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Telê: obstinação como jogador lhe rendeu o apelido de "Fio de Esperança"

Ponta-direita do Fluminense ganhou o slogan famoso num concurso popular promovido por um jornal carioca em meados da década de 50; dedicação e garra reconhecidas num tempo de fartura de craques no futebol do Rio de Janeiro

Da Redação
Em São Paulo



Arquivo/Folha Imagem
Telê Santana defendeu com bravura a camisa do Fluminense


O jogador Telê Santana, que viveu a melhor fase de sua carreira com a camisa do Fluminense nos anos 50, jamais chegou a ser convocado para a seleção brasileira. Mas, mesmo na época em que brilhavam Zizinho, Jair Rosa Pinto e Julinho Botelho, o ponta-direita conseguiu virar ídolo da torcida tricolor graças a maior de suas virtudes: a obstinação.

Em meados da década de 50, Telê, um jogador franzino de 57 kg, era chamado de "Fiapo" e "Tarzan das Laranjeiras". No entanto, na avaliação do dirigente Benício Ferreira, o jogador do Fluminense merecia um apelido mais digno de seu valor como atleta.

Ferreira acabou convencendo o amigo Mário Filho, diretor do Jornal dos Sports, a organizar um concurso que escolheria um novo apelido para o jogador. O tema era: "Dê um slogan para Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros".

Até o final do concurso, que durou algumas semanas, mais de quatro mil sugestões de apelidos foram enviadas à redação do jornal. Três leitores terminaram empatados no primeiro lugar, com os slogans "El todas", "Big Ben" e "Fio de Esperança".

Mas foi o último deles que acabou adotado pela torcida do Fluminense, que via em "Fio de Esperança" a pecha correta para descrever um jogador que, apesar de magro e pequeno, jamais desistia em campo, mesmo quando tudo apontava para uma derrota.

Há quem diga que o leitor inventor do apelido se inspirou no filme de John Wayne The high and the might, que em português ganhou o título de "Fio de Esperança".

Era uma história de um comandante de avião, interpretado por Wayne, e as dificuldades enfrentadas num vôo de Los Angeles a San Francisco. O filme foi premiado com sete estatuetas na cerimônia do Oscar.

Pelo Fluminense, o determinado ponta-direita Telê Santana conquistou quatro títulos, o Estadual do Rio de Janeiro, em 1951 e 1959, e o Torneio Rio-São Paulo, nos anos de 1957 e 1960.

Ao todo, Telê fez 522 partidas e marcou 151 gols pelo Fluminense até 1961, quando deixou o clube para jogar por Vasco e Guarani, encerrando a carreira.

Telê também praticamente inventou, no futebol brasileiro, a figura do ponta que recuava para auxiliar o meio-campo, estilo tático consagrado pelo canhoto Zagallo mais tarde no Flamengo, no Botafogo e na seleção brasileira.

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Publicado originalmente em 21 de março/abril de 2006







4

é o número de títulos conquistados por Telê Santana em seus 11 anos como jogador do Fluminense



Decisivo
Telê, substituto de Carlyle, marcou dois gols na final do Estadual do Rio de 1951 contra o Bangu
PERFIL DE TELÊ SANTANA

Nome:
Telê Santana da Silva
Nascimento: 26/07/1931, em Itabirito-MG
Estréia:
em 1951, pelo Fluminense
Carreira:
Fluminense, Guarani, Madureira, Vasco
Títulos como jogador: Estadual do Rio (1952, 1959); Torneio Rio-São Paulo (1957, 1960)
Clubes como técnico: Fluminense, Atlético-MG, Botafogo, Grêmio, Al Ahli-SAL, Flamengo, Palmeiras, São Paulo
Títulos como treinador: Taça Guanabara (1969, 1989); Estadual do Rio (1969); Campeão Mineiro (1970 e 1988); Campeão Gaúcho (1977); Campeão Árabe (1983); Copa do Rei Árabe (1984); Copa do Golfo (1985); Campeonato Brasileiro (1971 e 1991); Campeonatos Paulistas (1991 e 1992); Copa Libertadores da América (1992 e 1993); Mundiais Interclubes (1992 e 1993); Recopa Sul-Americana (1993 e 1994) Supercopa da Libertadores (1993); Copa Conmebol (1994)