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Senna na F-1: vitórias, frustrações e três títulos

Na mais importante categoria do automobilismo mundial, Ayrton Senna sagrou-se tricampeão, vencendo em 1988, 1990 e 1991. Além dos títulos, Senna ficou marcado pelas incríveis vitórias com carros mais fracos, como com a Lotus, no início da carreira, e com a McLaren em 1992 e 1993, anos de dominação da Williams.

Leopoldo Godoy
Em São Paulo



Reuters
Senna: 41 vezes no topo do pódio



Três títulos mundiais. Mais de quarenta vitórias. Foram 65 poles em 161 corridas disputadas, recorde até hoje na categoria. Nem sempre os números mostram a verdade sobre um piloto, mas Senna conseguiu se mostrar genial e eficiente ao mesmo tempo. Entre 1984 e 1994, o brasileiro esteve sempre em destaque no mundo da velocidade, garantindo seu lugar no seleto clube dos melhores pilotos de todos os tempos.

Confira como foi a passagem de Ayrton Senna pela principal categoria do automobilismo:

AFP
Estréia em 1984, na equipe Toleman
1984 - Senna estréia na F-1 no GP do Brasil, disputado em Jacarepaguá (Rio de Janeiro) no dia 25 de março, dias depois de seu aniversário de 24 anos. O brasileiro pilota a Toleman/Hart, seu primeiro carro na categoria. No ano anterior, enquanto disputava o campeonato da F-3 inglesa, Ayrton havia testado a Williams e a McLaren, surpreendendo Frank Williams e Ron Dennis. Testou também com a Brabham, do compatriota Nelson Piquet.

Tem problemas na prova do Rio de Janeiro e abandona a corrida logo na oitava volta, depois de largar em 16º. Na prova seguinte, marca o primeiro ponto na carreira, completando o GP da África do Sul na sexta colocação. Marca outro ponto na Bélgica, depois de chegar em sétimo: Senna acabou beneficiado pela desclassificação do alemão Stefan Bellof, da Tyrrell, que havia utilizado gasolina irregular nos treinos e na corrida.

Em San Marino, fica de fora de sua primeira e única prova na carreira. Com problemas na pressão do combustível, fica acima do limite de tempo da classificação e não disputa a corrida do domingo. No mesmo fim de semana, no entanto, recebe uma oferta de Peter Warr para se transferir para a Lotus no final da temporada.

Duas provas mais tarde, em Monte Carlo, dá show na chuva e só não vence o GP de Mônaco porque o diretor de prova, Jacky Ickx, encerra a disputa logo depois que Senna ultrapassara Alain Prost. Valem os resultados da última volta, completada ainda com o francês na ponta, e Senna adia o sonho da primeira vitória, mas faz sua estréia no pódio. Faria mais dois pódios no ano, ao chegar em terceiro na Inglaterra e em Portugal.

Presencia um e sofre outro acidente sério na Toleman: na Inglaterra, vê o companheiro de equipe Johnny Cecotto destroçar o carro nos treinos, quebrando ambas as pernas. Duas semanas depois, na Alemanha, Senna perde o aerofólio traseiro de seu carro e decola. O Toleman gira quatro vezes antes de parar na proteção de pneus. Em agosto, no GP da Holanda, anuncia a assinatura do contrato com a Lotus, por três anos.

1985 - Estréia na Lotus novamente no Rio, quase sem tempo de treinar no período de folga da F-1 por causa de uma virose (que acabou por provocar-lhe uma leve paralisia facial). A equipe, há dois anos sem vitória, queria recuperar a época que foi campeã com Emerson Fittipaldi, Jim Clark e Jochen Rindt.

Lidera pela primeira vez uma prova, ainda no Brasil, depois que Prost e Michele Alboreto param para trocar pneus. Senna pára logo em seguida, e abandona a prova a 13 voltas do final por causa de problemas elétricos. A primeira vitória viria na corrida seguinte, em Portugal. Ayrton faz pole, melhor volta e completa o hat-trick na chuva, liderando de ponta a ponta. Em 1985, venceu novamente em Spa, na Bélgica, e foi segundo colocado nos GPs da Europa (em Brands Hatch, Inglaterra) e da Áustria.

