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Fernando Donasci/Folha Imagem

Melhor participação brasileira no Pan camufla falhas estruturais e problemas orçamentários

O Brasil teve que esperar 44 anos para receber pela segunda vez o maior evento esportivo das Américas. Após a experiência em São Paulo-1963, foi a vez do Rio de Janeiro ser a sede dos Jogos Pan-Americanos, em 2007.

Diante de sua torcida, que sofreu para comprar ingressos e vaiou o presidente Lula na cerimônia de abertura, a maior delegação brasileira da história dos jogos continentais obteve a melhor participação do país na competição. Com 161 medalhas, sendo 54 de ouro, 40 de prata e 67 de bronze, o Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos (237 medalhas). O desempenho colocou a equipe nacional em terceiro na classificação geral, atrás também de Cuba, que subiu 59 vezes ao lugar mais alto do pódio. Depois do Pan, o Brasil perdeu cinco medalhas por causa de doping.

O sucesso nas quadras, tatames, pistas, piscinas e arenas deixou em segundo plano as falhas estruturais, os problemas orçamentários e entraves judiciais que começaram antes do início do Pan e se estendem mesmo após o encerramento do evento.

Com um custo total de R$ 3,7 bilhões aos cofres públicos (municipal, estadual e federal), o gasto final foi quase 800% superior ao previsto. O alto investimento nos Jogos despertou suspeitas, investigadas a fundo pela Polícia Federal com o apoio do Ministério Público Federal.

Mesmo com o valor exorbitante gasto pelo poder público, as instalações foram alvo de críticas de atletas e especialistas. O carpete utilizado nas plataformas de saltos ornamentais do Parque Aquático Maria Lenk e a quadra emborrachada da arena Riocentro não agradaram aos competidores.

As obras esbarraram em greves, problemas de entrega de materiais e falhas no projeto original, empecilhos que provocaram atrasos na entrega das arenas, a maioria inaugurada em cima da hora, e criticadas pelo Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro), após os Jogos.

O estádio João Havelange, o Engenhão, foi um dos que mais sofreram com o atraso. Com previsão de entrega em 2005, o complexo foi inaugurado somente dois anos depois. Para se chegar ao modelo ideal, a prefeitura do Rio de Janeiro gastou R$ 320 milhões, mas enfrentou problemas de projeto, que não previam tubulações de água e esgoto pré-existente no terreno. Fora da área de disputa, o governo municipal teve que lidar com greves de operários pedindo melhores condições de trabalho e manifestações de moradores do entorno, que criticaram a remoção de famílias do bairro.

Após os esforços para erguer o estádio, as competições foram realizadas e o Brasil brilhou no atletismo. Mas a principal arena construída para o Pan decepcionou e por duas vezes, após o fim dos Jogos, muros do Engenhão cederam, sem ferir ninguém.

Outra obra que gerou críticas foi o estádio de remo da Lagoa da Conceição. Tombado pelo patrimônio histórico, o local foi alvo de batalhas judiciais. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) não aprovou, inicialmente, as reformas no local e chegou a embargar os trabalhos, situação revertida pelo governo estadual.

A desorganização, no entanto, não interferiu no andamento dos Jogos. Tudo corria bem, até as chuvas e os ventos castigarem a Cidade do Rock, local de disputa do beisebol e softbol.

Com três dias de atrasos na programação, a seleção cubana conquistou o décimo título consecutivo no beisebol, ao vencer os norte-americanos, que diante da lama no local propuseram "rachar" o ouro. No softbol, as mulheres não tiveram a mesma 'sorte' e viram o torneio ser encerrado sem realizar semifinais e final. Os Estados Unidos levaram o ouro pela melhor campanha e Canadá e Venezuela ficaram com a prata.

Mas nenhum problema estrutural foi suficiente para deixar uma má impressão. Na cerimônia de encerramento, o presidente da Odepa, o mexicano Mario Vázquez Raña, declarou o Pan-Americano do Rio de Janeiro o melhor da história, como de praxe.

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HOMEM DE OURO

Pereira comanda natação brasileira

Thiago Pereira foi o destaque do Brasil ao ganhar 8 medalhas, sendo 6 de ouro, e se tornar o maior medalhista brasileiro em uma única edição dos Jogos e também maior detentor de ouros em um Pan. As conquistas ajudaram a natação a subir 29 vezes ao pódio.

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