Nos últimos anos, o São Paulo tem mantido uma rotina de títulos de dar inveja a qualquer adversário. E em 2007 não foi diferente. Mesmo depois de sofrer a pressão pela queda precoce nas oitavas-de-final da Copa Libertadores da América, o time do Morumbi fez um Campeonato Brasileiro impecável e levantou a taça do Nacional pela quinta vez. Já havia vencido a competição em 1977, 1986, 1991 e 2006.
A soberania tricolor na competição foi tão grande que o título chegou com quatro rodadas de antecedência, no dia 31 de outubro, em vitória por 3 a 0 sobre o rebaixado América-RN. E mais: a diferença de 15 pontos para o vice-campeão Santos não só comprova a superioridade são-paulina como entra para a história da competição por pontos corridos como a maior desde o seu início, em 2003.
O começo dessa caminhada rumo ao pentacampeonato brasileiro, no entanto, não foi tão fácil. Eliminado no Campeonato Paulista depois de vexatória derrota por 4 a 1 para o São Caetano, em casa, e fora da Libertadores nas oitavas-de-final após perder para o Grêmio, o técnico Muricy Ramalho ficou na corda bamba e o presidente Juvenal Juvêncio precisou aparecer em cena para cobrar os jogadores.
A pressão feita pela diretoria e a garra pedida pelo treinador tricolor mudaram o astral do elenco são-paulino. Liderado por Rogério Ceni e dono de uma defesa "intransponível" (sofreu apenas 19 gols em 38 partidas), o São Paulo se adaptou rapidamente às saídas de jogadores como Ilsinho e Josué e conseguiu emplacar um período de 16 jogos sem perder - seqüência que fez o time disparar na ponta da tabela.
Muricy Ramalho e a diretoria tricolor, porém, não comemoraram apenas a conquista de mais um Campeonato Brasileiro, o segundo seguido do treinador. O número de jogadores que ganharam destaque está entre os pontos altos do elenco campeão. Hernanes ficou com a vaga de Josué, do Wolfsburg, e fez o torcedor "esquecer" o ídolo. Richarlyson cresceu, Miranda comandou a defesa e Breno apareceu.
Esse último, por sinal, rendeu aos cofres do São Paulo US$ 19 milhões no final desta temporada. Aos 18 anos, o zagueiro revelado nas categorias de base tricolor e alçado aos profissionais por Muricy Ramalho, acertou transferência para o alemão Bayern de Munique. Antes de vendê-lo, o time paulista já havia negociado Ilsinho, Josué e Lenílson, ganhando aproximadamente R$ 24 mi.
Mas nem tudo foi alegria para o São Paulo neste Campeonato Brasileiro. No dia 7 de outubro, no estádio do Morumbi, o time perdeu por 1 a 0 para o rival Corinthians, mais tarde rebaixado à série B, e viu o fim de uma hegemonia de mais de quatro anos em jogos contra os alvinegros.
Por outro lado, a equipe do Morumbi teve aproveitamento excelente contra seus principais concorrentes ao título. Quando o líder era o Botafogo, venceu no Maracanã. Nos tempos de ameaça do Grêmio, fez 2 a 0 em Porto Alegre. Ante o rival paulista mais próximo, o Santos, venceu as duas. E contra o Cruzeiro, time que mais perseguiu o São Paulo, foram duas vitórias.
E teve ainda a polêmica sobre quem foi realmente o primeiro pentacampeão brasileiro: o Flamengo, em 1992, ou o São Paulo, em 2007. A dúvida gerou discussão entre os dois clubes e a CBF se omitiu da disputa, deixando a 'taça das bolinhas' mais um ano sem dono.