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25/11/2009 - 07h00

Na neve, Brasil é comparado a Minardi e luta por um top 10 em Vancouver

Maurício Dehò
Em São Paulo
O Brasil ainda engatinha quando o assunto é esporte de inverno. Afinal, para o país de dimensão continental e com clima predominantemente tropical, a neve é um fator raro e que, no máximo, beneficia os turistas na região sul. Assim, fazer um papel de destaque nos Jogos Olímpicos de Inverno é uma tarefa das mais complicadas. Para o presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve, Stefano Arnhold, no melhor dos cenários o país conquistará apenas um top 10 em Vancouver, nos esportes dos quais sua entidade é responsável.

RIO-2016 DEVE AJUDAR MODALIDADES

  • Arquivo/FI

    Isabel Clark é grande esperança de ser top 10

    Para o presidente Stefano Arnhold, os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro devem "respingar" nos esportes de inverno. "Eu acho que 2016 vai ajudar o esporte como um todo. Algo que já acontece hoje é ver patrocinadores procurando apoiar eventos esportivos, mirando 2016. Outra coisa é que no Brasil o futebol ocupa uma porcentagem grande da atenção e com os Jogos começaremos a dividir uma fração desse espaço. Em 2014, nas Olimpíadas de Inverno de Sochi (RUS), a atenção já será maior", analisou.

    Outro fator que pode aumentar o interesse é a exposição em TV aberta dos Jogos, uma vez que a
    Rede Record comprou os direitos de transmissão.


"Nós somos como uma Minardi", explica Arnhold, usando a Fórmula 1 para comparar as confederações brasileiras de esportes de inverno com as de outros esportes e mesmo as entidades de outros países. "Existem as Ferraris, com uma grande parte do orçamento, e nós recebemos só uma pequena parcial disso."

Além da CBDN, o Brasil conta com a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, que inclui modalidades como o bobsled e as provas de patinação. Segundo Arnhold, a CBDN tem um orçamento de R$ 500 mil da Lei Piva, com um acréscimo de cerca de R$ 100 mil em ano Olímpico. O restante vem de patrocínios, que ainda são escassos.

"Não é um trabalho fácil, porque os custos dos nossos esportes são altos. E é natural termos uma verba restrita, em um país de clima tropical", afirma o dirigente. "Os países contra quem disputamos têm orçamentos milionários e em muitos este é esporte número 1 do país, com uma canalização forte de recursos. Mas temos trabalhado com treinadores estrangeiros, psicólogos para os atletas, preparadores físicos".

Os atletas não recebem salário, mas segundo Arnhold tem apoio na parte de estrutura técnica e nos recursos para viagens.

As viagens são constantes atrás de neve. Campeonatos Brasileiros, inclusive, são disputados no Chile e Argentina. A cidade argentina de Bariloche é um dos lugares preferidos para a preparação de quem disputa biatlo e cross-country. Santiago e seus entornos é a escolha dos snowboarders.

  • Arquivo/FI

    Das mountain-bikes no verão, Jaqueline Mourão passa para o cross-country durante o inverno

O número de atletas que a CBDN levará será idêntico ao dos Jogos de Turim, em 2006, com cinco atletas: um do snowboard, dois do cross-country e dois do esqui alpino - nestes dois últimos, um no masculino e um no feminino. A lista ainda não está definida, já que resultados até dezembro serão levados em conta no ranking de pontos dos atletas.

No entanto, há favoritos para as vagas. O principal nome do desporto de inverno brasileiro segue sendo Isabel Clark. No snowboard, ela foi nona colocada nos Jogos de Turim, a melhor posição do país na história. E ela é a aposta para voltar ao top 10. "Ela está numa condição técnica muito superior e já acumula mais experiência, principalmente em finais, que ela não tinha na época".

Nas outras modalidades, o plano é beliscar algumas posições entre os grandes países na neve. No cross-country a esperança é com Jaqueline Mourão, conhecida por ter competido nos Jogos de Verão, no mountain bike. Leandro Ribela deve ser o representante no masculino.

O esqui alpino é o que tem uma geração renovada para o Brasil, com dois atletas que moram no exterior. Maya Harrison, de apenas 17 anos, e Jhonatan Longhi, de 21, correm na frente para representar o Brasil em Vancouver e devem brigar por posições intermediárias na cidade canadense.

Todas as vagas serão decididas em meados de dezembro, para que haja tempo hábil para que os brasileiros se preparem para a competição, que será realizada entre 12 e 28 de fevereiro de 2010.

"Temos trabalhado muito forte, com a meta de que cada geração, a cada edição dos Jogos, consiga ultrapassar a anterior", concluiu Stefano Arnhold, já com a certeza de que o trabalho será árduo no Brasil.

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