O ponto alto, no entanto, era a dominação nos treinos classificatórios. Logo em seu segundo ano de F-1, Senna largou na frente em seis das 16 provas da temporada. Além de Portugal, o piloto fez o melhor tempo dos treinos em Mônaco, Detroit, Silverstone, Monza e Brands Hatch. Termina o mundial de pilotos em quarto, atrás de Prost (McLaren), Alboreto (Ferrari) e Keke Rosberg (Williams).

Vira alvo de boatos, que garantiam que o brasileiro estaria de contrato assinado com a Brabham para a próxima temporada. Depois, confirmando que ficaria na Lotus, usa o poder de veto para deixar o inglês Derek Warwick de fora da equipe. Warwick, ídolo da torcida britânica e recém saído da Renault, ficou desempregado, o que causou o primeiro celeuma de Senna com a imprensa mundial.

AFP
Dobradinha com Piquet no Rio em 1986
1986 - Começa a se sentir mal na Lotus, ao perceber que não teria, novamente, um carro competitivo o suficiente para chegar ao título. Impaciente, pressiona o diretor Peter Warr, exigindo mudança de atitude do dirigente em relação à equipe. No final, acabam brigados, o que acelerou a procura de Senna por uma nova equipe, talvez até já para 1987, um ano antes do fim do contrato com a Lotus.

É o início do "namoro" com a McLaren de Ron Dennis, que montaria um time imbatível para a temporada de 1988, com Alain Prost e os motores Honda. Senna cumpriria seu contrato com a Lotus, mas sem ao menos iniciar conversas sobre renovação.

No último ano da equipe com motores Renault, o brasileiro faz três poles consecutivas no início do ano, no Rio, em Jerez (Espanha) e em San Marino. No Brasil, fez a dobradinha com o vencedor Piquet. Venceu espetacularmente a prova espanhola, depois de ultrapassar o inglês Nigel Mansell, da Williams, a dez voltas, e segurar a vantagem quase milimétrica até a bandeirada final.

Logo em maio, fica perto de acertar um contrato com a Ferrari, sua equipe dos sonhos, mas as conversas não avançaram. "Vou dar um voto de confiança à Lotus", disse Senna, que já sabia que a equipe teria motores da japonesa Honda em 1987. Faz mais quatro poles no ano (EUA, Hungria, Portugal e México) e ganha mais uma corrida, no GP de Detroit. A prova, realizada logo depois da eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo do México, marcou a "invenção" do gesto de comemorar cada vitória empunhando a bandeira nacional.

Senna não vence mais, mas chega com condições de brigar pelo título até a 12ª prova do ano, em Portugal. Os outros candidatos eram Prost, Piquet e Mansell. A Lotus tem problemas com combustível e Senna fica de fora da disputa. No fim, a temporada tem uma decisão apertada, com três pontos dividindo o campeão (Prost) do terceiro colocado (Piquet). O vice é Mansell e Senna acaba em quarto.

1987 - O último ano de Lotus não teve mais do que duas vitórias, mas Senna pode lutar pelo título em um carro pioneiro. Pela primeira vez na história uma equipe teria suspensão ativa - que viria a ser a vedete dos carros Williams campeões em 1992 e 1993. Senna, um dos responsáveis pela inovação, pagaria pela irregularidade do sistema.

O começo de temporada é de altos e baixos, com abandonos no Rio de Janeiro e na Bélgica, mas pole em Imola (chegou em segundo) e vitórias em Mônaco e Detroit. Ao ganhar em Monte Carlo pela primeira vez, Senna iniciaria uma era de dominação impressionante no circuito, onde ganhou seis vezes.

Senna faria mais uma pole no ano, em Portugal, mas não teria condições de lutar pelo título como no ano anterior. Melhor para Nelson Piquet, que se aproveita do acidente que tirou Nigel Mansell das duas últimas provas para sagrar-se tricampeão mundial. Senna é o terceiro.

1988 - Enfim, o título. No primeiro ano de McLaren/Honda, Senna conseguiu atingir a meta que perseguia desde que entrou para o automobilismo: sagrou-se campeão de Fórmula 1. A conquista veio de forma magistral, com a coroação na memorável vitória no GP do Japão, penúltima e decisiva prova do ano.

