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Domínio de Schumacher desafia status de Senna
Nos números, o piloto alemão da Ferrari bate Senna em quase todos os quesitos, e pede para si o título de o maior de todos os tempos. Mas é possível imaginar o que Ayrton Senna teria feito e aonde teria chegado se estivesse vivo? Quantos títulos ele teria conquistado? Afinal, qual dos dois gênios é o melhor entre os melhores?
Leopoldo Godoy Em São Paulo
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| AFP |
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Schumacher, o hexacampeão

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É difícil acompanhar a supremacia do alemão Michael Schumacher na F-1 atual e não admitir que o hexa-quase-heptacampeão mundial não se coloque como o melhor piloto da história. Não é loucura afirmar isso, embora esta opinião seja dura de admitir par o público brasileiro, cujo ídolo máximo é Ayrton Senna.
Numericamente, é difícil defender o caso de Senna. Schumacher tem seis títulos em 13 anos de F-1, contra três títulos de Senna em dez anos completos na categoria. Percentualmente, portanto, vantagem para Schumacher (46,1 a 30%). Em vitórias, Schumacher também tem vantagem ampla. O alemão ganhou 73 de suas 198 provas (36,8%), contra 41 êxitos de Senna em 162 corridas (25,3%).
É nas poles que Senna mostra ter sido um piloto mais rápido, pelo menos quando o desafio é ser perfeito e explorar cada centímetro do asfalto para arrancar milésimos de segundo do cronômetro. Senna tem 65 poles, ou seja: largou na frente em 40% dos grids que compôs. Schumacher está atrás até em números absolutos, embora acredite-se que o recorde esteja próximo de ser quebrado: fez 58 poles, aproveitamento de 29,3%.
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O brasileiro era imbatível na chuva

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Em termos de rivalidade, os tempos de Senna podem ser considerados mais acirrados. Esse é talvez o grande argumento contra Schumacher: ele não teve um rival à altura, não apenas por seu talento acima da média, mas também porque ele não enfrentou nenhum gênio quando foi campeão. Senna, em seus três títulos, bateu Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell. Os campeões superados por Schumacher são estrelas de menor brilho: Mikka Hakkinen, Damon Hill e Jacques Villeneuve.
Talvez não exista resposta sobre quem merece ser chamado de melhor. Entre os especialistas, poucos tomam uma posição, preferindo apontar os dois como "incomparáveis". O austríaco Niki Lauda, também tricampeão mundial de F-1, disse em entrevista à agência Reuters que Schumacher é mais consistente do que Senna, a quem considerava afobado e ansioso. Lauda, no entanto, disse que a afirmação não pode ser traduzida como uma opinião favorável à Schumacher na disputa entre os dois. Senna, disse, teve suas qualidades, e foi tão ou mais habilidoso que Schumacher.
O piloto brasileiro Gil de Ferran, campeão por duas vezes da IRL, é fã de Senna, mas também não arrisca palpitar sobre quem foi melhor. "O Ayrton é um daqueles caras que tinham uma combinação rara entre talento e esforço", afirmou Gil em entrevista ao UOL. "Alguns pilotos se viram com um desses componentes, mas Senna tinha os dois. Ele sempre foi uma inspiração para mim, pois eu imaginava que, se um cara com o talento dele se esforçava tanto, que sou eu para fazer corpo mole?", brinca.
Para Gil, Senna e Schumacher estão no mesmo nível. "É difícil você comparar pilotos excepcionais de diferentes épocas. Cada um dos grandes tem qualidades diferentes. Quem viu Fangio pode dizer que ele foi o melhor, assim como tem gente que prefere Stirling Moss, Jim Clark, Jackie Stewart ou até Jochen Rindt", diz o brasileiro, que se destacou no automobilismo dos Estados Unidos.
Embora nenhum deles seja o melhor, eles são os melhores, acredita Gil. "Se eu tivesse que fazer uma lista dos cinco melhores pilotos do mundo, Schumacher e Senna estariam entre os três primeiros", revela.
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Senna se concentra antes de GP

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O inglês Martin Brundle, rival de Senna dos tempos da Fórmula 3 e atual comentarista das provas de F-1 da ITV britânica, é um dos que foge à regra de "empatar" Schumacher e Senna. "Senna era melhor que Schumacher", diz Brundle, sem rodeios. "Ele tinha mais talento e era muito mais natural, uma pessoa muito mais emotiva que Schumacher", sentencia o ex-piloto.
Brundle acredita inclusive que, se Senna não tivesse morrido, ele teria conseguido ser heptacampeão, vencendo os mundiais de 1994 a 1997. Nos dois primeiros anos, o limitado Hill quase tirou os títulos de Schumacher. Em 1996 e 1997, o próprio Hill e Jacques Villeneuve ganharam com a Williams.
A discussão, no entanto, não parece aborrecer o próprio Schumacher, único dos parcipantes que ainda está vivo para opinar. Schumacher nunca comentou se vê em Senna um marco a ser superado, mas já demonstrou ter muito respeito pelo brasileiro. Quando superou o número de vitórias de Senna, chorou ao ser lembrado da marca pelos jornalistas. Recentemente, afirmou que considerou parar no fim de semana da morte de Ratzenberger e Senna.
A questão fica com sua similar do futebol: Quem foi melhor Pelé ou Maradona? A paixão, os números, os temperamentos e os feitos se misturam e a polêmica está armada. Pelé e Schumacher vencem nos números e feitos, mas Senna e Maradona comovem pelo talento e seus finais trágicos.
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Publicado em 20 de abril de 2004
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