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09/03/2004 - 10h21
Guga anuncia que não joga a Copa Davis contra o Paraguai
Da Redação Em São Paulo
Gustavo Kuerten anunciou nesta terça-feira que não disputará os jogos da Copa Davis, em que o Brasil enfrenta o Paraguai, de 9 a 11 de abril, na Costa do Sauípe.
Integrante da equipe brasileira desde 1996, com um recorde de 29 vitórias e 14 derrotas na competição, tendo defendido o Brasil em 17 confrontos, Guga optou por não jogar a Davis por não concordar com a atual administração da Confederação Brasileira de Tênis.
 | | | Gustavo Kuerten desiste de disputar confronto contra o Paraguai na Davis | "Foi uma decisão muito difícil que eu tive que tomar. Jogo a Davis desde 1996 e só deixei de representar o meu país, uma vez, por motivos de saúde (no confronto contra a República Tcheca, em fevereiro de 2002). Tenho a Davis no sangue, vivi grandes emoções competindo, já joguei até machucado e estou triste por ter que deixar de jogar desta vez", disse o tenista.
"Mas, pelo tênis brasileiro e pelo futuro dos tenistas, tive que escolher este caminho, por ver que a administração atual pouco fez para desenvolver o tênis e ajudar os tenistas. Já se passaram mais de sete anos que ganhei Roland Garros pela primeira vez e durante este período fui número um do mundo, o tênis ganhou projeção, visibilidade na mídia, novos patrocinadores, mas a Confederação não aproveitou para fazer um bom trabalho de base. Hoje em dia se tornar um jogador de tênis continua tão ou até mais difícil do que quando eu comecei a jogar", completou Guga.
Tricampeão de Roland Garros, entre os 20 títulos que tem no circuito e líder do ranking mundial por 43 semanas, Guga se sentiu desrespeitado pela CBT, quando a entidade passou a interferir nos aspectos técnicos da Copa Davis, como a escolha do local e piso dos jogos e até mesmo trocou de capitão, sem avisar ou consultar os jogadores.
"Desde o confronto com o Canadá a gente vinha tentando um diálogo com a CBT. Fizemos uma reunião entre todos os jogadores e técnicos, com o presidente e dissemos que não estávamos contentes com a administração, que já havia passado muito tempo e que nada estava sendo feito. Depois dali a gente não viu nenhuma mudança e acho que chegou ao ápice agora, quando a CBT passou a tomar atitudes que influenciam diretamente na parte técnica", comentou.
A escolha de Jaime Oncins para o lugar de Ricardo Acioly como capitão da equipe foi a gota d'água para Guga. "Não fomos consultados sobre a escolha do local dos jogos e nem sobre a troca de capitão da Davis. Quando a gente ganha um confronto, nós jogadores somos elogiados. Quando perdemos, como foi contra o Canadá, no ano passado e somos rebaixados, nós jogadores levamos a culpa, não a CBT. Quem atua na Davis somos nós, os jogadores e fomos completamente desrepeitados."
Guga viaja na noite desta terça para os Estados Unidos, para disputar os Masters Series de Indian Wells e Miami.
Crise A reportagem do UOL Esporte já havia antecipado que, em meio à festa pela conquista do Aberto do Brasil por Guga, o tênis brasileiro vivia a sua maior crise desde que a modalidade voltou a ocupar as manchetes dos meios de comunicação, com a conquista do número um do país em Roland Garros, em 1997.
O próprio presidente da CBT, Nelson Nastás, admitiu a possibilidade de boicote no confronto contra o Paraguai, mas avisou que esse tipo de atitude não atrapalhará seu mandato à frente da entidade.
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