Rafael Nadal termina a temporada 2008 como líder do ranking mundial de tênis, após quatro anos de hegemonia do suíço Roger Federer. Mas neste final de ano, o espanhol não tem tanto a comemorar. Com uma lesão no joelho direito de gravidade desconhecida e desgaste físico claro, o número um do mundo tem sido vítima de especulações sobre um fim de carreira precoce.
Os questionamentos sobre a aposentadoria de Nadal começaram no final do ano passado, quando o espanhol teve problemas crônicos no pé. Na época, seu próprio tio e técnico, Toni Nadal, admitiu preocupação com a carreira do pupilo. Já neste fim de 2008, a tendinite no joelho direito desperta novas dúvidas.
Em entrevista ao
UOL Esporte, o coordenador do comitê médico da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Rogério Teixeira da Silva, preferiu não falar em uma aposentadoria breve, mas reconheceu que Nadal tem um estilo de jogo que intensifica suas lesões.
"É difícil de prever [uma aposentadoria]. Mas o que eu posso estimar é que, pelo que a gente observa dos jogos dele, são sempre longos, com freadas bruscas, muita potência. Por isso tudo, ele tem chances maiores de lesão. Mais do que um tenista que tem movimentos mais leves como o [Roger] Federer, por exemplo", explicou o ortopedista e médico do esporte.
A opinião é compartilhada por Bruce Elliott, especialista em estudo biomecânico do esporte. "Ele escolheu usar mais o corpo quando joga, e para este estilo de jogo, é preciso ser muito forte, e consequentemente o potencial de contusões aumenta", afirmou Elliott em entrevista ao site da CBT.
Ele destacou ainda o peso de um calendário extenso. "Não sei se ele abreviaria sua carreira, ou se ele explodiu muito cedo, mas certamente se ele jogasse apenas no saibro ele não teria as contusões. Acontece que o circuito é muito duro e longo, e ele não sabe jogar de outra maneira, de uma maneira que o exponha menos".
Ex-tenista, Fernando Meligeni vê outro ponto crucial para o espanhol ter enfrentado problemas sérios neste ano: a disputa pelo número um. "O Nadal arriscou a vida dele, e eu faria a mesma coisa. Ele viu a possibilidade de ser o melhor do mundo, e tinha que jogar tudo que podia, porque ele tinha na frente dele um Federer que não é mole, que vai ganhar sempre que puder", analisou Fininho em entrevista ao
UOL. "Essa briga pelo número um fez com que todo mundo jogasse mais, toda semana", completou.
Devido à lesão no joelho, Nadal não participará da final da Copa Davis neste final de semana em Mar del Plata contra a Argentina. Assim, ele encerra sua temporada com 93 jogos de ATP disputados contra 86 do ano passado, mesmo desistindo do Masters Series de Paris no meio do caminho e não participando da Masters Cup.