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10/03/2004 - 14h49
Jaime Oncins renuncia ao cargo de capitão do Brasil na Davis
Marcos Pereira Em São Paulo
Envolvido em uma das maiores crises da história do tênis no país, Jaime Oncins decidiu, na tarde desta quarta-feira, renunciar ao cargo de capitão da equipe brasileira da Copa Davis. Antes dele, Gustavo Kuerten e Flávio Saretta, os dois principais jogadores do Brasil, já haviam anunciado que não disputarão o confronto contra o Paraguai, pela Zona Americana da competição, entre os dias 9 e 11 de abril.
Durante o anúncio de sua desistência, Oncins também revelou que André Sá, que é treinado pelo ex-capitão, também desistiu de participar das partidas, depois de saber que Guga abandonara a equipe em protesto contra a atual administração da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).
 | | | Depois de Guga e Saretta, o capitão Jaime Oncins deixa a equipe brasileira | A renúncia de Oncins acontece algumas horas depois de a polícia invadir a sede da CBT, em São Paulo, em busca de documentos. O presidente Nelson Nástas e outros dirigentes são acusados de formação de quadrilha e falsidade ideológica.
De acordo com Oncins, a decisão de renunciar ao cargo começou a ser tomada na semana retrasada, na Costa do Sauípe, em conversa com os principais tenistas do país, que disputaram o Aberto do Brasil. O ex-tenista comunicou sua decisão à CBT na manhã desta quarta.
"Desde que assumi sempre me posicionei como capitão. Disse que estaria com os tenistas do início ao fim", afirmou Oncins, em São Paulo. A CBT ainda não se pronunciou sobre a saída de Oncins.
Assumir o posto de capitão da equipe brasileira da Copa Davis era um antigo sonho de Jaime Oncins. Sonho esse que se tornou realidade no final do mês passado, quando ele foi convidado pela CBT para substituir Ricardo Acioly.
Entretanto, a troca de comando da equipe da Davis, na véspera da disputa do Aberto do Brasil, detonou uma grave crise. Os tenistas, descontentes por não terem sido consultados sobre a mudança, passaram a criticar, publicamente, a mudança.
A situação começou a ficar insustentável na terça-feira, quando Gustavo Kuerten anunciou que não disputaria o confronto contra o Paraguai, pela Davis. Nesta quarta-feira, Flávio Saretta fez o mesmo.
Oncins disse que já sabia da desistência dos dois tenistas -e de André Sá- desde segunda-feira. "Achei ético esperar pelo anúncio oficial do Saretta para expressar minha decisão", disse Oncins.
"Sempre achei que poderia estar lutando pelos que os jogadores queriam. Lá dentro eu vi que seria muito difícil. Os jogadores estavam muito descontentes com a Confederação", lamentou Oncins. "Saio com a consciência tranqüila de que fiz o que pensava e o que seria para o bem de todos."
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