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Brasil tenta vaga olímpica
em cenário "estranho"


Seleção feminina disputa a Copa do Mundo no Japão, torneio no qual as principais equipes do mundo lutam para superar problemas de contusão, fracassos recentes e renovações de elenco.

Por Lello Lopes
Em São Paulo



Divulgação



Num cenário internacional "estranho", a seleção brasileira tenta a partir desta madrugada a classificação antecipada para a Olimpíada na Copa do Mundo no Japão. E o trabalho do técnico José Roberto Guimarães, medalha de ouro com a seleção masculina nos Jogos Olímpicos de Barcelona-92, pode ser facilitado graças aos problemas de alguns de seus principais rivais.

Com exceção da China (adversária de estréia do Brasil), atual campeã do Grand Prix e favorita absoluta ao título da Copa do Mundo, as outras seleções postulantes a uma das três vagas que o torneio dará para os Jogos Olímpicos de Atenas-04 passam ou passaram recentemente por reformulações e/ou constrangimentos.

"Eu vejo isso como uma certa estranheza, com países que não tinham grande tradição, como Turquia e República Dominicana, hoje fazendo frente a grandes seleções do mundo. Isso está acontecendo porque o mundo está trabalhando. As coisas mudam. E se você não acompanhar essa evolução, acaba ficando pra trás", analisa Zé Roberto.

O caso mais emblemático é o da Itália. Após a conquista do Campeonato Mundial no ano passado, a equipe viveu dois grandes vexames. O primeiro no Grand Prix, no qual ficou apenas com o quarto lugar. Depois, no Campeonato Europeu, quando terminou na sexta colocação. Assim, para disputar a Copa do Mundo, precisou ser convidada pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Para completar, a Itália não conta com sua principal jogadora, Elisa Togut, que está machucada. "Esta tem sido uma temporada difícil para nós e ainda temos que conviver com uma série de contusões. Elisa Togut não está aqui por causa de uma lesão no joelho. Será difícil ficar entre os três primeiros colocados", admite Marco Bonitta, técnico italiano

Pelo menos a Itália tem a chance de disputar a Copa do Mundo. A Rússia, outra equipe de alto nível, não teve a mesma sorte. Vice-campeã olímpica e do Grand Prix e terceira colocada no último Mundial, a seleção russa também teve um desempenho ruim no Europeu (o quinto lugar), ficando de fora da Copa do Mundo. Agora, para se classificar aos Jogos de Atenas, vai ter que vencer o pré-olímpico do continente.

Com a queda das principais potências européias, resta principalmente aos países da América a obrigação de fazer frente à China. Mas Cuba, renovada, e Estados Unidos, que costumam fracassar nos momentos decisivos, são incógnitas no torneio.

Da equipe cubana tricampeã olímpica em Sydney-2000, restaram apenas Yumilka Ruiz, Marta Sánchez e Zoila Barros. As novas jogadoras ainda não conseguiram substituir à altura Magaly Carvajal, Regla Bell e Mireya Luis. Por isso, Cuba deixou o pódio das competições que disputou nos últimos anos.

Já os Estados Unidos vivem uma síndrome de decisão. Contando com o talento de Logan Tom, a equipe consegue ir bem nas fases preliminares dos torneios que disputa, mas treme na hora de definir o título. Foi assim no Mundial de 2002 (perdeu a final para a Itália depois de passar todo o campeonato invicto) e no Grand Prix de 2003 (uma derrota na primeira fase e duas no hexagonal final).

Essa "estranheza" no cenário internacional acontece justamente quando o Brasil tenta se reencontrar após a conturbada passagem de Marco Aurélio Motta como técnico da seleção. A chegada de José Roberto Guimarães serviu para melhorar o astral do grupo, que contou com o retorno de Virna e Fernanda Venturini.

Entretanto, a seleção ainda não foi testada. O título no Campeonato Sul-Americano e a seqüência de vitórias sobre os Estados Unidos nos amistosos preparatórios pouco servem de parâmetros para o que a equipe pode apresentar na Copa do Mundo, no Pré-Olímpico (caso não consiga a vaga, vai ter que disputar o torneio na República Dominicana) e na Olimpíada de Atenas.

"Eu acredito e sonho, principalmente, com isso (a classificação para a Olimpíada). Tanto que o nosso objetivo número um é a classificação. O sonho seria ganhar (a Copa do Mundo), mas a gente tem que pensar no nosso objetivo. Vai ser um campeonato duríssimo. São 11 jogos, viagens, você não vai ter tempo pra treinar", finaliza Zé Roberto.

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    Publicado em 31 de outubro de 2003





  • Eu acho que a China hoje é a número 1 do mundo
    Zé Roberto Guimarães




    3

    vagas para Atenas estão em jogo na Copa do Mundo




    Tabu
    Em seis participações na Copa do Mundo, o Brasil ficou só duas vezes entre os três primeiros colocados, em 1995 e em 1999