| |

 |
Clã Senna mantém viva imagem do ídolo das pistas
Depois da morte do piloto, foi fundado o Instituto Ayrton Senna, que procura criar condições para o desenvolvimento das futuras gerações. "Era uma vontade do próprio Ayrton", conta a irmã, Viviane, em entrevista ao UOL. E o nome Senna continua nos autódromos: Bruno, sobrinho do tricampeão, começa carreira no kart.
Leopoldo Godoy Em São Paulo
 |
 |

| Juan Esteves/Folha Imagem |
 |
Ayrton e Bruno Senna, em 1992

|
|

Reservado e altivo. O clã Senna foge dos holofotes, mas trabalha para manter viva a imagem do integrante mais famoso. O irmão, Leonardo, toca os negócios. Os pais, "Dona" Neyde e "Seu" Milton, fazem vida de aposentados. Viviane, a irmã, encabeça o bem-sucedido Instituto Ayrton Senna. Bruno, um dos sobrinhos, segue os passos do tio morto e tenta a sorte do kart.
Viviane é a cabeça visível do clã. Representa a família em solenidades e declarações. Evita a polêmica ao máximo. Por exemplo, em entrevista ao UOL, se absteve de falar sobre a última polêmica da ex do piloto Adriane Galisteu ("Não devo nada ao Ayrton. Não ganhei dinheiro com a morte dele. Não montei barraquinha para vender camiseta e chaveirinho de Senna", disse Galisteu em entrevista recente à revista Contigo). Sem bate-boca. A mesma postura de ignorar a atual apresentadora de TV como interlocutora. Como fizeram quando Senna mantinha o relacionamento com ela.
 |
Viviane, durante velório do irmão

|
|
Após a morte do tricampeão, a imagem dele virou estandarte para causas sociais. O Instituto Ayrton Senna (IAS), gerido pela família, tem como missão declarada contribuir para a criação de condições e oportunidades para o desenvolvimento das futuras gerações. O projeto encampa ações nas áreas de educação formal e complementar, como arte e esporte.
"Em março daquele ano (1994), o Ayrton manifestou a vontade de realizar algo concreto pelas crianças e jovens do país. Não sabia exatamente o que pretendia fazer, mas sabia que era necessário trabalhar numa ação organizada para melhorar a qualidade de vida da garotada", conta Viviane, presidente do Instituto. "Ficamos de conversar mais sobre este plano, mas infelizmente não houve tempo", completa.
Segundo dados do IAS, o Instituto atingiu desde sua criação cerca quatro milhões de crianças e jovens, em 24 estados brasileiros, por meio de 3.375 parceiros, organizações não-governamentais, escolas e universidades. Em dez anos, foram investidos R$ 113 milhões em seus programas, provenientes do dinheiro gerado pela venda dos direitos de imagem de Senna para diversos produtos, camisetas, chaveiros, broches, etc.
O mais imporante, no entanto, é a criação do hábito dos esportistas contribuirem com a sociedade. Depois do IAS, surgiram diversos projetos encampados por atletas, como a Fundação Gol de Placa, dos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo. "Vários esportistas entraram em contato com o Instituto nestes últimos anos", conta Viviane, citando Cafu, Dunga, Ana Moser, Aurélio Miguel, Fernanda Keller, Gustavo Borges, Magic Paula e Popó. O IAS tem inclusive parceiras com outras iniciativas de esportistas, como a Fundação Guga Kuerten.
Um dos filhos de Viviane, Bruno, faz o sobrenome Senna voltar as pistas. E, se Nelson Piquet pode ter um filho (Nelsinho) caminhando para a F-1, porque Senna não teria um descendente direto fazendo parte do mundo do automobilismo? O jovem Bruno Senna, aos 20 anos, disse que gostaria muito de seguir do kart para a F-1, mas precisa primeiro convencer o avô Milton e a mãe Viviane a retirarem o embargo imposto depois da morte de Ayrton. Viviane preferiu não comentar sobre os caminhos de Bruno, mas será difícil controlar as vontades do jovem, que diz ter no sangue o amor pela velocidade. A ida para as pistas foi tardia, talvez pela pressão familiar, talvez pelo peso do nome. Começou no kart aos 18 anos, quando o normal é iniciar com 12 ou 13 anos.
Ayrton começou bem mais cedo. "Seu" Milton foi o grande incentivador do piloto. Senna sempre gostou de deixar claro que tinha em seus pais orientadores fundamentais. Compartilhava com eles e com os irmãos o mérito de ter chegado onde chegou. O pai, para completar, ainda seria o responsável pelos primeiros contatos com veículos motorizados, construindo o primeiro "kart" de Ayrton quando o futuro campeão tinha apenas quatro anos.
Crescer no barro de Santana, na zona norte de São Paulo, poderia ter distraído Senna de seu objetivo. Embora gostasse, segundo contam seus amigos, de empinar pipas e jogar futebol, Ayrton preferia aproveitar o tempo longe da escola trabalhando nos primeiros carrinhos. Os pais precisavam até chantagear o pequeno "Beco", como era o apelido de Senna entre os familiares, para que este se esforçasse nos estudos.
A primeira corrida foi logo aos oito anos, contra garotos de 15 a 20 anos. Fez a pole, como faria tantas vezes na carreira, mas desta vez por sorteio. Seguiu no kart até os vinte anos - sem ter conquistado o Mundial, sua maior frustração - para, em 1981, começar sua carreira na F-Ford inglesa. Venceu na categoria 1600, em 1981, nos campeonatos ingleses Townsend e RAC. No ano seguinte, na categoria 2000, sagrou-se campeão britânico e europeu. Em 1983, no último ano antes de partir para a F-1, Senna foi campeão britânico de F-3. O resto da história é de conhecimento público.
Leia também:
Há dez anos, Brasil ficava órfão de seu mito
Senna: ano a ano do tricampeão da F-1
Domínio de Schumacher ameaça reinado de Senna
Segurança foi legado da morte de Senna para a F-1
Publicado em 20 de abril de 2004
|
|