UOL Esporte UOL Esporte
UOL BUSCA

05/09/2006 - 11h21

De volta às quadras, Guga não descarta jogar a Copa Davis

Giancarlo Giampietro
Enviado especial do UOL
Em Florianópolis
Sem jogar há seis meses e meio, Gustavo Kuerten afirmou nesta terça-feira, em Florianópolis, que ainda tem esperança de defender o Brasil no confronto contra a Suécia, pela repescagem da Copa Davis para o Grupo Mundial, de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte.

EFE
Mesmo sem jogar desde fevereiro, Guga mantém a esperança de atuar na Davis
GUGA ESTRANHA BIPOLARIZAÇÃO
PERFIL DE GUSTAVO KUERTEN
GUGA DEVE JOGAR A DAVIS?
"É algo que eu gostaria muito, mas tenho que estar seguro. O sonho sempre existe, e já estive muito mais distante disso do que agora. Se tudo der certo, e eu tiver uma surpresa positiva, pode ser que aconteça. Até semana que vem, preciso ter uma definição", disse Guga.

O tenista acredita que o retorno à seleção brasileira só será possível com um aumento nas atividades em quadra. Ele voltou a treinar com bola apenas na semana passada, em Florianópolis. Por enquanto, as sessões são feitas somente em quadras de saibro, as preferidas do tenista.

Mesmo assim, Guga ainda mostrou receio quanto ao seu aproveitamento no confronto que pode levar o Brasil de volta à elite do tênis mundial. "Eu me sinto 60% ou 70% pronto para disputar um campeonato. Esses últimos 30% são os que demoram mais. Faltam detalhes, e esse restinho é o que pede mais persistência."

Nesse trabalho de reabilitação, que já dura mais de seis meses, Guga só sentiu um pouco de frustração por já ter perdido uma chance de retornar à ativa. Isso aconteceu em julho, quando intensificou os treinamentos e teve de parar por causa de uma bursite na coxa.

MIRANDO ANDRE AGASSI
Apesar de o circuito internacional ser cada vez mais dominado por jovens tenistas, Guga acredita que ainda pode ter longa vida no esporte. Ele, que completa 30 anos de idade no domingo, pensa que a experiência adquirida pode ajudá-lo a esticar mais a carreira.

"Sinto que posso jogar até melhor do que quando tinha 23 ou 24 anos. Hoje, um cara de 35 anos pode jogar de igual para igual com qualquer um", afirmou, mirando o exemplo de Agassi, que se aposentou só aos 36 anos. O norte-americano, entretanto, é considerado uma das maiores lendas da história do esporte e, já em 2005, com 35 anos, precisava se poupar em vários torneios para conseguir bons resultados.

Guga, por sua vez, viveu sua melhor fase justamente com 23 e 24 anos. Nesse período, ele ganhou dois títulos de Roland Garros, um da Masters Cup e alcançou a liderança do ranking mundial.
Apesar disso, se mostra confiante para voltar bem às quadras, já que não sente mais dores no quadril operado. "Estou lidando com cautela nesse momento e espero que nada volte a acontecer. Fiquei frustrado porque há dois meses estava pronto para jogar. E esse problema me fez regredir."

Caso não possa atuar na Davis, Guga ainda alimenta uma esperança de jogar alguns torneios de nível Challenger em quadra de saibro e não descartou a possibilidade de "reestrear" apenas no próximo ano. "Não tenho nenhuma restrição a nenhum tipo de torneio e, se eu não me sentir pronto para jogar, não vejo problema em ter um reinício em 2007."

Preparação
A preparação para a volta do tenista às competições consiste em treinamento, com o técnico argentino Hernán Gumy, com sessões de fisioterapia, com Nilton Petroni, o Filé. Na segunda, por exemplo, Guga fez duas horas de fisioterapia pela manhã, antes de se exercitar na quadra. À noite, voltou a realizar um trabalho fisioterápico.

Todo essa rotina é realizada para Guga não sentir as dores no quadril que já provocaram duas interrupções em sua carreira. A segunda pausa ocorreu em setembro de 2004, quando o tenista sofreu uma nova cirurgia no local.

Ficou sete meses parado, mas voltou com pouca mobilidade em quadra, e os resultados não foram bons. No ano passado, disputou nove torneios, com apenas três vitórias. Na Davis, ganhou quatro vezes (uma delas em duplas) e teve de abandonar a última partida do confronto com o Uruguai, quando a vitória brasileira já estava sacramentada.

PAN NÃO É A PRIORIDADE
Defender o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, não é uma certeza para Guga. O tenista condiciona sua participação ao bem-estar físico. "Isso dependerá de como estiver no momento, da minha posição no ranking e dos torneios que vão coincidir com a data", afirmou.
LEIA MAIS
Ao sair de férias, após o Aberto dos EUA, Guga deu início a uma preparação intensiva para 2006. Estava tudo pronto para o retorno no fim de janeiro, mas uma torção no tornozelo provocou o adiamento. Então, até o Aberto do Brasil, fez apenas um jogo de duplas, pela Davis, contra o Peru.

A única partida em 2006 foi disputada no Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe, quando foi derrotado na estréia pelo brasileiro André Ghem. De lá para cá, não se sentiu mais em boas condições físicas de atuar no exigente circuito profissional.

Nos últimos dois anos, Guga entrou em quadra apenas 17 vezes, com seis vitórias e 11 derrotas. O tenista catarinense, que liderou a lista por 43 semanas entre 2000 e 2001, agora é apenas o número 576 do mundo.

Receba Notícias

Hospedagem: UOL Host