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Parceria, que será votada nesta sexta-feira, promete conduzir o Corinthians a títulos nacionais e internacionais. No entanto, há quem conteste a origem da candidata a parceira e duvide dos reais benefícios para o clube

Bruno Freitas e Leandro Laranjeira
Em São Paulo



Arquivo/Folha Imagem
Fiel espera que parceria torne
o Corinthians forte novamente


Nas últimas semanas, o torcedor do Corinthians praticamente abdicou de acompanhar o esforço do time de Tite na luta por uma vaga na próxima Copa Libertadores, tentando ficar entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. O assunto que toma conta da vida corintiana na atualidade é a possibilidade de parceria com o fundo de investimento britânico MSI (Media Sports Investments), que pode redirecionar o futuro do clube.
DEBATE QUENTE
Alberto Dualib,
presidente do Corinthians

"A prioridade é contratar reforços e montar uma equipe para ganhar tudo"
Kia Joorabchian,
representante da MSI

"Vamos transformar o Corinthians numa potência mundial, no time a ser batido no Brasil"
Romeu Tuma Jr.,
conselheiro
contra o acordo

"Isso não é uma parceria e nem um patrocínio, mas um arrendamento por 10 anos"
Tite,
técnico do Corinthians

"Não é o momento de falar no interesse da MSI no Vanderlei (Luxemburgo). Isso é especulação"

Nesta sexta-feira, uma reunião do CORI (Conselho de Orientação), seguido de sessão do Conselho do clube deve definir se o futebol do Corinthians estará nas mãos do fundo de investimento pelos próximos dez anos. Uma aprovação, acreditam alguns caciques corintianos e a ala otimista da torcida, pode conduzir a equipe ao topo do futebol brasileiro e sul-americano.

A MSI, na figura de seu representante, o iraniano Kia Joorabchian, prometer injetar US$ 35 milhões para sanar as dívidas do clube (estimadas em US$ 20 milhões), além de contratar jogadores de ponta tornar o Corinthians um time competitivo e vencedor, como no passado recente da conquista do bicampeonato brasileiro (1998 e 1999) e do Mundial de Clubes da Fifa (2000).

Talvez na tentativa de emplacar a parceria no Corinthians, a MSI não hesitou em nenhum momento em tratar de nomes. De cara, o fundo britânico já fez o torcedor corintiano sonhar alto, falando em propostas por astros do continente da estirpe de Robinho e Carlos Tévez.

De acordo com o conselheiro Andrés Sanchez, eminência parda do clube, mesmo antes do contrato ser assinado, já foram feitas propostas oficiais para três jogadores. Além de Tévez, astro do Boca Juniors, foram procurados o meia Leandro Romagnoli, do San Lorenzo, e Roger, armador do Fluminense que é atrelado ao Benfica.

REFORÇOS SONHADOS
Carlos Tévez (Boca Junios)
Robinho (Santos)
L. Romagnoli (San Lorenzo)
Roger (Fluminense)
Washington (Atlético-PR)
Petkovic (Vasco)
Reinaldo (Paris Saint-Germain)

Wagner Ribeiro, empresário de Robinho, também confirmou a sondagem de Kia Joorabchian para levar o atacante ao Corinthians. No entanto, a proposta, que nem chegou a ser apreciada pelo clube do litoral, foi prontamente descartada.

No fax enviado ao Boca Juniors, o Corinthians teria oferecido US$ 18 milhões para ter Tévez. No entanto, além da parceria ainda não ter sido definida, o clube paulista entraria em desvantagem na disputa pelo meia argentino, que tem propostas e preferência por uma negociação com o futebol da Europa.

Tévez à parte, nos agitados corredores do Parque São Jorge não se desmentem também movimentos para tentar trazer Washington, artilheiro do Campeonato Brasileiro, e Petkovic, meia do Vasco. Mas o que parece certeza mesmo é que, se a parceria sair do papel, o fundo tentará a contratação de Vanderlei Luxemburgo, técnico que não costuma se esquivar de boas propostas. O treinador santista, inclusive, já teria jantado quatro vezes com representantes da MSI.

PRINCIPAIS TÓPICOS
De imediato, a nova parceira se compromete a investir US$ 15 milhões para reforçar o time.
O clube ficará com 20% do valor de uma futura negociação envolvendo algum atleta contratado pelo grupo estrangeiro e 80% em transferências daqueles que já estão no time.
Entre as metas do acordo estão a contratação de três jogadores de nível de seleção, ampliação do CT de Itaquera e as construções da Vila Olímpica (no espaço onde fica o CT do Parque Ecológico) e de mais um centro de treinamento - que seria erguido em Santo Amaro.
A cada ano, as duas partes dividirão o lucro exatamente na porcentagem de cada uma das partes na Corinthians-MSI -51% para a empresa offshore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, e 49% para o clube. Em caso de prejuízo ao fim do exercício, a MSI se compromete a arcar com 100% do déficit.
Os US$ 20 milhões iniciais, garantidos por meio de carta de crédito, serão para saldar dívidas. Todas as receitas do Corinthians vão para a Corinthians-MSI.
A MSI terá prioridade para construir uma arena na cidade São Paulo, mas não tem a obrigação de realizar a obra.
Quem quebrar o contrato deverá pagar US$ 25 milhões.

Mas, na contramão da euforia do sonho de 'supertime' aparece a incredulidade da oposição à parceria, personificada em Romeu Tuma Júnior. De acordo com o delegado e deputado estadual, o grupo que ambiciona controlar o futebol do Corinthians tem origens obscuras, com suspeitas de ligações de seu principal nome, o russo Boris Berezovsky, com a guerrilha separatista da Tchetchênia.

Além disso, Tuma Júnior alega que, ao analisar as bases do contrato, a parceria pode ser extremamente nociva para o futuro corintiano. O deputado acredita que o acordo seria muito mais vantajoso para o fundo, que controlaria boa parte dos lucros da equipe, com negociações de jogadores e até receita de direitos de televisão, pelos próximos dez anos - com direito a extensão contratual de mais uma década. Por fim, o delegado assegura que a proposta do grupo ainda vem do descrédito de ser recusada por Palmeiras, Santos e Grêmio.

Na defesa da proposta, o conselheiro e porta-voz da parceria Jorge Kalil afirma que qualquer prejuízo que o Corinthians venha a ter nos próximos anos será resolvido pela MSI. No entanto, o grupo inglês terá uma participação de 51% apenas nos lucros do capital social, contra 49% do clube.

Na reta final de discussões, o deputado estadual Romeu Tuma Júnior promete inviabilizar a votação desta sexta-feira, com uma liminar na Justiça. Mas, mesmo que o acordo seja selado, a 'resistência' corintiana deve brigar nos tribunais para invalidar a decisão.

De fora, a Fiel corintiana acompanha o imbróglio, esperando logicamente que a história renda efeitos positivos imediatos para a equipe profissional. Além de um time forte, a imensa legião de corintianos mais uma vez deposita a esperança de ter um estádio próprio na eventual parceria.

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Publicado em 5 de novembro de 2004




Ficou excelente (o contrato proposto). Se aceitarem do jeito que propusemos, será um néctar dos deuses para a gente
Jorge Kalil, conselheiro do Corinthians e porta-voz da parceria




35

milhões de dólares é a quantia que a MSI promete injetar de imediato no clube




Resistência
Aqueles que se opõem à parceria alegam que a oferta foi recusada por outros clubes brasileiros, como Palmeiras e Santos