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  13/07/2005 - 20h23
Preterido em simples, Saretta é favorito jogar duplas com André Sá

Marcos Pereira
Enviado especial do UOL Esporte
Em Joinville (SC)

O primeiro mistério já foi desfeito por Fernando Meligeni, que anunciou nesta quarta-feira que Gustavo Kuerten, maior ídolo do tênis nacional, fará uma das partidas de simples na abertura do confronto com Antilhas Holandesas, pelo grupo 2 da Zona Americana da Copa Davis. Agora, falta para o capitão definir apenas quem será o parceiro de André Sá no jogo de duplas.

Depois do treino desta quarta-feira, Meligeni afirmou o que pode virar praxe enquanto estiver no comando da equipe. O capitão pretende escalar Flávio Saretta e, dessa forma, mais uma vez não faria nenhum jogador atuar em dias consecutivos. "Sem dúvida que o Saretta é o favorito para essa vaga porque já jogou muitas vezes ao lado do Sá, mas ainda não está definido", disse.

Na primeira rodada, contra a Colômbia, em Bogotá, Meligeni foi capitão pela primeira vez na carreira e adotou essa postura. Ao escolher Saretta e Ricardo Mello para os jogos de simples de sexta-feira, escalou Sá e Bruno Soares, um novato naquela oportunidade, para fechar o confronto em favor dos brasileiros no sábado.

Se tiver continuidade, essa estratégia acaba deixando os jogadores sempre com um dia de descanso, já que as partidas podem ter duração de até cinco sets. Nos anos em que o Brasil brigava no Grupo Mundial, um dos problemas do país era o desgaste sofrido por Guga, que se via obrigado a atuar nos três dias de disputa.

Saretta disputou nove torneios de duplas na atual temporada e teve como melhores resultados o vice-campeonato do Challenger da Cidade do México, ao lado de seu compatriota Marcos Daniel, e as semifinais em Prostejov (República Tcheca) e Lugano (Suíça), atuando com o equatoriano Nicolas Lapentti.

Os melhores tempos dele nessa especialidade, contudo, foram vividos em 2004, jogando justamente com Sá. Ele foi quadrifinalista do Aberto da Austrália, perdendo para os norte-americanos Bob e Mike Bryan, considerada a melhor parceria do mundo, e parou nas semifinais do Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe (BA).

Depois desses bons resultados, entretanto, a parceria só colecionou deslizes em 2004, tendo como melhor resultado a semifinal do Challenger de Buenos Aires. Antes disso, parou na primeira rodada em Barcelona e em Roland Garros e na segunda em Wimbledon e nas Olimpíadas de Atenas. O segundo semestre de Saretta só foi salvo com o título do Torneio de Umag, atuando com o argentino Jose Acasuso.

Ao preterir Saretta do time de simples que joga no primeiro dia, Meligeni confessa que o tenista paulista ficou chateado, mas que também não esperava outra reação pelo fato de todos os tenistas se sentirem em condições de entrar em quadra.

"É normal ficar chateado porque todo mundo fica, e isso mostra que ele quer fazer o melhor. Caso contrário, ele teria vindo aqui para passear", comentou Meligeni. "Eu sempre falo que pode discordar e uma decisão, mas sempre tem que pensar em prol do grupo", finalizou.

Saretta, que não tem um longo histórico de Copa Davis, com apenas três vitórias em cinco partidas, disse que recebeu bem a notícia e que já estava satisfeito pelo rendimento que teve nos treinamentos. "Nesta semana, deu para ver que voltei ao meu melhor nível de tênis, jogando da mesma maneira que foi em 2003", disse, referindo-se à melhor fase da carreira, quando foi um top 50. "E vejo no Meligeni mais do que um técnico, o vejo como um amigo que sabe o que faz."

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