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  09/03/2004 - 18h43
Guga alega "insatisfação geral" por desistir de enfrentar o Paraguai pela Davis

Da Redação
Em São Paulo

A insatisfação com o tratamento dado ao tênis brasileiro foi o principal motivo alegado por Gustavo Kuerten por ter desistido de disputar o confronto contra o Paraguai, pela segunda rodada da Zona Americana da Copa Davis.

O Brasil joga entre os dias 9 e 11 de abril, na Costa do Sauípe (BA), em busca de vaga na repescagem para o Grupo Mundial. Se passar, decidirá, em setembro, sua volta à elite do esporte.

"Sinto que o descontentamento não é só meu", afirmou o melhor tenista do país, pouco antes de embarcar para os Estados Unidos, onde, a partir de sexta-feira, disputa o Masters Series de Indian Wells.

"Isso também acontece com os jogadores juvenis. E os treinadores também estão insatisfeitos com a atual situação", complementou Guga, referindo-se à administração do presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás.

Guga reiterou, no aeroporto de Florianópolis (SC), que sua decisão não tem caráter exclusivo. "Quero mostrar que há muita gente insatisfeita com a situação e, se continuasse assim, passaria mais cinco ou dez anos com os mesmos problemas", afirmou.

O tenista catarinense, número 16 do ranking de entradas, mostrou-se preocupado com o falta de aproveitamento do bom momento do esporte, desde que ele ganhou o Torneio de Roland Garros pela primeira vez, em 1997.

"Não tenho nada a ganhar com uma atitude como essa", comentou. "Do jeito que estava, a "Era Guga" passaria, toda a motivação em cima do tênis brasileiro acabaria e não teríamos feito nada para mudar essa situação."

Desde 1996, Guga só havia deixado de representar o Brasil na Copa Davis em uma oportunidade. Isso aconteceu na primeira rodada do Grupo Mundial, em 2002, quando a equipe foi eliminada pela República Tcheca.

Crise
A reportagem do UOL Esporte já havia antecipado que, em meio à festa pela conquista do Aberto do Brasil por Guga, o tênis brasileiro vivia a sua maior crise desde que a modalidade voltou a ocupar as manchetes dos meios de comunicação, com a conquista do número um do país em Roland Garros, em 1997.

O próprio presidente da CBT, Nelson Nastás, admitiu a possibilidade de boicote no confronto contra o Paraguai, mas avisou que esse tipo de atitude não atrapalhará seu mandato à frente da entidade.

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