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A "era Michael Schumacher" chega ao fim na Fórmula 1
Único heptacampeão da história, dono de todos os recordes da categoria, o piloto alemão anuncia que irá se aposentar no fim da temporada 2006, encerrando uma década em que a Fórmula 1 viveu a "era Schumacher"
Bianca Alves Costa Em São Paulo
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| Reuters |
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O adeus do maior de todos

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Arrogante, gênio, frio, trapaceiro, companheiro. Michael Schumacher já recebeu todo tipo de adjetivos em seus 16 anos de carreira na Fórmula 1, mas deixa a categoria com um só: o melhor de todos os tempos. Heptacampeão, ele foi o primeiro piloto a conseguir cinco títulos consecutivos, transformando seu nome em sinônimo de sucesso, despertando a ira e a admiração de torcidas por todo o mundo.
Começando a história de supercampeão em 1994, quando morria Ayrton Senna, Schumacher nunca teve um grande adversário, transformando a última década da Fórmula 1 em uma era de um piloto só, quebrando todos os recordes possíveis.
Sua genialidade na pista, dedicação e perfeccionismo, levantaram diversas comparações com grandes nomes do automobilismo. Quem é melhor, Schumacher ou Juan Manuel Fangio - único piloto além do alemão a conquistar cinco títulos mundiais? Schumacher ou Senna (o alemão só bateu o recorde de pole position do tricampeão brasileiro neste ano)?
| A CARREIRA ANTES DA F-1 |
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 | | 1973 a 83: Kart em diversas categorias |
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| 1984: Campeão do Campeonato Alemão Júnior de kart |
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| 1985: Vice-campeão do Campeonato Mundial Júnior de kart; Campeão do Campeonato Alemão Júnior de kart |
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| 1986:Terceiro colocado no Campeonato Alemão Sênior de kart e no Campeonato Europeu Sênior de kart |
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| 1987: Campeão do Campeonato Europeu Sênior de kart; Campeão do Campeonato Alemão Sênior de kart |
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| 1988: Campeão do Campeonato Alemão de Fórmula König; Segundo colocado no Campeonato Europeu de Fórmula Ford 1600 |
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| 1989: Terceiro colocado no Campeonato da Fórmula 3 Alemã; Campeão do GP de Macau de Fórmula 3 |
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| 1990: Quinto colocado no Campeonato Mundial de Carros Protótipos; Campeão da Fórmula 3 Alemã; Campeão do GP de Macau da Fórmula 3 |
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| Teve até quem tentou responder, como o técnico Rory Byrne, que trabalhou com Senna e Schumacher, dizendo que ambos têm "ouvido musical", mas ninguém chegou a uma resposta conclusiva. "São tempos diferentes, adversários diferentes", analisou Byrne.
A verdade é que, para o bem, ou para o mal, Schumacher foi sinônimo de Fórmula 1, velocidade, competência e polêmica nos últimos 12 anos. Polêmicas como as que envolveram Rubens Barrichello, quando este foi seu companheiro na Ferrari. A parceria, que durou seis anos, escancarou as ordens de equipe que antes eram feitas às escondidas.
O caso mais escandaloso aconteceu em 2002, quando Barrichello vinha para vencer o GP da Áustria, mas a poucos metros da linha de chegada, desacelerou para deixar o companheiro ultrapassá-lo e vencer, acumulando mais dez pontos na briga pelo Mundial de Pilotos.
Situações como essa e manobras duvidosas, como em 1994, quando na última etapa da temporada Schumacher se envolveu em um acidente com Damon Hill, tirando os dois da corrida e dando o título ao alemão, deram ao heptacampeão apelidos pejorativos, como Dick Vigarista, em alusão ao desenho animado Corrida Maluca, quando o personagem sempre trapaceava para tentar vencer. Na ficção, ao contrário da realidade, o "espertalhão" nunca saia vitorioso.
Com ou sem fama negativa, Schumacher foi o nome a ser superado na última década. E não foram apenas seus adversários que tentaram ano após ano, tirar de seu carro o número 1. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) vem desde 2000 mudando regras técnicas e desportivas para aumentar a competitividade e variar o piloto no degrau mais alto do pódio.
A entidade mudou o treino classificatório, limitou o número de motores por fim de semana, depois aumentou essa limitação, proibiu a troca de pneus, voltou a permitir e, mesmo assim, a Ferrari e Schumacher continuaram na frente.
Uma era, porém, não dura para sempre, e em 2005 aconteceu a primeira queda do conjunto. O vilão? O pneu da Bridgestone. A partir daquela temporada, cada piloto poderia usar somente um jogo durante o treino de classificação e a corrida. A Michelin, fornecedora da principal concorrente da Ferrari, a Renault, se saiu melhor e a briga pelo título ficou entre a escuderia francesa e a McLaren - que corria com a mesma borracha. O conjunto Schumacher/Ferrari sucumbiu e terminou o Mundial de Pilotos em terceiro.
Já para 2006, a FIA, que fez uso de regras para recuperar a emoção da categoria, se viu pressionada pela Bridgestone, que por sua vez usou a política para voltar ao jogo. A entidade mudou as regras para a atual temporada, e a categoria voltou a permitir a troca de pneus durante as corridas. O resultado foi uma recuperação lenta, mas eficiente da Ferrari, que proporcionou à Fórmula 1 a possibilidade de uma das melhores viradas que o campeonato poderia ter.
Até a nona corrida de 18 que completam a temporada 2006, a diferença entre Fernando Alonso, da Renault, e Schumacher era de 25 pontos. Hoje, faltando apenas três etapas para o final, é de dois. O desempenho do alemão melhorou gradativamente ao longo do ano e ele já acumula seis vitórias mesmo número de Alonso.
Apesar das inúmeras especulações, ele não esperou para ver se leva o título para optar pela aposentadoria. Sua saída deixa a Fórmula 1 com apenas um campeão (Fernando Alonso) e levanta novas questões: Haverá um substituto para Schumacher? O nível de competitividade será nivelado por baixo? O sucesso da Ferrari era mérito de Schumacher?
Publicada em 10 de setembro de 2006
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