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17/04/2008 - 09h50

Criadouros de Guga guardam diferentes memórias do ídolo

Antoine Morel e Renato Cury
Em Florianópolis (SC)
A história começou assim: a assistente social Alice Kuerten trabalhava na Telesc, antiga administradora da telefonia de Santa Catarina. A Astel, associação da companhia, possuía um clube, onde a futura "Dona Alice" deixava seus filhos pequenos brincarem e se divertirem enquanto trabalhava.

POUCAS ESPERANÇAS DE UM SUCESSOR
"Ele treinou aqui [Astel] dos três até os 14 anos. Levava a raquete e a bola para cima e para baixo", conta Célio Borges Filho, conhecido como Pitoco desde que entrou para o clube, amigo da família Kuerten.

A bola que se refere Pitoco - que conviveu com Gustavo desde pequeno e ajudou a educá-lo também - não era a pequena amarela. E, sim, uma maior: de futebol de salão.

"Jogava bem até. Foi artilheiro do Estado. Tudo que era esporte, ele era bom. Não admitia perder, era muito competitivo", relata o amigo, agora professor com 38 anos, que hoje ajuda a coordenar um dos projetos do Instituto Gustavo Kuerten (IGK).

Na Astel, as lembranças de Guga vêm antes dele ganhar o primeiro título em Roland Garros. Nas quadras onde treinou, a associação dedicou uma placa com seu nome, ainda em 1995, quando o tenista estava se profissionalizando no circuito: "A homenagem da Astel, que reconhece a próspera carreira desenvolvida por você aqui iniciada".

Nas paredes da associação se vê Guga com a taça, nos corredores se ouve as pessoas falando de seus resultados e, para qualquer um, o discurso é unânime: "Guga é simples, aquele cara de sempre. Nunca o sucesso subiu a cabeça".

Não era difícil encontrar fãs próximos ao ex-número um do mundo. Mesquita, professor de futebol do local, não pára de elogiá-lo e conta que, sempre que dá, Guga aceita seus convites para uma pelada entre amigos.

Antoine Morel/UOL
Placa na Astel dedicada a Gustavo Kuerten, feita antes de Roland Garros-1997
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Pitoco, amigo da família Kuerten, agora é professor no Instituto Gustavo Kuerten
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Uma das quadras do LIC, onde Guga competia depois de levar a sério o tênis
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"Ele era muito versátil. Quando jogávamos competições fora daqui, uma Kombi era disponibilizada para ele poder jogar tanto no tênis quanto no futebol. Porque ele era fera nos dois. O único que fazia isso", relembrou. E jogava em que posição o ilustre manezinho da ilha? "Era central, jogava atrás. Armava bem o time".

A Astel foi, então, o primeiro lugar onde o IGK montou o projeto de ressocialização, que lá já atende 100 crianças. As lembranças de Guga no lugar, agora não mais só dos empregados da empresa de telefonia, privatizada há alguns anos, estão por boa parte da área do clube.

Quando se decidiu pelo tênis e largou a bola de futsal, Guga começou a conhecer o Lagoa Iate Clube, uma agremiação perto da sua casa, na Lagoa da Conceição. Seu pai, Aldo, foi um dos primeiros diretores de tênis do lugar.

Apesar das próximas ligações, o LIC, como é chamado em Florianópolis, não guarda tantos retratos, fotos, fãs como a Astel. Com mais estrutura e mais quadras do que a associação da ex-telefonia, o clube guarda amigos ainda.

Professor de futuros tenistas, Rodrigo Taulois Pereira brincou com Gustavo e Rafael Kuerten na Astel, antes de Larri Passos aparecer na carreira do campeão. Tinha por volta de 14 anos na época e guardou a amizade até hoje.

"Ia assistir ao jogo terça dele [no challenger de Santa Catarina, onde Guga venceu Carlos Salamanca na primeira rodada], mas tinha que dar aula até as 22h. Se ele perdesse, ia ficar muito chateado. No próximo, vou tentar ir", disse, entusiasmado.

Foi o próprio "Rafa" que convidou Rodrigo para os jogos. O irmão fazia a mesma função do atual professor do LIC na época em que o Gustavo ganhou em 1997 o Aberto da França, um dos quatro Grand Slams do circuito. De lá, Rafa saiu para cuidar dos negócios do ídolo nacional, que motivou muitos a jogarem o esporte visto como elitizado.

"Em 2000, eu tinha 80 crianças jogando comigo. Agora diminuiu muito o interesse. Não se aproveitou nada daquela empolgação", desabafou o professor, que foi campeão brasileiro universitário, defendeu o Brasil na Universíade e agora orienta seus alunos atuarem em Universidades nos EUA, já que, para ele, a transição para o profissional do tênis está cada vez mais difícil.

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