Os jogos de Roger Federer e Rafael Nadal continuaram entre os mais falados do circuito. Porém, o líder e vice do ranking mundial viram os holofotes mudarem de direção na temporada de 2007 por causa do escândalo de uma suposta máfia de manipulação de resultados.
Os problemas começaram quando o número 4 do mundo, o russo Nikolay Davydenko, abandonou um jogo contra o argentino Martin Vassallo Arguello, na época o 87º do ranking. O que chamou atenção e gerou uma onda que repercutiu em outros tenistas foi o alerta que a casa de apostas Betfair deu para a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).
Para o minguado jogo, pelo Torneio de Sopot, as apostas foram na casa dos US$ 7 milhões, quase sete vezes mais que o normal. Mais suspeito ainda foi que a maioria colocou dinheiro a favor do argentino. A partir daí, vários tenistas foram acusados na questão do complô de resultados.
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O inglês Andy Murray também colocou "molho" na polêmica e disse que a conduta de negócios com apostadores é comum.
O escândalo invadiu o circuito. Flávio Saretta e Marcos Daniel, os primeiros do ranking brasileiro, chegaram a admitir que foram procurados por apostadores para deixar os rivais vencerem em troca de dinheiro. Até Gustavo Kuerten teve um jogo considerado suspeito por uma consultoria contratada pelo site Tennis.com. A partida citada foi contra o italiano Filippo Volandri no Aberto do Brasil deste ano. Guga venceu, mas segundo a consultoria, o italiano teve atitudes suspeitas durante o jogo.
Outro italiano, Alessio di Mauro, foi o primeiro a ser punido mais severamente pela ATP. Número 124 do mundo, ele foi acusado de fazer apostas nas partidas do esporte. O tenista foi suspenso por nove meses e teve multa de US$ 60 mil. Davydenko foi outro que chegou a ser sancionado. Depois de perder uma partida em São Petersburgo, com 10 duplas faltas em um set, ele recebeu uma multa de US$ 2 mil. A entidade, entretanto, reviu a punição semanas depois.
No total, a ATP marcou 150 jogos para investigar. Em carta conjunta com a WTA (Associação de Tênis feminino) e a ITF (Federação Internacional de Tênis), os órgãos prometeram acabar com as suspeitas e punir os envolvidos no escândalo.
Em quadra, o líder do ranking Roger Federer não precisou de qualquer combinação de resultado, mas sofreu para chegar ao quarto título seguido da Corrida dos Campeões. Desde que assumiu a liderança em 2004, o suíço não tinha uma temporada tão competitiva.
No começo do ano, viu Rafael Nadal despontar em primeiro na pontuação da temporada. Federer precisou conquistar três torneios do Grand Slam em 2007 (Austrália, Wimbledon e EUA) para ultrapassar o seu rival na Corrida. Mesmo assim, Nadal só perdeu o posto em setembro quando foi mal no Aberto dos EUA.
Os números mostram que o ano foi dos mais difíceis para o suíço. Desde que se tornou líder do ranking, ele sempre apresentou números acima de 92% de aproveitamento. Em 2007, a campanha passou um pouco dos 88%.
O que pode parecer mero detalhe numa carreira tão vencedora pode se tornar preocupação em 2008. Fora Nadal, o sérvio Novak Djokovic promete também crescer na temporada que vem, ainda mais quando tem que defender menos pontos do que Federer.
Mesmo com Guga mais ativo do que em 2006, o Brasil não viu avanços no ranking e terminou o ano fora dos 100 melhores do mundo. A salvação veio nas duplas, com André Sá e Marcelo Melo indo a semifinal de Grand Slam e ficando em 16º lugar no ranking.
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