O presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Jorge Lacerda Rosa, acusou nesta quarta-feira um calote de R$ 600 mil por parte do Estado de Minas Gerais, governado pelo reeleito Aécio Neves (PSDB), referente ao acordo entre a entidade e o governo pela realização da Copa Davis em Belo Horizonte em setembro passado.
| MINAS NEGA E PROCESSARÁ CBT |
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| O Governo do Estado de Minas Gerais refutou, por meio de nota oficial, as acusações de Jorge Lacerda Rosa, presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), de que tal Estado estaria devendo R$ 600 mil à entidade esportiva referentes à realização do duelo entre Brasil e Suécia pela Copa Davis, em setembro passado. O governo mineiro afirmou ainda que entrará na Justiça para processar Rosa. |
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Munido de um mini-dossiê entregue à imprensa, Rosa esclareceu que Minas Gerais deveria ter pago o valor de R$ 1,25 milhão em duas parcelas que venceram nos dias 25 de junho e 25 de julho deste ano. Entretanto, a entidade aponta apenas um pagamento parcial atrasado de pouco mais da metade do valor acordado (R$ 655 mil). Caso o imbróglio não se resolva, a CBT deve recorrer à Justiça.
"O Governo de Minas assumiu um valor (R$ 1,25 milhão). Pelo que foi recebido da Oi (empresa de telecomunicações) e do Sebrae, descontando os gastos que estavam acordados com o governador, e contando que o Banco do Brasil pague o que não pagou ainda (R$ 305 mil), a dívida é de R$ 600 mil", explicou Rosa.
A confusão se dá no momento em que a CBT afirma que não arcará com custos extra dos patrocinadores da iniciativa privada. Segundo Rosa, Minas Gerais deve pagar o valor líquido de R$1,25 milhão acordado em contrato independentemente da forma que o Estado tenha usado para levantar tais recursos.
| RECEITA SEGUNDO A CBT |
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| Sebrae | 400 mil | Sim |
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| Telemar (Oi) | 800 mil | Sim |
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| Banco do Brasil | 305 mil | Não |
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| TOTAL DE RECEITA: R$ 1,505 mi | | Patrocinador | Valor | Pago? |
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Ele apontou que gastos com manga da camiseta dos jogadores, mídia, produção publicitária e merchandising - medidas exigidas pelos patrocinadores parceiros do governo mineiro e que somam R$ 850 mil - devem ser acrescentados na dívida do Estado porque não são de responsabilidade da CBT, que arcou com os gastos inicialmente esperando o ressarcimento posterior.
Assim, mesmo com a receita de R$ 1,505 milhão que a CBT receberá destes patrocinadores (da qual apenas parte foi paga), quando a entidade desconta estes gastos extra (R$ 850 mil) que afirma ser da responsabilidade do Estado de Minas, o total da receita se torna R$ 655 mil. Desta forma, os R$ 600 mil devidos seriam referentes à diferença deste valor para chegar ao acordo inicial de R$ 1,25 milhão.
"Governo atrasa, mas negar dívida, é a primeira vez", apontou o presidente da CBT. "Nós arcamos com muitas despesas extras em Belo Horizonte, mesmo fora do contrato, porque algumas delas foram exigências dos patrocinadores encaminhados pelo Governo de Minas Gerais", explicou. "E contávamos com a verba do Governo para saldar estas e todas as outras dívidas, ficando em condições de iniciar definitivamente uma nova era no tênis, mas não é o que está acontecendo".
| GASTOS EXTRA SEGUNDO A CBT |
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| Sebrae | 200 mil |
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| Telemar (Oi) | 450 mil |
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| Banco do Brasil | 200 mil |
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| TOTAL DE DESPESAS: 850 mil | | Patrocinador | Valor |
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"Não consegui mais falar com o governador. Hoje, não estamos negociando com mais ninguém, depois do que saiu no jornal (que o Estado de Minas Gerais nega ainda ter dívidas com a CBT)", admitiu Rosa, reiterando que, se preciso, vai à Justiça, embora esta não seja sua vontade.
O presidente da CBT enviou uma carta de tom cordial, datada do dia 4 de dezembro, comunicando o Estado mineiro da dívida. Entretanto, caso não receba o valor que cobra, Rosa deixa claro que a situação vai parar na Justiça: "vou passar tudo isso para o departamento jurídico".
Sem o dinheiro com o qual contava, a CBT teve que adiar seus planos de quitar as dívidas da gestão anterior - segundo Rosa, de cerca de R$ 400 mil - e assume que ainda deve o pagamento para profissionais envolvidos no confronto contra a Suécia pela Copa Davis, como árbitros e assessoria de imprensa.
Caso não receba o dinheiro que cobra de Minas Gerais, a CBT usará outras fontes de renda para sanar suas dívidas referentes ao duelo de setembro. Uma delas é via lei Agnelo-Piva junto ao COB, entidade com a qual a CBT se reunirá nesta quinta-feira.
O Brasil perdeu para a Suécia por 3 a 1 no confronto válido pela repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis, o que recolocou o país na segunda divisão do principal torneio por equipes do tênis mundial.