Árbitro geral de Wimbledon defende torcida barulhenta do Brasil e se declara palmeirense
Rafael Krieger
Do UOL, em São José do Rio Preto
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Rafael Krieger/UOL
Andrew Jarrett, árbitro geral de Wimbledon, mostra camisa do Palmeiras durante a Davis em Rio Preto
O britânico Andrew Jarrett, árbitro geral do torneio de Wimbledon, foi o responsável por coordenar o confronto entre Brasil e Rússia pela Copa Davis em São José do Rio Preto. Mas ele já conhecia o país, e na sua primeira vez em território brasileiro, foi levado para assistir a um jogo do Palmeiras. Gostou, e o alviverde passou a ser o seu segundo time do coração.
O primeiro é o Derby County, que joga na segunda divisão inglesa. Ao ser informado sobre a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, Jarrett sorriu e se identificou mais ainda. E ainda mostrou a camisa palmeirense com o seu nome, presente do árbitro brasileiro Ricardo Reis, que o levou ao estádio para ver o time.
Talvez por ter acompanhado o clima de um jogo do Palmeiras no estádio, Jarrett não se impressionou com a barulhenta torcida pelo Brasil em Rio Preto. Além da bandinha comandada pela corneta do torcedor-símbolo Dartagnan, havia pratos, cornetas e apitos em abundância espalhados pelas arquibancadas do Harmonia Tênis Clube.
Para agravar a situação, cerveja era vendida sem restrições, e muitos levavam fardos inteiros de latinhas dentro de seus isopores diretamente para a arquibancada. Mas, segundo o árbitro, nada disso provocou um incidente sequer. Ele até gostou da barulheira, e elogiou o bom senso da torcida ao saber quando é hora de ficar quieto.
Andrew Jarrett tem 54 anos e, como jogador, chegou à 140ª posição no ranking da ATP. Como juiz de tênis, chegou mais longe. Depois da aposentadoria do lendário Alan Mills, coube a ele assumir o posto de árbitro geral do tradicional torneio de Wimbledon, cargo que ocupa desde 2006.
Em entrevista ao UOL Esporte, Jarrett falou sobre o barulho da torcida em São José do Rio Preto, que não se repetirá na primeira rodada do Grupo Mundial no ano que vem, porque o sorteio definiu que o Brasil jogará fora de casa contra os Estados Unidos.
O que achou do comportamento da torcida? Houve algum incidente?
Não tenho nada a reclamar da torcida, na verdade fiquei muito feliz com o público, que foi magnífico. Souberam quando fazer barulho e quando ficar quietos. Eles fizeram uma grande atmosfera de Copa Davis. E isso é muito bem-vindo. Acho que os caras que tocavam música foram fantásticos, fizeram barulho e deram um clima legal para o evento. E, além disso, eles entendem de tênis. Então eles sabem quando podem fazer barulho, e também a hora de parar. E isso foi muito útil, porque na verdade guiava o resto dos espectadores, que ficava sabendo quando era preciso ficar quieto.
Você chegou a ficar preocupado ao ver torcedores com instrumentos?
Já teve isso outras vezes, sabemos que sempre vai ter aqui no Brasil, mas acontece em outros países também. Na verdade é muito agradável, gostaria de ver isso mais vezes, contribui para a atmosfera do evento.
Então o bom comportamento da torcida surpreendeu você?
Nós estamos sempre preparados para a possibilidade de as coisas darem errado. Obviamente que nós conversamos antes do evento sobre as chances de incidentes acontecerem. Mas nós temos uma expressão, que é ‘espere pelo melhor, mas prepare-se para o pior’. Nós esperamos o melhor e acabou sendo ótimo, tudo saiu como o esperado.
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Como árbitro, você prefere torcidas barulhentas ou quietas?
Gosto do equilíbrio, das diferenças entre os lugares. Se fosse sempre a mesma coisa, seria horrível. Gosto da plateia quieta e respeitosa, como temos em Wimbledon, mas também gosto da torcida barulhenta e musical da Copa Davis, incluindo aqui.
Qual foi o maior desafio na organização do evento?
Acho que tivemos uma recepção maravilhosa aqui, os brasileiros são fantásticos, fomos recebidos com muito calor humano, trabalhamos em conjunto com a equipe local e eles também foram muito receptivos. No geral, gostamos do que vimos. Sempre há pequenos problemas, que acontecem em todos os confrontos. Não importa o quanto seja bom, sempre podemos melhorar, e foi o caso aqui.
O que dizer da estrutura do Brasil comparada a eventos de outros países?
Acho que há um grande passo a ser dado entre os zonais e o Grupo Mundial. Quando você joga na elite, as demandas serão maiores, talvez seja preciso acomodar mais público, as exigências em relação à arena obviamente serão maiores. Já avisamos aos organizadores sobre alguns pontos a serem aprimorados, também já pensando no futuro, em um confronto do Grupo Mundial, e tentamos trabalhar em conjunto com a confederação local e também com o clube e a ITF. É um grande evento, e que envolve muitas pessoas e grande esforço conjunto.
O calor chegou a incomodar?
Minha esposa e eu temos uma casa no Panamá, estamos acostumados ao calor, e gostamos [ele trouxe a sua mulher para o Brasil]. Então não há problema nenhum, preferiria viver em um lugar quente do que em um lugar frio. Agora estou aproveitando o Brasil, amanhã vou para o Panamá, mas em alguns dias vamos ter que voltar ao Reino Unido, e aí eu não vou aproveitar tanto porque vai estar muito mais frio. Mas eu vou poder ver o meu time de futebol, então vai ser bom. Enfim, estou ansioso para voltar para casa e ver minha filha, meu cachorro e o Derby County. Não necessariamente nessa ordem.
