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03/03/2004 - 23h23
Presidente da CBT admite boicote, mas diz confiar em Jaime Oncins
Régis Andaku Em São Paulo
O presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Nelson Nastás, admite a possibilidade de boicote dos atletas no confronto contra o Paraguai pela Copa Davis, no próximo mês, mas avisa que esse tipo de atitude não vai atrapalhar seu mandato à frente da entidade máxima do esporte no país.
De 9 a 11 de abril, na Costa do Sauípe, litoral da Bahia, o Brasil pega o Paraguai pela segunda divisão da Copa Davis. Se ganhar esse confronto, o país disputa em setembro a repescagem para voltar ao Grupo Mundial. Se perder, vai continuar mais um ano, pelo menos, no grupo zonal.
 | | | Nastás: oposição dos tenistas da equipe | Os jogadores, abertamente contrários à permanência de Nastás no comando da entidade, viram na troca de capitão, anunciada pela CBT sem consulta aos tenistas, um motivo para promover o boicote a forçar Nastás a sair.
"Os jogadores podem boicotar, sim, mas não acho (o boicote) oportuno", disse Nastás em conversa exclusiva com o UOL em sua sala na sede da entidade, em São Paulo "Isso não me atingiria nem atingiria a confederação. Seria ruim para o capitão, para os jogadores, enfim, para a própria equipe. Eles é que sairiam queimados."
Para o presidente da CBT, o novo capitão da equipe, Jaime Oncins, não vai sucumbir às pressões dos tenistas para devolver o cargo. "Conheço o Jaime desde pequeno. É uma pessoa de personalidade e está concretizando um sonho. Ele tem um projeto e já está colocando em prática", disse.
 | | | Oncins: porta-voz da CBT entre os atletas | A movimentação dos atletas, porém, já começa a surtir efeito. Nastás tinha a idéia de criar um conselho para gerir a equipe da Copa Davis. Planejou colocar o ex-tenista Carlos Alberto Kirmayr nesse conselho. Diante do veto dos tenistas a Kirmayr, desistiu.
Ausente da Costa do Sauípe durante o Aberto do Brasil, quando a troca de Ricardo Acioly por Oncins causou confusão, o dirigente diz que estará no resort baiano para o confronto da Copa Davis.
"Falaram que eu tinha 'soltado a bomba' e ido para o Carnaval na Europa. Essa repercussão me surpreendeu. Fui para uma reunião da Federação (Internacional de Tênis) em Bruxelas. Se pudesse, não trocaria o verão e o Carnaval por nada."
Nastás diz ainda não temer qualquer ação do grupo que faz oposição ou mesmo dos jogadores. "Tenho mandato até dezembro de 2004 e vou cumprir esse mandato. O que vou fazer depois, isso eu não decidi ainda", disse ao UOL.
Questionado sobre a possibilidade de deixar a CBT e ficar ligado à entidade nos contatos internacionais (Nastás é um dos vice-presidentes da ITF), não descartou essa hipótese. Mas, nas entrelinhas da agradável conversa de 57 minutos, deixou claro sua disposição em conseguir mais um mandato.
Para entender a crise do tênis nacional, leia reportagem especial do UOL clicando aqui.
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