Senna fez a pole no Brasil, na abertura da temporada, mas não pode largar: acabou desclassificado antes da luz verde por ter trocado irregularmente de carro. O brasileiro teve que aturar a vitória Prost, seu novo companheiro de equipe. A vitória veio na segunda corrida, em San Marino, onde também fez a pole.

Na prova seguinte, em Mônaco, Senna relata sua primeira experiência mística ao volante. Após a definição da pole em seu favor, ele dá entrevista em que disse que teve a sensação que era parte do carro, como se sua percepção tivesse extrapolado os limites de seu corpo. "Era como se eu tivesse em um túnel, sobre trilhos. Fiquei vulnerável", afirmou Senna.

O segundo momento decisivo foi na corrida. Senna liderava Prost com vantagem de quase 50s, quando começou a relaxar demais no controle de seu McLaren. Com a prova praticamente ganha, na 67ª volta, o brasileiro tocou em um guard rail, erro fatal nas estreitas ruas de Monte Carlo. O abandono fez com que Ayrton reavaliasse sua postura na F-1.

Divulgação
Em 1988, título em disputa com Prost
Senna terminou a temporada com oito vitórias e doze poles em 16 provas. A seqüência mais impressionante foi logo depois do desfecho do GP de Mônaco. O campeão foi segundo no México, venceu no Canadá e em Detroit, voltou a ser segundo para Prost na casa do rival e depois teve quatro êxitos consecutivos: Inglaterra, Alemanha, Hungria e Bélgica.

Quando o campeonato já parecia decidido - até agora, pacificamente - em favor de Senna, o GP de Portugal tratou de embaralhar as cartas. O brasileiro vinha de abandono em Monza. Em Estoril, Senna e Prost deixaram de lado um acordo de cavalheiros que limitava disputas na primeira curva e só não bateram nas três largadas da prova por milagre. Senna venceria, não fosse acidente com Mansell. Na Espanha, Prost venceu de novo, com Senna em quarto.

O Japão decidiria o Mundial. Senna, com 79 pontos, e Prost, com 90, eram os únicos candidatos. A vantagem, no entanto, era de Senna: naquele ano, o sistema de pontuação levava em conta apenas 11 das 16 provas, obrigando os concorrentes a descartarem seus cinco piores resultados. Prost, mais regular e menos vencedor, tinha apenas 84 pontos válidos, e só poderia chegar a 90, caso vencesse no Japão e na Austrália.

Senna, se vencesse, liqüidaria a fatura ali, pois completara 11 resultados na prova anterior, e ainda teria um quarto e um sexto lugares para descartar. Para melhorar as chances de Senna, só mesmo se chovesse. E choveu. Pouco, é verdade, mas o suficiente para desesperar Prost, avesso às pistas molhadas.

Quando os carros deveriam partir para a volta de apresentação, um desastre: a McLaren de Senna deixou o brasileiro na mão. Senna deu dois trancos no carro e conseguiu largar na 14ª colocação. Aí começou a impressionante recuperação do brasileiro. No final da primeira volta, ele já era o oitavo. Na segunda volta, passou Ricardo Patrese e Marco Nannini. Thierry Boutsen ficou para trás no giro seguinte. Na quarta volta, Senna passou Alboreto e passou a ser quarto.

Prost tentava se distanciar do brasileiro, que encontrara em Gerhard Berger um osso duro de roer. Na 19ª volta, Senna conseguiu a ultrapassagem e partiu para cima de Prost, que havia se livrado da March de Ivan Capelli, que vinha em segundo.

Eternos seis segundos separavam os dois rivais. Senna precisou de oito voltas para desintegrar a vantagem do francês. Na primeira chance, o bote. Senna pegou o vácuo de Prost, que desacelerara para passar o retardatário Andrea de Cesaris, e passou na descida dos boxes, rente ao muro. Seguiu na frente até o fim, quando garantiu seu primeiro título. A última volta ficou célebre por outra experiência mística do piloto, que afirmou ter visto a imagem de Deus, suspensa sobre a pista instantes antes de cruzar a linha de chegada.

