UOL EsporteUOL Esporte
UOL BUSCA

FALE COM
UOL ESPORTE

  23/09/2004 - 18h14
Nastás ressurge com nova promessa de adeus e rebate TCU

Marcos Pereira
Enviado especial do UOL
Em Brasília

Foram alguns meses de sumiço, mas o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Nelson Nastás, finalmente apareceu em um evento de grande importância do tênis nacional. E aconteceu no sorteio dos jogos para o confronto entre Brasil e Peru, pela Copa Davis, justamente um dia após ser mais uma vez questionada a contabilidade da entidade que comanda.

Arquivo 
Nastás volta a afirmar deixará o comando da Confederação Brasileira de Tênis
Nastás defendeu-se de acusações, atacou o boicote à competição, liderado por Gustavo Kuerten, e reafirmou que não continuará no comando da entidade após a virada do ano. "Não vou sair como candidato e não vou apoiar ninguém", declarou.

Na quarta-feira, o TCU (Tribunal de Contas da União) suspendeu os recursos da Lei Agnelo/Piva para a CBT por causa de supostas irregularidades no uso da verba. Nastás e Carlos Alberto Martelotte, superintendente-técnico da entidade, são acusados de usar o dinheiro para pagar despesas pessoais, o que os deixa com uma dívida de R$ 150 mil em valores corrigidos.

O dirigente também prometeu uma explicação ao TCU sobre os gastos da entidade e, para isso, tem um prazo de 15 dias de defesa. "Assim que voltar da Davis, vamos prestar todos os esclarecimentos. Ainda não vi o relatório que aponta as supostas irregularidades, mas mostraremos todas as justificativas, já que está tudo documentado", defendeu-se.

Boicote
Os principais tenistas do país - Gustavo Kuerten, Flávio Saretta, Ricardo Mello e André Sá - exigem desde fevereiro o afastamento de Nastás da presidência. Insatisfeito com a administração da CBT, o grupo organizou um boicote à Copa Davis e ainda não defendeu o país neste ano na competição.

Desde o estopim para o movimento, que foi a demissão de Ricardo Acioly do cargo de capitão da equipe brasileira, em fevereiro, Nastás não apareceu em nenhum dos dois grandes eventos que o Brasil patrocinou. Foi assim no Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe (BA), e no confronto com o Paraguai, pela Davis, no mesmo local.

Dirigentes de oposição acreditam que o "ressurgimento" de Nastás pode ter como conseqüência o lançamento de uma chapa de situação para concorrer à eleição para presidente no fim do ano.

Segundo Jorge Lacerda, presidente da Federação Catarinense de Tênis e líder de um movimento de oposição, o momento da Davis será aproveitado para aparecer o primeiro candidato à presidência.

Vários presidentes de federações receberam os tradicionais convites para assistirem aos jogos da Davis, quando poderá ser lançado o nome do candidato José Farani, proprietário da Academia de Tênis de Brasília, local em que está sendo disputado o confronto com o Peru.

O presidente da CBT disse ainda não acreditar que o fato de seu nome estar diretamente ligado ao boicote à Copa Davis possa lhe prejudicar pessoalmente. "É claro que a opinião pública mexe com a gente, mas nunca cheguei a ser ofendido por onde ando e não creio que isso possa interferir em uma decisão tão séria."

Ataque
Nastás não se mostra arrependido do "braço-de-ferro" que foi travado com os melhores tenistas do país. Em março, havia prometido que deixaria o comando da CBT em maio, caso Guga & cia. disputasse o confronto com o Paraguai. Os jogadores, contudo, só entrariam em quadra se a direção da entidade não estivesse mais sob a batuta de Nastás.

Como Guga, Saretta, Mello e Sá ficaram fora do duelo contra o Paraguai, Nastás seguiu no comando. "Meu mandato vai até dezembro e achei que deveria continuar porque o protesto deles foi muito radical", explicou.

O resultado disso foi duas derrotas consecutivas no grupo 1 da Zona Americana, sendo alijado para uma disputa com o Peru para não ser rebaixado para a terceira divisão da Davis.

"Eu só gostaria que os jogadores fossem mais claros em suas justificativas", atacou. "Eles falam em má administração, mas isso é muito relativo e evasivo, pois eles não me apresentaram nenhum exemplo de boa direção. Se esse tipo de protesto virar moda, acaba o esporte no Brasil", exagerou.

O iminente rebaixamento para a terceira divisão preocupa Nastás, mas não o sensibilizou a ponto de se afastar do cargo para trazer Guga, que seria um diferencial, de volta à equipe.

"É um momento triste, mas também não podemos esquecer que fomos rebaixados com o time principal, depois de um confronto com o Canadá", lembrou. "Alguns técnicos tentaram interferir para acabar com o boicote, mas não houve jeito."

Veja também


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
03/09/2007
Mais Notícias