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28/07/2006 - 09h11

PCC, burocracia e custo sabotam Olimpíada policial em São Paulo

Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo
"Muitos policiais não vieram porque assistiram ao noticiário e se assustaram com os atentados por aqui. Outros não conseguiram os US$ 5.000 mínimos para bancar a participação." Assim o australiano John Wakefield, dirigente da Federação Internacional de Esportes de Polícia e Bombeiros, explica o pouco número de atletas estrangeiros e o cancelamento de várias provas no 17º International Police and Fire Games, evento que acontece até a próxima terça em São Paulo.

AÇÃO E TÁTICA POLICIAL

A edição brasileira tem dois papagaios como mascotes


No Brasil, não aconteceu o pentatlo humano-canino


Policiais de quatro países competem no tiro esportivo


As atiradoras venezuelanas usaram até unhas postiças


O dirigente John Wakefield aponta o PCC como obstáculo


O tcheco Nemecek (esq.) já disputou cinco jogos policiais
Além da repercussão dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) e dos custos, a burocracia também minou o evento. A Rússia, por exemplo, não permitiu que saíssem do país as pistolas e revólveres para que seus agentes competissem no tiro esportivo dessa Olimpíada. Os policiais Alexander Baryshnikov e Evgeny Khaymin, vindos da Sibéria, utilizaram armas emprestadas e não conseguiram treinar com elas porque estavam também competindo no arremesso de disco e martelo.

A burocracia também vitimou os competidores caninos, que, devido à quarentena obrigatória na entrada ao país, esvaziaram o torneio. Cães farejadores competiriam para ver quem é o mais rápido a descobrir a droga escondida, enquanto outros cachorros disputariam uma espécie de corrida com obstáculos com seus parceiros humanos. Os cavalos também não chegaram a tempo e se transformaram em baixas.

No final, só 867 atletas dos 5.000 esperados e só 14 delegações estrangeiras das 40 previstas fizeram inscrição nos jogos.

Além do Brasil, só a Venezuela representa a América do Sul. "Em Caracas também matam muitos policiais, mas o pior ano foi em 1988, quando morreram em ação mais de 300 venezuelanos. Mas enfrentar marginais é nosso trabalho, então, não ficamos com medo de vir", afirmou o delegado Rafael Jaimes, chefe da equipe de tiro do país vizinho.

Os venezuelanos, porém, reclamaram do valor da munição no Brasil -não se pode viajar com ela nos aviões. "Em nosso país, com um dólar você compra 20 balas. Aqui cada bala vale um dólar. Nem treinamos para não perder dinheiro", se queixou a Wilay Mora, que normalmente faz patrulha no centro de Caracas.

Supermaquiadas e fazendo a estréia internacional, a equipe de quatro policiais femininas se destacava no estande de tiro. "Nós somos as panterinhas", brincou a policial Karla Sosa, posando para foto mostrando na cintura o coldre com revólver.

Já sua companheira Tânia Ruiz, com um tiro de raspão nas nádegas como marca da profissão, reclama que não há uma prova específica para os policiais motorizados. "Somos treinados a montar e desmontar com a moto em movimento e a derrapar a moto em caso de tiroteio. Isso poderia ser usado em uma competição", sugere a venezuelana.

A Venezuela é um dos poucos países em que o governo ajudou os atletas -pagou as passagens. A maioria dos competidores gastou seu dinheiro e suas férias para competir.

Os Jogos Internacionais de Polícia e Bombeiros acontecem desde 1974 e surgiram com a cada vez maior participação de estrangeiros na "National Law Enforcement Games", torneio norte-americano de tiras criado em 1971. Não por nada 12 das 17 edições do evento internacional foram abrigadas pelos EUA (Brasil se somou ao grupo formado por Austrália, Canadá e Emirados Árabes, que já foram sede).

O torneio, que acontece a cada dois anos, vivia um aumento no número de inscritos até chegar a São Paulo, que teve um total só maior do que na competição pioneira em 1974, em San Francisco (500 atletas). Em Las Vegas-2004, por exemplo, estiveram 4.500.

Em São Paulo, a maioria das delegações são do Leste Europeu (Rússia, Casaquistão, Bulgária, Polônia, Romênia, Hungria e República Tcheca). Os tchecos, por exemplo, foram representados por apenas um policial de Praga, Zdenek Nemecek. "Compito em torneios normais, mas gosto de competições de policiais, porque posso descobrir como é a vivência dos agentes em outros países. Já estive cinco vezes em torneios como esses", conta o atirador Nemecek.

Além das disputas tradicionais (como atletismo, natação e lutas), o programa traz jogos de habilidade (como sinuca, dardo e boliche), mas os mais característicos são as provas "o policial mais resistente" (corrida, nado e subida de corda de seis metros sem auxílio das pernas) e "o bombeiro mais resistente" (subir de escada dez andares no menor tempo e com todo o equipamento normal de trabalho, capa, capacete e tudo).

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