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15/05/2008 - 12h13

Cirurgias levaram Bellucci, 20 anos, a uma carreira relâmpago

Antoine Morel
Em São Paulo
Aos 20 anos, Novak Djokovic alcançava o número 3 do mundo em 2007. Dez anos antes, Gustavo Kuerten ganhava o primeiro título de Roland Garros também aos 20. Thomaz Bellucci, com a mesma idade, tem apenas quatro títulos de challengers. O que parece pouco se comparado a outros talentos precoces, pode ser muito para o atleta que teve um começo forçado tardio na carreira profissional.

FOCO É ARMA, DIZ CAPITÃO DA DAVIS
EFE
Chico Costa (esq) orienta Thomaz Bellucci na Copa Davis no final de 2007 na Áustria
O capitão brasileiro na Copa Davis, Francisco Costa, treinou Bellucci no início de 2007 na equipe de jovens da Confederação de Tênis e não teve dúvidas em chamá-lo como reserva do grupo que enfrentaria a Áustria na repescagem do Grupo Mundial no final de 2007. O convívio com o jovem atleta, que acabou por jogar uma partida no confronto, permite ao treinador analisar o segredo do tenista.

"Na verdade, ele se destacou um pouco dos demais no quesito concentração. É um cara muito concentrado no que ele faz. Não só quando ele está treinando, mas fora das quadras. Ele fica quietinho. na dele. Isso faz com que ele consiga receber melhor as informações", afirmou Chico Costa.

Depois do período na Áustria, este ano, o capitõa chamou de novo Bellucci para o confronto contra a Colômbia, contra quem ele teve a primeira vitória na Davis. Na ATP, Costa assegura que as conquistas ainda estão começando. "Ele nem chegou perto do limite. O principal é jogar melhor e ficar jogando melhores torneios", completou.
BELLUCCI VENCE E VIRA N.1
NÚMEROS MELHORES QUE GUGA
VEJA FOTOS DA CARREIRA
"Operei o joelho em 2004 e depois em 2006. O mesmo joelho. Tinha a cartilagem desgastada e achei melhor operar. Fisicamente, agora estou zerado. Comecei a minha carreira mesmo em 2007", explicou Bellucci, ao UOL Esporte, direto de Bordeaux (FRA), onde virou número um do Brasil nesta quinta após a vitória na segunda rodada.

A ascensão no ranking conquistada nas últimas semanas levou Thomaz Bellucci ao centro dos holofotes do cenário do tênis brasileiro. Com três títulos seguidos em challengers no último mês, Florianópolis (SC), Túnis (TUN) e Rabat (MAR), e mais o de Santiago no início do ano, ele confirmou, em 2008, o título de revelação de 2007.

O planejamento para esta temporada do tenista de Tietê (SP) e do próprio técnico, Leonardo Azevedo, passava longe disso. "A expectativa era que até 2009, eu entrasse entre os 100 melhores. Foram um pouco de surpresa esses resultados. Lógico que motiva ainda mais", confirma.

A carreira do tenista, que na próxima semana tenta uma vaga na chave principal do Aberto da França, foi meteórica. Depois de se arriscar em alguns torneios menores em 2004, ele só foi jogar um challenger em julho de 2006.

O primeiro grande resultado veio em 2007, quando iniciou a temporada como 567 do mundo. Em julho, ele foi vice-campeão do challenger de Bogotá e de Cuenca (EQU). O primeiro torneio ATP só foi acontecer em 2008, no Brasil. Ele perdeu na estréia na Costa do Sauípe em fevereiro, mas depois ganhou moral ao bater o austríaco Werner Eschauer na estréia do ATP de Buenos Aires. Nesta época, o ranking era o 181 do mundo ainda.

"Está tudo muito nivelado agora. Os 150 melhores do mundo estão jogando no mesmo nível. O difícil é ficar jogando muitas vezes seguidas e manter o nível", afirmou Bellucci, que chega a 17 vitórias seguidas no saibro.

A maturidade da avaliação de Bellucci pode ser creditada ao período difícil no início da carreira. Em 2004, com 16 anos e perto da primeira cirurgia, ele ainda sonhava com o profissionalismo. "Eu jogava por diversão quando pequeno. Meus pais sempre jogaram socialmente. Foi aí que, quando eu tinha 8, 9 anos, comecei a treinar uma vez por semana. Só foi com 15, 16 anos que pensei em levar isso para frente", contou ele, que nasceu no interior e sempre treinou na capital paulista.

Se há quatro anos, o profissionalismo era um sonho, em 2008, as Olimpíadas de Pequim são a próxima conquista. "Eu nunca pensei em ter oportunidade de ir para Olimpíadas. No início do ano, eu precisaria fazer mais 300, 400 pontos. Não pensava. Agora é uma coisa mais real", declarou Bellucci, que precisa de pelo menos 50 pontos para conseguir a vaga direta aos Jogos da China.
Reporter de 2a na 3a