A temporada consagrou, enfim, o saltador Jadel Gregório como o principal nome do atletismo brasileiro. Em 2007, o paranaense de 27 anos obteve os maiores feitos da modalidade no país: saltou a melhor marca do ano, quebrando um recorde sul-americano que datava de 1975, e pôs fim a um tabu no salto triplo, prova na qual o Brasil nunca havia conseguido um pódio no Campeonato Mundial.
Em maio, Jadel deu o primeiro salto para ser alçado à supremacia do atletismo brasileiro quando alcançou 17,90 m no GP Brasil, em Belém. A marca, a principal do continente, superou em um centímetro o índice que estava em poder do lendário João do Pulo havia 32 anos.
Dois meses mais tarde, já com status de favorito, Jadel Gregório contou com a fragilidade de seus adversários e com o apoio da torcida do Estádio João Havelange para conquistar sem sustos a medalha de ouro no salto triplo dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Ele precisou de apenas 17,27 m para pôr o Brasil novamente à lista de campeões da prova, o que não acontecia desde o Pan de San Juan-1979, também com João do Pulo.
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Com isso, Jadel chegou ao Mundial de atletismo, na cidade japonesa de Osaka, em agosto, como principal candidato ao primeiro ouro do Brasil na competição. Seu tradicional concorrente, o sueco campeão olímpico e mundial Christian Olsson, lesionado, estava fora de cena pelo 2º Mundial consecutivo.
Mas, sem se aproximar da marca de Belém, Jadel foi surpreendido pelo cabo-verdiano naturalizado português Nélson Évora. Na primeira série de salto, o brasileiro saltou apenas 16,98 m, quando Évora já cravou 17,74 m. Nas demais tentativas, ele fracassou em superar o adversário e, com 17,59 m, assegurou um vice-campeonato histórico, à frente do então campeão mundial, o norte-americano Walter Davis, que ficou com a medalha de bronze, com a marca de 17,33 m.
Se Jadel ainda falhou em pôr fim ao jejum de medalhas de ouro do Brasil na história dos Mundiais, certamente o saltador pôde dissipar as dúvidas quanto as reais chances em Pequim, onde aposta em novo pódio. Em Atenas-2004, Jadel foi quinto colocado e viu Olsson levar o ouro com 17,79 m. Na China, o brasileiro tem como meta ultrapassar a barreira dos 18 metros.
No Mundial de Osaka, o Brasil teve uma única medalha, a de Jadel. Já nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o atletismo brasileiro obteve a histórica e inédita marca de nove medalhas de ouro, com trunfos de novatos como Fábio Silva, que venceu no salto com vara masculino, quebrando um recorde que perdurava 21 anos, com 5,77 m. Outra novata que ganhou as manchetes foi Sabine Heitling, que desbancou a favorita Zenaide Vieira nos 3.000 m com obstáculos. Mas o sucesso continental está longe de fomentar expectativas de sucesso na Olimpíada.
Por ora, Jadel Gregório segue como a principal esperança de medalha olímpica do país. Outras apostas nacionais, as também saltadoras Maurren Maggi e Keila Costa, não fizeram frente às russas na prova em distância. No triplo, a pernambucana também não ofereceu perigo. Por sua vez, Fabiana Murer, que é recordista sul-americana do salto com vara, pouco pôde fazer na coroação da russa Yelena Isinbaeva como o principal nome da prova.
Fora das pistas, o Brasil também pode se surpreender com o fundista Marílson dos Santos. Já classificado para a maratona olímpica, Marílson fez história ao tornar-se o primeiro brasileiro a vencer a tradicional maratona de Nova York em 2006, e foi o oitavo colocado em novembro.
A norte-americana Marion Jones admitiu uso de doping antes dos Jogos de Sydney, em 2000, e teve que devolver as cinco medalhas: ouro nos 100 m, 200 m rasos e 4x400 m, e bronze no 4x100 m e no salto em distância, além de perder o seu recorde mundial.
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