A bolinha isolada para o alto cai fora das dependências do complexo de treinos montado para a Copa Davis na Expominas. Instantaneamente, uma turma de cerca de dez crianças se acotovela e começa uma verdadeira gritaria na luta pelo achado: eles querem a bolinha que Gustavo Kuerten usava no treino com André Sá e Flávio Saretta.
É inegável o poder de atração de público e mídia do catarinense, melhor tenista masculino brasileiro da história e que recolocou o país no mapa do esporte no final da década de 90 e no início dos anos 2000. O duelo contra a Suécia, que vale uma vaga na elite da Copa Davis, ganhou mais brilho e atenção com a presença de Guga.
"É motivante, sem dúvida", diz o torcedor Fernando da Cunha, 58, que é fã de tênis, comprou seus ingressos e acompanhará ao lado dos filhos os jogos ao vivo a partir desta sexta-feira. "Não só para os adeptos do tênis, mas para todos, porque o Guga é uma figura exponencial do esporte", analisa.
Os treinos de Guga são os que mais têm torcida - embora não haja tantas pessoas assim, ainda. A imprensa concentra seus esforços ao redor do ex-número 1 do mundo, claramente o mais assediado da delegação brasileira, seguido pelo capitão Meligeni.
No entanto, Guga não joga uma partida oficial desde o dia 21 de fevereiro deste ano, quando perdeu para André Ghem na primeira partida do Aberto do Brasil. Antes disso, no dia 11 do mesmo mês, venceu ao lado de André Sá o jogo de duplas contra o Peru. Mas está parado há sete meses, período no qual fez cirurgias, tratamentos e treinos.
A presença de Guga seria uma jogada de marketing, então? "Cada um tem direito a sua opinião", desconversa o tenista em entrevista ao
UOL Esporte. Guga afirma que, ao contrário de marketing ou questões políticas, o motivo de estar na Davis é o seu gosto pelo tênis, e o que importa é se focar no jogo e deixar este tipo de polêmica nos bastidores.
"Pra mim, o que importa é a minha motivação e a minha paixão pelo esporte, que é o que me faz estar aqui", afirmou, demonstrando esperança de jogar a partida de duplas. "Apesar das adversidades, tentando sempre tirar o meu máximo e, se der, ajudar o Brasil". Guga treinou forte na manhã desta quarta-feira, focando em voleios e saques, com bom aproveitamento no segundo fundamento.
Mas mesmo que não jogue, o "fator Guga" é visto como positivo para o Brasil. "Dá uma moral muito grande para os jogadores", acredita Thomaz Koch, maior recordista do Brasil na Copa Davis. "Só com o fato de o Guga estar aqui, o jogador já se sente fortalecido". Para Koch, Guga está "mais leve" e sua forma está "boa, mas falta ritmo de jogo".
Para André Sá, único tenista já confirmado por Meligeni no time, e que deve fazer dupla com Guga caso ele seja confirmado, a atenção que o ex-número 1 do mundo atrai é um benefício. "Sempre que tem gente olhando, é uma motivação a mais. Pelo status que ele tem como ídolo nacional, onde ele estiver vai atrair gente", observa. "Para nós, é bom, porque vem gente assistir aos treinos e jogos, e dá mais motivação, e a gente bota mais empenho também".
Independentemente do "efeito Guga", que já é evidente, caso o atleta jogue, será na partida de duplas, neste sábado. A dupla brasileira deve enfrentar Jonas Bjorkman e Simon Aspelin, 4º e 17º no ranking mundial de duplas respectivamente, em um jogo considerado o mais difícil do embate.
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