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Cachorrinha fofa vira super atleta e põe Brasil no topo de esporte canino

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

23/11/2015 06h00

Lali é daquelas cachorrinhas fofas. Adora um carinho, quer brincar toda hora e não desgruda de sua bolinha de estimação. Quem vê essa cadelinha tão dócil e calminha nem imagina que ela se transforma quando o negócio é trabalho. É aí que o bicho pega, literalmente.

É só Lali partir para a pista que ela fica enérgica, salta obstáculos com uma altura invejável, corre para o túnel como uma flecha com média de 18km/h, completa o slalom e aparece na reta de chegada pronta para abanar o rabo e abocanhar o petisco.

A integrante da raça Parson Russell Terrier é uma das melhores atletas do mundo no Agility, o esporte canino mais popular do mundo. O Agility é baseado nas regras do hipismo e o objetivo é completar o percurso formado por obstáculos em menor tempo e com o menor número de faltas. Lali é a maior responsável por colocar o Brasil no topo da modalidade. No último Campeonato Mundial, disputado em outubro, em Bolonha, na Itália, ela e seu condutor Samir Abu Laila desbancaram a concorrência e garantiram o bronze na categoria mini.

“Aparentemente ela é uma cachorra super calma, fica com a bolinha dela, está deitadinha e quietinha, ela adora um petisquinho também, fica tranquila. E na hora que vai trabalhar e fazer Agility, parece que ela nasceu para isso, se transforma. Alguns cães nascem com essa estrela e eu dei muita sorte de ter encontrado ela no meu caminho”, conta Samir que além de condutor e treinador é também dono dela.

Lali parece mesmo ter nascido para brilhar. Sua raça é propícia para a prática do esporte e ela foi comprada na Itália porque na época ainda não tinham muitos criadores no Brasil. Com um ano e meio, ela atingiu a idade mínima para competir e já começou a destilar seu talento nos torneios pelo mundo. Dois meses depois, já subiu de categoria, o que é algo raro.

A partir daí, conseguiu um vasto currículo. Foi campeã sul-americana, bicampeã da Copa CBA, um dos campeonatos nacionais mais importantes da modalidade, e no passado já conseguiu índice para o Mundial. Neste ano, com quatro anos e em sua segunda participação na competição, já era apontada como uma das favoritas e ficou com o terceiro lugar. A premiação é inédita para o país.

“Na equipe brasileira de Agility que foi para o Campeonato Mundial neste ano a gente tinha muitos bons cães, mas na categoria individual que é mega disputada ela era a maior esperança e ela conseguiu justificar essa esperança. Nós conseguimos esse pódio que ainda não é de campeão, é bronze, mas para mim vale muito. Ela nem sabe o que aconteceu, mas para o Agility brasileiro vale muito e ela foi uma das principais atletas da nossa equipe”.

Para se tornar uma super atleta, Lali recebe cuidados especiais. Ela faz um check-up com regularidade para avaliar sua condição ortopédica, já que o esporte exige corrida, saltos e curvas, e precisa de alimentação diferenciada com ração super premium. “Eu também levo o treinamento de uma maneira muito séria, planejo muito os treinos, trabalho dentro da pista de duas a três vezes por semana, aproximo muito o treinamento da competição para que a gente chegue sem ter muita dificuldade. Fora isso, uma a duas vezes por semana a gente trabalha outras coisas como uma caminhada ou piscina para relaxar e ter um pouco mais de preparo. Dessa forma a gente consegue ser cada vez mais competitivo”.

No Brasil, o esporte está crescendo. Existem bons locais para a prática e a Comissão Brasileira de Agility regula o a modalidade no país. Apesar de não ser profissional, o Brasil já conta com participações em Mundiais há 16 anos e tem cães que conseguiram destaque com títulos sul-americanos.

Mas engana-se quem pensa que o Agility é um esporte apenas para atletas. Samir defende a prática para qualquer cachorro e diz que é muito benéfica para o lazer do animal e, principalmente, para fortalecer a ligação entre o pet e seu dono. Ele afirma ainda que a atividade deve ser sempre um prazer para o cachorro, nunca uma obrigação.

“Jamais tem que ser uma obrigação. Tem que ser uma coisa prazerosa para o cachorro e isso faz com que a relação entre eles seja muito mais de um respeito, uma amizade, e o cão passa a entender muito melhor o seu proprietário no dia a dia, o que facilita o convívio entre os dois. Isso é muito bacana”.

No Brasil já existem vários locais para a prática do esporte, mas a brincadeira não é barata. Aulas semanais custam em média de R$ 200 a R$250 e, se forem realizadas duas vezes por semana, chegam a R$400, sem contar custos com alimentação e veterinário.