Após perder a chance de entrar na chave do Aberto dos Estados Unidos, o tenista brasileiro Ricardo Mello, de 28 anos, teve problemas em seu desembarque no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e foi barrado pela Receita Federal nesta terça-feira devido à bagagem trazida ao Brasil.
O tenista, o ex-top 50 não foi liberado para deixar o local quando carregava em sua bagagem equipamentos de tênis utilizados no
qualifying do Aberto dos Estados Unidos, em que o brasileiro foi derrotado na terceira rodada pelo turco Marsel Ilhan, após ter vencido o francês Adrian Mannarino e o russo Alexandre Kudryavtsev nas duas rodadas anteriores.
Em sua bagagem estavam cinco raquetes que levou a Nova York, cinco recebidas do patrocinador, além de cordas, acessórios e uniforme de jogo. Para liberar Ricardo Mello, os agentes exigiram o pagamento de R$ 2.250 somados tributo devido ao limite excedido do imposto de importação, de US$ 500 (R$ 942,50) e multa por a bagagem não ter sido declarada pelo tenista.
"Estou aqui ainda parado, um dos agentes até já foi embora. Ou eu pago um imposto absurdo pelo material ou fica tudo retido. É tudo equipamento do meu patrocinador, a Babolat, que distribui nos quatro Grand Slams e eu sempre pego, mas dessa vez não liberaram", afirmou o tenista, por telefone, à reportagem do
UOL Esporte.
O tenista, que já defendeu o Brasil na Copa Davis ao lado de Gustavo Kuerten, afirmou que algo parecido ocorreu apenas uma vez e a liberação foi concedida pelo agente.
"Faz 11 anos que eu faço isso e desta vez eles não estão me liberando. Há uns dois anos também aconteceu isso, mas o agente falou que iria ajudar o esporte brasileiro e me liberou após duas horas. Até agora não, estou vendo se consigo convencer", afirmou Mello, número 187 no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais.
| Na manhã desta terça-feira, o tenista brasileiro Ricardo Mello, que voltava da disputa do qualifying do Aberto dos Estados Unidos, teve sua bagagem retida na alfândega por conter material recebido do patrocinador em valor maior que o limite de US$ 500, além de não ter declarado os itens. Você achou justa a retenção e a cobrança de R$ 2.250 para a liberação do tenista na Receita Federal, no aeroporto de Guarulhos? |
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| PROBLEMAS NA ALFÂNDEGA |
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Ricardo Mello apresentou a documentação de inscrição no Aberto dos Estados Unidos, o contrato com a Babolat internacional e a chave do torneio para mostrar que é tenista, mas ainda assim não teve sua liberação aceita. O Ministério do Esporte foi contatado para tentar resolver a situação do tenista que já defendeu o Brasil na Copa Davis.
O tenista precisou encerrar a conversa com o
UOL Esporte após pedido dos agentes. "Ele já me mandou parar de falar ao telefone duas vezes, estou ficando com medo", afirmou Ricardo Mello.
Um agente, que pediu para não ter o nome publicado, afirmou que o material trazido pelo tenista excedeu em grande quantidade o valor de importação na alfândega e que o tenista apenas teve de passar por um procedimento que é comum a quem chega do exterior.
No início da tarde desta terça-feira, Ricardo Mello efetuou o pagamento do tributo e a multa por não ter declarado a bagagem e foi liberado pelos agentes.
No tênis, situações como a de Mello não são novas. Ao conquistar o título de duplas em Wimbledon, em 1958, a ex-tenista brasileira Maria Esther Bueno também foi barrada na alfândega, que quis cobrar imposto sobre o troféu da competição.
* Atualizado às 12h56