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  16/11/2004 - 08h22
Kafelnikov se despede das quadras e troca as raquetes pelas cartas

Da Redação
Em São Paulo

Quem assistiu à derrota fácil de Yevgeny Kafelnikov para o jovem compatriota Mikhail Youzhny em São Petersburgo, 23 de outubro do ano passado (2 sets a 0, com duplo 6-2), viu a última apresentação do veterano em quadra. Os dedicados torcedores russos, entretanto, ainda têm a oportunidade de acompanhar o atleta em outro lugar: nas mesas de pôquer.

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Kafelnikov deixa a raquete de tênis de lado e vai se dedicar aos jogos de pôquer
Aos 30 anos, Kafelnikov revelou, em entrevista ao jornal britânico The Independent, que não pegará mais em raquetes para tentar conquistar o 27º título da ATP em sua carreira. Agora, o novo trabalho do medalha de ouro nas Olimpíadas de Sydney é com as cartas.

"Eu me aposentei, embora ainda não tenha anunciado ainda. Algumas pessoas pensam que estou apenas tirando um descanso, mas acredito que meu tempo no tênis já passou. Mesmo se eu voltasse, eu não teria chance de jogar com o mesmo nível que eu tinha. Tênis é um esporte para jovens agora", explicou o russo, sem se esquecer de citar uma das exceções à sua teoria, o norte-americano Andre Agassi.

"Eu já estava perdendo para caras que, uns dois anos antes, eu era capaz de derrotar apenas com a minha mão esquerda. Foi quando percebi que meu tempo já tinha acabado", completou o ex-número um do ranking.

No momento em que deu a entrevista ao jornal britânico, publicada na última segunda-feira, Kafelnikov se preparava para disputar um torneio de pôquer em Maidstone, na Grã-Bretanha. A competição destina ao seu campeão um prêmio de US$ 500 mil. Curiosamente, muito mais do que os US$ 142 mil que Gustavo Kuerten embolsou por conquistar o título de São Petersburgo em 2003.

Para tentar uma carreira bem sucedida também nas mesas de pôquer, Kafelnikov já tomou algumas providências. Para lhe treinar com as cartas, contratou o compatriota Kirill Gerasimov, considerado o novato do ano em 2002 e a quem o The Independent chamou de "Roger Federer do pôquer europeu", em alusão ao suíço, melhor tenista desta temporada.

"Você precisa de coragem no pôquer, assim como também no tênis. Se você não acreditar em sua habilidade, você não vence", disse Kafelnikov, ao tentar explicar seu interesse pelo jogo. "Além disso, eu acho muito excitante. Você não ganha nas cartas, mas com sua destreza. Com sua expressão corporal, você pode sair vencedor ou perdedor".

Apesar da distâncias das quadras, o russo acompanha de perto os torneios profissionais. Questionado se Federer é o melhor que já existiu, Kafelnikov afirmou acreditar que não. "No meu tempo, o melhor era (Pete) Sampras. Ninguém foi melhor do que ele. Antes, era (Rod) Laver. É difícil escolher entre estes três. Mas, para mim, também é difícil pensar em alguém melhor do que Sampras. Nem mesmo Federer".


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