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15/05/2008 - 12h13

Números de Bellucci superam de Guga pré-Roland Garros

Antoine Morel e Fernando Narazaki
Em São Paulo
Tenista de 20 anos, que chegou a Roland Garros como número um do Brasil, mas sendo um ilustre desconhecido para a maioria da população brasileira. Há 11 anos, o catarinense Gustavo Kuerten superava todos os prognósticos, derrubava ex-campeões em batalhas de cinco sets e dava início a uma trajetória notável com o título no principal torneio de saibro da temporada.

4Títulos2
1v - 2dTorneios da ATP17v - 19d
47v - 16dChallengers58v - 32d
1v - 2dCopa Davis4v - 2d
71%Aproveitamento59,8%
0Participação em Grand Slam2
CAMPANHA AOS 20 ANOS
Thomaz
Bellucci

Até hoje
Gustavo
Kuerten

Antes do título
BELLUCCI VENCE E VIRA N.1
CARREIRA MARCADA POR CIRURGIAS
VEJA FOTOS DA CARREIRA
Em 2008, Guga viaja para a França com o objetivo de encerrar a bela carreira que escreveu, com 20 títulos em torneios da ATP e 43 semanas como líder do ranking de entradas. Mas um outro brasileiro, de 20 anos, número um do país e pouco reconhecido entre os torcedores iniciará o sonho de Roland Garros com credenciais bem mais destacadas do que o ex-número um do mundo mostrava na época.

O paulista Thomaz Bellucci vem de uma destacada série de 17 vitórias consecutivas, tornou-se o primeiro do país a vencer quatro challengers (Santiago, Florianópolis, Túnis e Rabat) em uma mesma temporada e, de quebra, tirou o gaúcho Marcos Daniel do posto de melhor brasileiro no ranking de entradas, ao vencer o sul-africano Rik de Voest, nesta quinta-feira, no challenger de Bordeaux.

Nos números, Bellucci detém um currículo bem melhor que Guga apresentava antes do primeiro título em Paris. O catarinense chegou em Roland Garros embalado pelo título do challenger de Curitiba, mas tivera um desempenho regular em torneios anteriores, com nove vitórias e nove derrotas nas competições do circuito da ATP.

Se forem computados os resultados de Guga antes daquele título em torneios da ATP, challengers e Copa Davis, o tenista foi à capital francesa com 79 vitórias e 53 derrotas na carreira, o que lhe dava 59,8% de triunfos desde que iniciou entre os profissionais em 1993.

Já o paulista, que será número um do Brasil na próxima semana, ganhou 49 das 69 partidas que teve, tendo 71% de sucessos na carreira, que começou em 2004. Bellucci ainda pode se gabar de ser o primeiro do país a ter quatro títulos de challengers em uma mesma temporada. Até então, Luiz Mattar (em 1992), Fernando Meligeni (1993), Carlos Alberto Kirmayr (1981) e André Sá (1998 e 1999) detinham o "recorde", com três títulos no ano.

Para completar, a série de 17 triunfos selada nesta quinta é um feito que o próprio Guga não alcançou em toda sua carreira. O máximo que o catarinense obteve foi 16 vitórias justamente na série que comemorou o primeiro título em Roland Garros. Ele ganhou cinco no challenger de Curitiba, sete no Aberto da França e quatro no Torneio de Bolonha, antes de perder do espanhol Felix Mantilla na final do evento italiano.

A grande diferença entre os dois é que Bellucci disputou basicamente os challengers, torneios de menor pontuação e premiação, enquanto Guga atuou mais em torneios da ATP no ano que o consagrou em Roland Garros. Os adversários enfrentados pelos dois também dão uma boa mostra da disparidade.

O catarinense desembarcou em Paris após ter enfrentado nomes como os norte-americanos Jim Courier (derrota em quatro sets na Copa Davis) e Andre Agassi (vitória em dois sets em Memphis), ambos ex-líderes do ranking, e o sul-africano Wayne Ferreira (triunfo em três sets em Indian Wells), então top 10, em 1997. Já o paulista teve como melhor rival o argentino Juan Ignacio Chela, então 25º do mundo, de quem perdeu na segunda rodada do Torneio de Buenos Aires.

Até por isso, Bellucci trata de minimizar o bom desempenho e evitar qualquer comparação com o ídolo. "É normal as pessoas compararem. Todo mundo acha que vai surgir outro Guga, mas sei que a gente está bem longe. Quem sabe eu possa fazer um pouco do que ele fez na carreira, porém estou longe dos títulos dele", explicou.

Para iniciar o "projeto", o paulista terá antes que superar o qualifying de Roland Garros, algo que Guga não precisou enfrentar em 1997. Na competição, Bellucci precisa ganhar três jogos para entrar na chave principal, quando precisará superar outros sete adversários para repetir o "milagre" do maior nome do tênis brasileiro masculino em todos os tempos. O qualificatório começa nesta segunda-feira.