1989 - O ano da polêmica. A amizade com Prost acabou definitivamente logo no segundo GP do ano, em Imola. Senna, largando na pole, manteve-se na liderança até a quarta volta, quando Berger sofreu um acidente na fatídica Tamburello. A Ferrari do austríaco pegou fogo e a prova foi interrompida. Na nova largada, Senna saiu mal e Prost assumiu a ponta na Tamburello. Na curva seguinte, a Tosa, Senna ultrapassa Prost e parte para a vitória. Prost reclama, dizendo que foi ultrapassado na primeira curva da volta após a largada, desconsiderando a Tamburello.

Senna venceria novamente em Monte Carlo e no México, para entrar depois em uma seqüência de quatro provas sem pontuar. Voltaria a vencer na Alemanha e na Bélgica. Prost venceria na Itália para se manter na liderança. Em Estoril, um dos episódios mais estranhos do ano: Mansell, já eliminado da prova por ter dado ré nos boxes -infração grave segundo o Código Desportivo Internacional- não aceitou a bandeira preta e se manteve na pista por três voltas. Mansell só pararia ao bater em Senna, causando o abandono do brasileiro. "Ele me jogou para fora propositalmente", diria Ayrton sobre o "Leão" após o incidente.

Com a vitória no GP da Espanha, Senna chegou às duas últimas provas com 16 pontos de desvantagem em relação a Prost. Tudo poderia acontecer. Senna, no entanto, precisaria chegar pelo menos em segundo para levar a decisão do título para a Austrália.

Prost acabou tricampeão com o tapetão do francês Jean-Marie Balestre. Em Suzuka, o desfecho foi o seguinte: Senna largou mal da pole, e perdeu a ponta para Prost. O "pega" entre os dois duraria a prova toda. Na 47ª volta, com meio segundo de vantagem, o francês já não teria mais como segurar Senna. O brasileiro meteu o carro pelo lado de dentro da primeira curva e apostou na retração de Prost. O francês não só não tirou o pé como jogou, da esquerda para a direita, as rodas da frente para cima do miolo do carro de Senna.

Ayrton botou duas rodas na grama e, quando voltou, encontrou a McLaren do rival travada, tentando encerrar a prova e liqüidar o campeonato daquele ano. Prost abandonou o carro e sorriu, confiante no título. Mas o brasileiro não se deu por vencido: pediu o apoio dos fiscais da prova e contornou a chicane por dentro, de volta à prova. Venceu, mas não levou.

Balestre, antes mesmo do fim da corrida, desclassificou Senna, afirmando que o brasileiro não havia completado a prova por ter cortado a chicane. Quando Ayrton chegou à sala dos fiscais, viu Prost e Balestre, já decididos em anular sua vitória. Além da derrota, Senna teve que aturar ainda a suspensão de seis meses, que só não se concretizou porque o brasileiro acabou concordando em pedir desculpas. Senna fala até em abandonar a F-1 no final da temporada.

1990 - Com atraso de um ano, chega o bicampeonato. Prost, novamente, é o rival, agora na equipe Ferrari. Senna vence logo de cara, no GP de Phoenix, e ensopa o algoz Jean-Marie Balestre de champanhe no pódio. Dividindo a equipe com o austríaco Gerhard Berger, Senna consegue seis vitórias (EUA, Mônaco, Canadá, Alemanha, Bélgica e Itália) e dez poles.

A prova do Brasil seria realizada, pela primeira vez na era Senna, em São Paulo. De volta a Interlagos, onde deu as primeiras voltas com o kart, Ayrton confiava na vitória. Os torcedores, que levaram ao autódromo faixas com ofensas impublicáveis direcionadas a Balestre, também queriam ver Senna ganhar em seu quintal.

O presidente Fernando Collor, no entanto, entregou o trofeu a Prost. Senna foi o terceiro, subindo ao pódio pela segunda vez em GPs brasileiros. Mas Senna venceria em sua prova predileta, em Mônaco, quando afirmou ter tido mais uma experiência extra-sensorial.

No meio da temporada começaram as negociações para o próximo ano. Senna foi sondado por Frank Williams, que nunca escondeu sua admiração pelo brasileiro. Quando o título já tomava formas, Senna anunciou que ficaria pelo menos mais um ano na McLaren.

