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  07/12/2004 - 13h32
Nastás é afastado da presidência da CBT e fica fora de processo eleitoral

Da Redação
Em São Paulo

Folha Imagem 
Pivô de crise no tênis brasileiro, Nelson Nastás é afastado da presidência da CBT
O presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Nelson Nastás, foi afastado do cargo e não poderá comandar o processo eleitoral que vai definir seu sucessor no dia 17.

A destituição do dirigente do cargo ocorreu graças a uma liminar pedida pela Federação Brasiliense de Tênis, que foi deferida nesta terça-feira, pelo juiz federal Eduardo Rocha Cubas, da 17ª Vara do Distrito Federal.

No documento, o magistrado determinou o afastamento de toda a diretoria da confederação e nomeou um administrador provisório até que o novo presidente seja escolhido.

O afastamento de Nastás, pivô da crise que se instalou no tênis brasileiro, com o afastamento dos principais jogadores da Copa Davis, entre eles Gustavo Kuerten, aconteceu por causa de suspeitas de irregularidades na CBT.

CRONOLOGIA
Dezembro/2003 - Nastás fecha ano sem prestar contas da entidade, provocando as primeiras reações da oposição
Fevereiro/2004 - CBT desagrada principais tenistas e tira Ricardo Acioly do cargo de capitão da equipe brasileira
Março/2004 - Em protesto, Guga & Cia. anunciam boicote no duelo contra Paraguai, pela Davis, e exigem saída de Nastás
Março/2004 - Nastás contra-ataca e avisa que abandona a CBT em maio, caso Guga & Cia. enfrentem o Paraguai
Abril/2004 - Irredutíveis, tenistas não jogam, e o Brasil, com jogadores de segundo escalão, é derrotado na Costa do Sauípe
Maio/2004 - Como tenistas boicotaram confronto, Nastás segue no comando da CBT, mas promete sair em dezembro
Junho/2004 - Boicote avança e deixa Brasil com jogadores juvenis para enfrentar a Venezuela, ainda na 2ª divisão
Julho/2004 - Brasil perde para a Venezuela, fora, e fica perto de novo rebaixamento
Agosto/2004 - Oposição começa a se articular para afastar Nastás da presidência por suspeita de irregularidade em contas da CBT
Setembro/2004 - TCU acusa Nastás de desviar verba da Lei Piva para finalidade pessoal
Setembro/2004 - Novo boicote deixa Brasil com equipe mais enfraquecida. Derrota para o Peru rebaixa país para 3ª divisão
Setembro/2004 - Oposição exige na Justiça prestação de contas da CBT por Nastás
Outubro/2004 - Nastás ganha batalha na Justiça e pode marcar prestação de contas a seu critério
Outubro/2004 - Justiça ordena que COB suspenda repasse de verbas da Lei Piva para a CBT
Novembro/2004 - Oposição volta à Justiça para pedir assembléia de prestação de contas
Dezembro/2004 - Pressionado, Nastás marca prestação de contas e convoca assembléia eletiva
Dezembro/2004 - Justiça defere liminar e afasta Nastás da presidência da CBT
Nastás é acusado de desvio de verbas públicas pelo Tribunal de Contas da União. Segundo a denúncia, o presidente da CBT e o superintendente-técnico, Carlos Alberto Martelotte, devem devolver cerca de R$ 113 mil aos cofres da União.

Esse dinheiro é originário da Lei Piva, que o governo federal destina ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e assim é repassado às diversas confederações nacionais.

Outro motivo alegado na liminar é o débito da CBT com os encargos sociais de seus empregados. Segundo o documento, a entidade arrecadou valores relativos à seguridade social mas não recolheu aos cofres do INSS e FGTS.

A liminar foi concedida com base no artigo 23 da Lei Pelé, que diz que um dirigente de entidade de administração de desporto não pode estar inadimplente na prestação de contas de recursos públicos nem das contribuições previdenciárias e trabalhistas ou da prestação de contas da própria entidade.

O administrador provisório, que vai cuidar de todo o processo eleitoral, é o brasiliense Sérgio Opréa de Carvalho, que já assumiu a função e está na sede da CBT, em São Paulo.

Histórico
Nastás vem travando uma "queda-de-braço" com os principais tenistas do Brasil desde o fim de fevereiro, quando foi disputado, na Costa do Sauípe (BA), o Aberto do Brasil.

Na ocasião, ele demitiu Ricardo Acioly do cargo de capitão da equipe brasileira, provocando revolta do grupo liderado por Gustavo Kuerten e que logo teve a adesão de Flávio Saretta, Ricardo Mello e André Sá.

Imediatamente, eles pediam a saída de Nastás da CBT para que jogasse contra o Paraguai, em abril, pela primeira rodada da segunda divisão. Como o dirigente seguiu no cargo, os atletas boicotaram o confronto.

Com um time reserva, o Brasil perdeu para os paraguaios, mas a crise não acabou. Nenhum dos lados cedeu, e o Brasil seguiu atuando com equipes enfraquecidas. No fim, acabou sendo derrotado por Venezuela e Peru até cair para a terceira divisão.

Guga e seus aliados queriam a saída de Nastás por acreditar que a CBT não ajudava no crescimento do esporte. Em 2005, o Brasil terá de reiniciar o caminho rumo ao Grupo Mundial e terá como primeiro adversário a Colômbia, em fevereiro, fora de casa.


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