileiros que podem passar pelo "draft" da NBA. Os dois estão se destacando pelo Tau Ceramica, da Espanha, e pela universidade de Gonzaga, nos Estados Unidos, respectivamente.

Splitter, na verdade, é o mais bem cotado deste grupo. Enquanto Marquinhos, nos Estados Unidos, tentará se afirmar como um prospecto de elite e Morro será apresentado apenas neste ano, o jogador de 21 anos é observado pelos olheiros da NBA desde 2002.

Depois de disputar uma excelente Copa América pela seleção brasileira em agosto do ano passado, o pivô passou a ser considerado uma das dez melhores opções para as equipes.

Quando retornou ao Tau, contudo, viu seu tempo de quadra diminuir no atual vice-campeão europeu e espanhol, o que abalou um pouco seu status. Mas a equipe demitiu Pedro Martinez e, com a chegada do croata Velimir Perasovic, Splitter voltou a ganhar confiança.

Em seus últimos oito jogos - quatro pelo campeonato espanhol e quatro pela Euroliga -, marcou pelo menos 13 pontos. Sua maior contribuição, porém, vem na retaguarda: apesar de jovem, é considerado pela comissão técnica o melhor defensor do time, devido à sua aplicação tática e garra.

Já Batista é a referência de Gonzaga no garrafão, com médias de 19,3 pontos e 9,1 rebotes, com 60% de acerto nos arremessos de quadra.

O pernambucano, no entanto, segundo os olheiros da NBA, não teria o perfil atlético para competir com os Garnetts e Wallaces da liga.

Gonzaga tem 19 vitórias e três derrotas até agora, liderando a divisão WCC. Liderado pelo ala Adam Morrison, a equipe deve se classificar para os mata-matas do basquete universitário.