Senna e Prost chegaram a Suzuka novamente como únicos candidatos ao título. O francês, desta vez, precisaria vencer para levar a decisão para a última prova, na Austrália. Mas o brasileiro não quis esperar o final da corrida para levar o título. Largando na pole, mas do lado sujo da pista, foi ultrapassado por Prost. Senna toma então a decisão de "errar" na primeira curva, batendo na traseira da Ferrari, que já reduzia para fazer o contorno. Os carros foram para a caixa de brita e Senna era bicampeão.

Luiz
Em 1991, primeira vitória no Brasil
1991 - Tricampeão. Senna leva, mais uma vez no Japão, seu terceiro título em quatro anos. Até então, o tri era a consagração, ele se igualava ao compatriota Nelson Piquet e a Alain Prost, Nikki Lauda e Jack Stewart _faltava só o pentacampeonato do argentino Juan Manuel Fangio.

A temporada começaria com quatro vitórias consecutivas. A segunda, finalmente, no Brasil. Senna ganhou e empolgou o público em São Paulo, em prova que completou apenas com a sexta marcha. Com o esforço feito para completar a prova, mal conseguiu erguer o troféu no pódio. A tão esperada vitória no Brasil só poderia ser daquela forma, quase heróica.

O ano do tri teve sete vitórias (EUA, Brasil, San Marino, Mônaco, Hungria, Bélgica e Austrália) e oito poles. Quando não ganhou, Senna foi mais comedido e abandonou o estilo "vencer ou bater", conseguindo pontos importantes. Quando chegou ao Japão, Senna só perderia o título se Mansell vencesse e ele não chegasse em segundo. Neste caso, os dois iriam empatados para a Austrália.

Berger disparou na frente, deixando Senna em segundo com a tarefa ingrata -embora justa, pois o maior beneficiado seria ele mesmo- de segurar o inglês. Na décima volta, forçando ao máximo para alcançar o brasileiro, Mansell foi parar na caixa de brita da segunda curva. Senna era tri. O brasileiro avançou para ultrapassar Berger e seguiu na ponta até a última curva, quando foi convencido por Ron Dennis a dar a vitória para o companheiro de equipe.

1992 - Em 1992, no último ano com motores Honda, Senna e a McLaren tiveram um ano para se esquecer. Mansell venceu as cinco primeiras provas, passeando com uma Williams que tinha todos os apetrechos tecnológicos imagináveis. Senna não teria como bater, só com talento, um carro que praticamente se conduziria sozinho ao título.

O brasileiro ainda conseguiu arrancar três vitórias, a mais importante delas em Mônaco, encerrando a série de vitórias de Mansell. A segunda prova que ganhou no ano foi a de Hungaroring, na Hungria. Mansell, com a segunda colocação, conquistou o título - com apenas 11 GPs realizados na temporada.

Senna terminou o mundial lutando para conseguir uma vaga na Williams para o ano seguinte, mas a vaga já estava ocupada pelo rival Prost. Senna se recusou a correr com o francês, e acabou em mais um ano de McLaren. Em 1992, Mansell foi o campeão absoluto, com 108 pontos, à frente do companheiro de Williams Ricardo Patrese. Senna viria em quarto. Em terceiro ficou um jovem alemão, que fazia apenas seu segundo ano na F-1 e havia ganhado em 1992 seu primeiro GP, na Alemanha. O nome dele era Michael Schumacher.

AFP
Mais uma vitória em casa, em 1993
1993 - Acaba o casamento com a McLaren. Senna consegue finalmente acertar contrato com a Williams. O brasileiro herdaria o carro que levou Prost ao tetracampeonato em 1993. Mas, antes disso, ficaria mais um ano na equipe de Ron Dennis, agora com motores Ford.

Prost fatura o campeonato na 14ª prova, com o inglês Damon Hill garantindo o título de construtores para a imbatível escuderia duas provas antes. Mas Senna se despediria da McLaren com mais cinco vitórias, duas delas inesquecíveis.

A primeira viria em Interlagos. Prost, com o carro programado para vencer, passeava com a Williams. Aí veio a chuva. Prost bateu em Christian Fittipaldi e Senna, arrojado, trocou os pneus nas horas certas, perdendo menos tempo que os outros pilotos quando as condições de pista eram adversas.

