04/10/2003 - 09h00
Crise da TV Cultura afeta os programas esportivos da emissora
Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo
Fundada em 1969, a TV Cultura atravessa em 2003 um dos piores momentos de sua história. Responsável pela administração da rádio e da TV, a Fundação Padre Anchieta não está conseguindo os recursos necessários para manter o padrão de suas produções, algumas delas premiadas internacionalmente.
Com isso, duas das principais atrações esportivas da emissora - o "Grandes Momentos do Esporte" e a "Hora do Esporte" - estão com os dias contados. O primeiro vai ao ar pela última vez neste sábado, dia 4 de outubro, enquanto o segundo deve passar a ser um bloco de 15 minutos dentro dos telejornais.
A direção da fundação demitiu 256 funcionários em fevereiro deste ano e fez cortes significativos em seu orçamento. Mesmo assim, a entidade não alcançou o equilíbrio financeiro, em grande parte pelo atraso no repasse dos recursos vindos do governo do Estado de São Paulo, sua principal fonte de arrecadação.
O resultado é o sucateamento da infra-estrutura da emissora, que vê seus equipamentos ficarem a cada dia mais obsoletos e apela para peças de máquinas já desativadas para fazer sua manutenção.
"Fico triste pela situação da emissora. Quem passou por lá em momentos melhores, como eu, lamenta o estado a que as coisas chegaram. Às vezes eu encontro a equipe da Cultura na rua e vejo os equipamentos que eles usam. Está tudo muito antigo, em péssimo estado, sem manutenção, é muito triste", comentou o repórter Helvídio Mattos, que trabalho no programa "Grandes Momentos do Esporte" de 1992 a 1996.
Além disso, a Cultura enfrenta até a falta de fitas para copiar programas, em alguns casos sendo obrigada a reutilizar fitas do arquivo, as ameaças de greves dos funcionários, os atrasos nos pagamentos das dívidas parceladas com a Previdência e até apagões decorrentes das más condições de transmissores e repetidoras.
A crise chegou até o Congresso Nacional, onde a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados convocou o presidente da Fundação, Jorge da Cunha Lima, a prestar esclarecimentos.
Segundo o depoimento de Lima, a solução vinha sendo negociada com o governador Geraldo Alckmin, que não acredita que a falta de verbas seja o principal problema e estuda novas formas de financiamento para a entidade, pois aponta um crescimento na verba destinada pelo Estado.