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07/12/2004 - 20h27
Isolado, Nastás sai pelos fundos da federação de tênis
Da Redação Em São Paulo
 | | | Nelson Nastás perdeu por enquanto a queda-de-braço para oposição e tenistas | Nelson Nastás, ex-homem forte do tênis nacional, nem subiu para a sede da confederação, no 16º andar de um prédio na avenida Paulista. Seu superintendente-técnico, Carlos Alberto Martelotte, já o avisara que oficiais de Justiça, advogados da oposição, auditores e o novo administrador povoavam as salas da entidade.
Recém-chegado da Europa, onde acompanhou a final da Copa Davis entre Espanha e EUA em Sevilha após uma reunião com a ITF, a máxima entidade da modalidade. Ele planejava passar na sua sala antes de embarcar para o Rio. Na sua agenda, estava agendado um encontro com Carlos Alberto Nuzman, presidente do COB, antes de participar do Prêmio Brasil Olímpico
Nada disso saiu da agenda, afinal, o investigado Nastás sumiu de cena. Só deve reaparecer se algum recurso judicial o devolver ao cargo. Aí começaria uma guerra de liminares até a eleição marcada para o dia 17.
Também não se manifestaram os jogadores que fizeram vida difícil ao dirigente acusado de desvio de verbas e falta de prestações de contas, além de atrasos nos direitos trabalhistas dos funcionários da confederação.
Tanto Gustavo Kuerten quanto Flávio Saretta e Ricardo Mello evitaram comentar o afastamento do dirigente. Na festa do Prêmio Brasil Olímpico, Saretta apenas disse que a saída demorou. "Estou meio por fora de política. Resta torcer para que entre um cara legal, honesto que lute pelo tênis", disse.
Eles detonaram essa crise em março quando saíram da equipe brasileira na Copa Davis alegando que só voltariam com Nastás afastado. O Brasil, representado por juniores, caiu para a terceira divisão da mais tradicional competição entre seleção.
Quem falou mesmo foi o novo administrador, designado pela Justiça, Sérgio Opréa de Carvalho, um dono de academia de tênis e squash no Distrito Federal. "Desculpem se eu gaguejar. Não estou acostumado. Minha gestão vai ser curta", se desculpou no início de sua entrevista.
| CRONOLOGIA | | Dezembro/2003 - Nastás fecha ano sem prestar contas da entidade, provocando as primeiras reações da oposição | | Fevereiro/2004 - CBT desagrada principais tenistas e tira Ricardo Acioly do cargo de capitão da equipe brasileira | | Março/2004 - Em protesto, Guga & Cia. anunciam boicote no duelo contra Paraguai, pela Davis, e exigem saída de Nastás | | Março/2004 - Nastás contra-ataca e avisa que abandona a CBT em maio, caso Guga & Cia. enfrentem o Paraguai | | Abril/2004 - Irredutíveis, tenistas não jogam, e o Brasil, com jogadores de segundo escalão, é derrotado na Costa do Sauípe | | Maio/2004 - Como tenistas boicotaram confronto, Nastás segue no comando da CBT, mas promete sair em dezembro | | Junho/2004 - Boicote avança e deixa Brasil com jogadores juvenis para enfrentar a Venezuela, ainda na 2ª divisão | | Julho/2004 - Brasil perde para a Venezuela, fora, e fica perto de novo rebaixamento | | Agosto/2004 - Oposição começa a se articular para afastar Nastás da presidência por suspeita de irregularidade em contas da CBT | | Setembro/2004 - TCU acusa Nastás de desviar verba da Lei Piva para finalidade pessoal | | Setembro/2004 - Novo boicote deixa Brasil com equipe mais enfraquecida. Derrota para o Peru rebaixa país para 3ª divisão | | Setembro/2004 - Oposição exige na Justiça prestação de contas da CBT por Nastás | | Outubro/2004 - Nastás ganha batalha na Justiça e pode marcar prestação de contas a seu critério | | Outubro/2004 - Justiça ordena que COB suspenda repasse de verbas da Lei Piva para a CBT | | Novembro/2004 - Oposição volta à Justiça para pedir assembléia de prestação de contas | | Dezembro/2004 - Pressionado, Nastás marca prestação de contas e convoca assembléia eletiva | | Dezembro/2004 - Justiça defere liminar e afasta Nastás da presidência da CBT | Ele manteve as datas previstas pela federação: dia 10 para inscrição das chapas candidatas, dia 13 para as federações estaduais sanarem suas dívidas e terem direito a voto, e dia 17 para o pleito, marcado para Brasília.
Passaram também nesta terça pela sede da confederação dois opositores de Nastás, os presidentes de Santa Catarina e de Brasília, Jorge Lacerda e Adauto Gomes, respectivamente.
Foi justamente a federação brasiliense que moveu a ação que afastou Nástas. A liminar foi deferida na última quinta pelo juiz federal Eduardo Rocha Cubas, da 17ª Vara do Distrito Federal. A distruição para São Paulo demorou até esta terça.
A liminar foi concedida com base no artigo 23 da Lei Pelé, que diz que um dirigente de entidade de administração de desporto não pode estar inadimplente na prestação de contas de recursos públicos nem das contribuições previdenciárias e trabalhistas ou da prestação de contas da própria entidade.
Além disso, Nastás é acusado de desvio de verbas públicas pelo Tribunal de Contas da União. Segundo a denúncia, o presidente da CBT e o superintendente-técnico, Carlos Alberto Martelotte, devem devolver cerca de R$ 113 mil aos cofres da União.
Esse dinheiro é originário da Lei Piva, que o governo federal destina ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e assim é repassado às diversas confederações nacionais.
"Processamos junto com a diretoria da CBT também o Ministério de Esportes, que não fiscalizou como devia. Eles vão ser notificados", explicou o advogado a cargo da ação, Paulo Rogério Amoretty.
Segundo ele, que representa o movimento oposicionista Tênis Brasil, todas as federações pagar suas dívidas e irão votar nas próximas eleições. "As dívidas estavam sendo usadas para pressionar as federações. Com a auditoria, vamos saber se elas realmente existem", disse Amoretty, um ex-dirigente do Inter de Porto Alegre.
Para Amoretty, o desvio de dinheiro da federação pode chegar a R$ 4 milhões. "Mas eles tiraram a maioria dos documentos daqui. Quando a polícia veio buscar documentos, encontrou pouca coisa", disse o advogado.
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