Na prova seguinte, a terceira da temporada, mais uma vitória impressionante. Donington Park, na Inglaterra, era sede do GP da Europa. A chuva mais uma vez beneficiou Senna. Largando em quarto, ao lado de Schumacher, levou um "empurrão" do alemão na reta. Ayrton perdeu também a posição para Karl Wendlinger.

Começa então a volta considerada por muitos como a mais perfeita da história da F-1. Senna entra na primeira curva e toma a posição da Benetton de Schumacher por dentro. Wendlinger é superado por fora no início da primeira parte mista. Com a pista molhada, Senna já era o terceiro quando fez o "hairpin" em alta velocidade para encostar no reticente Damon Hill. Duas curvas depois, Senna passava Hill e partia para cima de Prost. Antes do fim da primeira volta, Senna força mais uma vez na curva e assume a ponta. Senna venceria de novo em Mônaco e completaria sua marca de 41 vitórias ao ganhar no Japão e na Austrália, terminando o campeonato em segundo.

Pisco
No último ano, correndo pela Williams
1994 - Na Williams, Senna esperava reencontrar o caminho do título. Depois de dois anos de muita luta para conseguir resultados que, para ele, eram insatisfatórios, 1994 seria o ano do tetra. A verdade é que o brasileiro já pensava inclusive no penta no ano seguinte, mas ainda era preciso mostrar na pista que a superioridade do conjunto Senna/Williams era melhor que a concorrência.

Foram, infelizmente, apenas três provas. Senna fez a pole nas três, mas não terminou nenhuma. A estréia, no GP do Brasil, acabou em uma rodada na curva da junção, quando tentava de todas as formas alcançar o alemão Michael Schumacher. Foi a primeira desilusão com a Williams, embora o abandono tenha sido provocado por erro dele mesmo.

Em Aida, no Japão, onde seria realizado o GP do Pacífico, novo abandono de Senna, desta vez na primeira volta. O alemão, largando em segundo, ultrapassou Senna logo na largada. A Williams levou um toque da McLaren de Mika Hakkinen e rodou. Nicola Larini, com a Ferrari, acertou a lateral do carro de Senna, acabando com a corrida do brasileiro. A prova marcou o primeiro pódio de Rubens Barrichello, na época piloto da Jordan.

Tudo mudaria em Imola, acreditava Senna. O ponto de virada, no entanto, virou o ponto final. Depois do acidente que hospitalizou Rubinho na sexta-feira, sábado foi um dia negro para a F-1. O austríaco Roland Ratzenberger, estreando na equipe Simtek, morreu ao bater em um muro de concreto na curva Villeneuve a quase 300 km/h.

Segundo a namorada Adriane Galisteu, Senna não se sentia disposto a correr no domingo. Mas, profissionalmente, entrou na pista como todos os outros colegas. Com a bandeira da Áustria no bolso, para homenagear Ratzenberger ao vencer a prova, Ayrton partiu para suas últimas voltas.

Senna largou bem, mas a partida teve que ser refeita por causa de um acidente entre JJ Lehto e Pedro Lamy. A direção de prova preferiu, ao invés de interromper a prova, realizar nova largada com o pace car. Na quinta volta, Senna largou à frente de Schumacher. Manteve a ponta quando abriu o sexto giro, com cerca de meio segundo de vantagem.

O relógio marcava 14h18min, horário local. Na curva Tamburello, a Williams escapou dos comandos de Senna. O brasileiro entrou pela pequena zona de escape, de apenas dez metros entre a pista e o muro de concreto. O carro voltou para a pista e girou, parando novamente na zona de escape. Senna seria levado para o Hospital Maggiore, em Bolonha, mas não resistiu aos ferimentos. Às 18h05, a médica Maria Tereza Fiandri anuncia a morte cerebral de Senna. O último comunicado viria às 19h05. "Às 18h40 o paciente Ayrton Senna não apresentava mais atividade cardíaca. Ele está morto".

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    Publicado em 20 de abril de 2004





  • Eu nunca mais vou sentar num F-1 em memória a Ayrton. Ele foi o único adversário que respeitei.
    Alain Prost, ex-piloto




    2

    vitórias no GP do Brasil, ambas em Interlagos



    San Marino
    Senna virou o "Rei de Mônaco" depois de vencer seis vezes a prova nas ruas do principado. Só Schumi igualou esta marca