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  10/03/2004 - 17h45
Oncins lembra boicote de 93 e diz que renúncia não mudará idéia de jogadores

Marcos Pereira
Em São Paulo

Jaime Oncins não quis fazer previsões sobre o futuro da equipe brasileira na Copa Davis. O ex-capitão não soube dizer se os jogadores poderiam voltar atrás na decisão de boicote, mas acredita que apenas uma mudança no comando da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) poderia contornar a crise pela qual passa o esporte.

"Não é a troca de capitão que vai fazer os jogadores mudarem de idéia, pois eles já deixaram claro que o problema é com a gestão da CBT", afirmou Oncins, durante a entrevista em que anunciou o seu desligamento do comando do time brasileiro.

"Jaiminho", como era chamado pela torcida brasileira no período em que defendia o país como jogador, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, depois de analisar que não conseguiria superar a crise que se instalou no tênis brasileiro -Gustavo Kuerten, Flávio Saretta e André Sá já havia desistido de jogar o confronto com o Paraguai, em abril.

Mesmo assim, o ex-capitão espera que os problemas com a CBT sejam resolvidos para que o Brasil volte a ser representado com força máxima na principal competição por equipes do mundo. "Eles conhecem o meu pensamento e eu sei o deles. Espero que um dia eles voltem a jogar e eu tenha nova oportunidade de comandar."

Oncins lembrou que já chegou a fazer esse tipo de boicote por causa de problemas de pagamento à equipe. Em 1993, um ano depois de o Brasil ter chegado à semifinal e perdido para a Suíça, fora de casa, ele e Luiz Mattar lideraram uma proposta de não enfrentar a Bélgica, pela repescagem.

No fim, os problemas foram resolvidos com a queda do então presidente Gercino Schimitt, o Brasil jogou com força máxima, mas acabou eliminado. A partir daí, o país ficou três anos consecutivos na Zona Americana, voltando apenas em 1997, já liderado por Gustavo Kuerten.

Dessa vez, Oncins pensa que o problema não deve ser resolvido tão facilmente e também reserva uma parte de críticas à CBT. "Acho que a atual administração teve a oportunidade de aproveitar o momento do Guga e não fez. Se a gente está tomando essa postura, é porque quer algo diferente."

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